Estadão.com.br

Usuário do Safari processa o Google

Por Murilo Roncolato

O buscador é acusado de usar cookies para rastrear dados de navegação de usuários do browser da Apple

SÃO PAULO – O Google recebeu um processo por um dos usuários do Safari, o browser da Apple, sob a acusação de violação de privacidade. Na sexta-feira, 17, o Google havia confessado, como prática comum, fazer o acompanhamento da navegação dos usuários do browser, que — por padrão — bloqueia o acesso de terceiros a cookies de seus usuários. O Google teria criado uma brecha, explicada pela empresa como um “elo temporário de comunicação entre o Safari e servidores do Google” para verificar se o usuário do Safari tinha conta no Google, o que burlou as regras da Apple. A empresa também disse rastrear informações no IE.

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No processo, protocolado no tribunal do Estado de Delaware, os advogados do autor da acusação, Matthew Soble, um homem natural de Illinois, dizem: “As ações do Google deliberada e conscientemente violam leis federais” sobre wiretapping (termo originalmente relacionado apenas a escutas telefônicas e que com a internet passa a também a ser usado em casos de observação indevida em comunicações por serviços de chat, vídeo ou e-mail) e outras regulamentações relacionadas ao uso de computador.

O assunto chegou às entidades de defesa do consumidor dos Estados Unidos, como a conhecida Consumer Watchdog, que enviou uma carta à Comissão Federal de Comércio (FTC) do país contra o Google. Assinada por John Simpson, diretor do projeto privacidade do Consumer Watchdog, a carta lembra também o caso do Buzz, serviço do Google que também sofreu acusações de violação de privacidade.

“Os usuários do Safari, com a configuração para bloquear cookies de terceiros, achavam que não estavam sendo rastreados. No entanto, por causa de um elemento invisível para o usuário, projetado para imitar um formulário, a DoubleClick (a agência de marketing do Google) foi capaz de definir cookies de rastreamento em uma evidente violação das preferências assinaladas pelo usuário (…) As ações do Google claramente violam o “Acordo do Buzz“.

O Senado americano também se posicionou sobre as acusações acerca do Google e promete avaliar o caso.

“Tenho a intenção de analisar essa matéria e determinar a extensão da prática utilizada pelo Google e por terceiros para burlar a escolha do consumidor”, disse o representante de West Virginia, John Rockefeller.

O Google, por meio de seu porta-voz, Chris Gaither, disse garantiu que a empresa está tomando medidas imediatas para resolver os problemas. Sobre o processo registrado por Matthew Soble, Gaither disse à Bloomberg por e-mail que a empresa não comentaria o processo.

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