Vida Digital: Tim Cook
- 23 de janeiro de 2011|
- 20h00|
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Por Redação Link
É certo que a Apple não seria a Apple sem Steve Jobs. Agora, a súbita decisão do presidente da companhia de tirar uma licença médica pela terceira vez em menos de uma década gera dúvidas sobre o destino da empresa e joga os holofotes sobre vários executivos, em particular sobre Timothy Cook, diretor de operações que assumirá a companhia na ausência de Jobs.
Quer Jobs volte, como ele diz que pretende fazer, quer não, como alguns investidores temem, é quase consenso que, apesar de ter uma forte equipe, substituí-lo é uma tarefa difícil. “A companhia poderia não prosperar se Steve não tivesse uma equipe extremamente talentosa”, diz David B. Yoffie, professor na Harvard Business School e estudioso do setor de tecnologia. “Mas, em alguns níveis, ele é insubstituível.” A criatividade de Jobs, sua obsessão com design e funcionalidade dos produtos e seu estilo de gestão, além da sua personalidade, são incomuns. Assim, seriam necessárias várias pessoas trabalhando juntas para igualar o fundador da Apple.
“A pessoa que mantém os trens circulando no horário é uma peça rara, mas não tão rara como alguém capaz de inovações pioneiras”, diz Michael Useem, professor e diretor do Centro para Liderança e Gestão de Mudanças da Wharton School da Universidade da Pensilvânia. A Apple tem ambos. Agora, Jobs deixa Cook no comando, como fez em sua licença de cinco meses em 2009.
Bons antecendentes. O desempenho de Cook naquele período serve para tranquilizar investidores nervosos. O executivo, que entrou na Apple há quase 13 anos e é responsável pelas vendas e operações mundiais da companhia, conduziu a empresa com sucesso da última vez. Ele manteve nos trilhos o desenvolvimento de produtos como o iPhone 4 e o iPad, aumentou as vendas de computadores Macintosh e melhorou o desempenho financeiro da Apple durante uma recessão econômica.
Apesar de as ações da Apple terem caído quando Jobs anunciou sua licença em 2009, elas subiram fortemente durante a presidência de Cook. Antes de entrar na Apple, Cook foi vice-presidente de materiais corporativos da Compaq, que foi comprada pela Hewlett-Packard.
Embora em 2009 Jobs tenha se mantido intimamente envolvido na companhia a despeito de sua saúde, as responsabilidades de Cook e sua posição como aparente herdeiro de Jobs, se fortaleceram. “Estive com Tim Cook na semana passada em Nova York, e saí dali pensando, ‘esse sujeito está mais no comando e mais no controle da Apple do que eu acho que as pessoas imaginam’”, diz Tim Bajarin, analista da Creative Strategies que monitorou a Apple por quase três décadas. “Ele é o cara que, se a Apple precisar de liderança adicional no topo, poderá tocá-la.”
Analistas afirmam que, como Jobs, Cook é obcecado por detalhes e envolvido nas minúcias do negócio. “Tim é obsessivo com detalhes operacionais, e Steve é obsessivo com detalhes de produtos”, diz Gene Munster, analista da Piper Jaffray.
Galera.
Um punhado de outros executivos, cujos papéis são complementares ao de Cook, também deve crescer em importância na ausência de Jobs.
Entre estes está Jonathan Ive. Designer nascido em Londres, ele é vice-presidente sênior para desenho industrial da Apple e próximo de Jobs. “Ive é possivelmente a pessoa mais importante depois do Steve”, diz Shaw Wu, analista da Kaufman Brothers. “Ele é responsável pelo jeito dos produtos e pela forma como eles interagem com os usuários.”
Philip W. Schiller, o diretor de marketing da empresa, também deve jogar um papel vital. Na última licença de Jobs, foi Schiller que assumiu o posto de principal apresentador da Apple, subindo ao palco em eventos tipicamente comandados por Jobs. Entre outros produtos, ele lançou o iPhone 3GS e uma linha atualizada de laptops MacBook Pro.
Acredita-se também que Scott Forstall, vice-presidente sênior para software de iPhone, terá uma influência crescente na medida em que o software se torna o fator distintivo em telefones e tablets. Ele esteve por trás do esforço da Apple para unificar o software da Apple que aciona seus aparelhos móveis e seus computadores Macintosh.
Apesar de seus repetidos problemas de saúde, nas outras vezes em que se ausentou da empresa, Jobs permaneceu envolvido em decisões grandes e pequenas. No ano passado, conduziu a resposta da companhia na crise gerada pelos problemas de funcionamento da antena do iPhone 4 e participou de discussões com o Facebook sobre o lançamento do Ping, a rede social da Apple dentro do iTunes.
À mesa. Uma área em que a influência de Jobs será difícil de substituir é a mesa de negociações. Jobs tentou influenciar muitos com a força de sua personalidade jogando um papel direto para persuadir companhias de mídia a disponibilizarem seus conteúdos em produtos da Apple. Esse papel é cada vez mais importante na medida em que a Apple tenta se tornar uma potência ainda maior na distribuição de mídia.
Jobs obteve algumas vitórias recentes nesse front; por exemplo, quando os Beatles concordaram em vender sua música pelo iTunes. Ele também conseguiu persuadir a Disney e a News Corp. a venderem alguns programas de televisão por US$ 0,99 pelo dispositivo Apple TV.
“Quando o Steve fala, as pessoas escutam”, diz Yoffie. “Seria difícil qualquer pessoa no setor ter um nível de influência comparável.” Ninguém espera que a Apple sofra no curto prazo, já que a companhia tem um ciclo de produto longo. Mas alguns perguntam o que ocorrerá no longo prazo se Jobs não voltar.
“As operações da Apple ou sua capacidade de executar e continuar fazendo o que vinha fazendo não preocupam”, diz Munster. “Quanto ao que eles já criaram, não há dúvida de que podem entregar. Agora, quanto a produtos inspiradores que ainda não foram pensados, é aí que se vai perder.” Para ele, “o problema central é que a inspiração de Steve Jobs é insubstituível.”
Miguel Helft e Claire Cain Miller/ The New York Times (TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK)
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24/01/2011 - 17:18 Enviado por: Luiz
A Apple tem de deixar outras pessoas aparecerem, não deve se preocupar com isso. Um grande gênio pode ser revelado, se lhe for dada a chance. Inove, Apple!
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