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USP Ciborgue

Por Rafael Cabral


O protótipo em testes na Poli acabou de ser construído e ainda usa material improvisado. O projeto acaba de receber financiamento e o desenvolvimento da ferramenta final deve demorar mais seis meses. FOTO: Filipe Araújo/AE

Uma das áreas mais inovadoras da pesquisa em tecnologia é também uma das mais desconhecidas, a chamada “computação vestível” ou weareable computing. Essencialmente prática, a disciplina busca desenvolver roupas e dispositivos robóticos que possam se encaixar no corpo humano e lhe trazer novas capacidades e o seu desenvolvimento é especialmente importante para quem tem problemas de movimentação nos braços ou pernas.

O campo de estudo é interdisciplinar e baseia-se principalmente na robótica, na neurociência e na fisioterapia. Sua maior promessa está no desenvolvimento dos chamados exoesqueletos, um conceito adaptado da dura capa de quitina que reveste o corpo de insetos e crustáceos. A ideia é que ferramenta como essas, mecanizadas, carreguem o corpo e auxiliem músculos e membros que não respondem.

As pesquisas em biônica avançaram muito nos últimos anos e mostraram que esse tipo de dispositivo tinha aplicação fora dos filmes do Homem de Ferro e fantasias futuristas e que poderia tornar-se importante em tratamentos clínicos. Cientistas já provaram que é possível captar com exatidão os sinais elétricos do cérebro e repassá-los para um membro mecânico externo. O brasileiro Miguel Nicolelis usou os estímulos da mente de um macaco para fazer que um par de pernas mecânicas andasse – o que o bicho pensava nos Estados Unidos, o robô fazia ao mesmo tempo no Japão. Desde então, houve uma explosão do investimento em projetos do tipo, do exército norte-americano às principais universidades.

O desenvolvimento desse tipo de mecanismo já movimenta US$ 2,8 bilhões por ano e promete até devolver o movimento a quadriplégicos, mas, até o começo de 2011, a principal universidade brasileira ainda não tinha nenhum projeto importante na área. Ativo apenas desde novembro de ano passado, o Laboratório de Biomecatrônica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), quer mudar rapidamente isso.

Liderado pelo espanhol Arturo Forner-Cordero, o grupo já toca dois projetos de exoesqueleto. Um deles está sendo financiado pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e é dedicado a criar um equipamento que auxilie o braço (envolvendo articulações do ombro, cotovelo e punho) a se movimentar. O outro, bancado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq), construirá um acessório robótico que, quando vestido, pode devolver a autonomia das pernas (em um protótipo que ainda envolverá estruturas ligadas ao joelho ao tornozelo).

Não há ligação entre cérebro e máquina no projeto da USP. A intenção é criar uma ferramenta que faça o esforço para a pessoa que tem dificuldades para se mexer e que, ao menos no tempo em que está em desenvolvimento na universidade, sirva também de ferramenta para o estudo das respostas motoras e sensoriais. Os exoesqueletos serão primeiro usados em pessoas saudáveis, que realizarão diversos testes de precisão e se movimentarão com eles em diversos contextos.

Depois, serão usados em grupos reduzidos de pacientes com hemiplegia e que sofrem os efeitos tardios da poliomielite. Colocado por fora do braço, o protótipo identifica pequenos estímulos do próprio paciente e dá uma forcinha para que ele complete o gesto ou mesmo pode impor um movimento arbitrário em membros que não apresentam contrações.
“Comecei a me interessar por esse tipo de solução em uma época em que minha avó entrou na idade em que era normal começar a tropeçar e cair muito.

Nessa idade, o risco de morte ou de invalidez nesses casos é enorme. Minha ideia era que equipamentos que os ajudassem a caminhar e que tornasse as ações menos cansativas poderia diminuir esse número”, explica o pesquisador, que afirma que um protótipo mais finalizado do braço mecânico, já em testes, deve ser mostrado em seis meses.

“A ideia é que consigamos entender plenamente como funciona a interação entre o homem e o robô auxiliar. Com isso, poderemos traçar um padrão, que pode ser usado em uma série de estudos futuros”, completa.

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Link no papel – 11/04/2011

6 Comentários
  • 11/04/2011 - 02:26
    Enviado por: Dãngylle Rodrigues /DF

    MAIS UMA VEZ O NOSSO QUERIDO BRASIL SAI ATRÁZ!!! EM QUANTO EM OUTROS PAISES MILITARES JÁ EXECUTAM TREIMAMENTOS COM EXOESQUELETOS COMPLETOS. UM HOMEM PODE PASSAR UM DIA INTEIRO CORRENDO E NÃO SE CANSA.
    NOS AQUI NO QUINTO DOS INF… COMEÇAMOS MAIS UMA VEZ PELA METADE. TAMBÉM, O POVO NAO TEM EDUCAÇÃO DE QUALIDADE.

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    • 11/04/2011 - 19:04
      Enviado por: Ricardo

      “Atrás” é bem mais fácil de escrever do que “Dãngylle”… hehe, vc é a prova viva de que o povo não tem educação de qualidade.

    • 12/04/2011 - 10:03
      Enviado por: Fernando Figueiredo

      Pois é Dãngylle,

      Até concordo em parte com Você.

      Poderíamos estar muito mais adiantados em pesquisa e desenvolvimento se a maior parte dos recursos não fosse absorvido pelos “esgotos” de Brasília, mas mesmo assim graças aos esforços, dedicação, perspicácia e muita engenhosidade dos nossos pesquisadores ainda conseguimos avançar em pesquisas de ponta que muitas vezes são usadas como base por estes grandes desenvolvedores de lá…

      E poderíamos sim fazer uma campanha para voltar a pagar o “quinto dos infernos”, pois assim certamente teríamos muito mais recursos para o desenvolvimento do nosso País.

    • 12/04/2011 - 10:16
      Enviado por: Elna

      O mal do Brasileiro é este baixo astral e esta baixa alto-estima. Que bom estarmos pesquisando e desenvolvendo pesquisas complexas, quanto pais do terceiro mundo está neste caminho.

  • 11/04/2011 - 15:15
    Enviado por: finha

    stalker? lol

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  • 12/04/2011 - 10:12
    Enviado por: Elna

    Sensacional, este pesquisador é mesmo um genio´, principalmente pelo motivo(dificuldade de deambular da avó)que o estiulou à pesuisa. Parabéns. Boa sorte e sucesso.

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