Um debate com quase todos do mesmo lado
- 29 de maio de 2011|
- 19h40|
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Por Redação Link
Eles eram poucos – e quase insignificantes diante dos gigantes da tecnologia que lotavam as plenárias. Mas foram os militantes da internet livre, com breves intervenções, que deram o tom do e-G8, fórum sobre internet convocado pelo governo francês. Não fossem eles, tudo não passaria de uma conversa de compadres entre patrocinadores do evento – 3 milhões de euros pagos por cotas que garantiram a presença de presidentes e diretores-gerais da Microsoft, Google, Vivendi, Orange e outras empresas em mesas redondas.
“Não faça mal à internet”, bradou o professor de jornalismo da City University, de Nova York, Jeff Jarvis em sua intervenção ao final da palestra de abertura do presidente Nicolas Sarkozy. Com essa frase, estava aberto o fórum.
A missão do e-G8 era funcionar como prévia da cúpula de chefes de Estado que começou dois dias depois no balneário francês de Deauville. No documento endereçado ao G8, o time da internet posterga a questão da legislação e prega um ambiente favorável ao investimento. Uma mensagem bem liberal – reflexo de um consenso artificial construído pela composição homogênea dos painéis, onde praticamente só teve voz quem tinha dinheiro.
Para o painel sobre internet e sociedade, do qual participaram altos diretores do Facebook, Wikipedia, Reuters, Orange e do Fórum Econômico Mundial, não foi chamado nenhum representante da sociedade civil organizada. Como era de se esperar, questões espinhosas relacionadas à privacidade só foram tocadas tangencialmente.
“Tudo foi abordado do ponto de vista da economia, em termos de que se você vende alguma coisa, você existe, se não vende, não existe. Desculpa, mas se for assim, a internet não existe!”, lamentou o diretor do braço europeu da Mozilla, Tristan Nitot.
O alerta partiu mesmo de alguns dos engravatados sob os holofotes. Na plenária final do encontro, o diretor geral da Alcatel-Lucent, Ben Verwaaven, alertou: “Esse evento foi uma discussão feita por nós mesmos, sobre nós mesmos, o que é sempre muito, muito perigoso”, declarou Verwaayen. A frase ressoou na blogosfera francesa com o aposto “um instante de lucidez”.
Nó. Se a expectativa da cúpula era avançar num projeto mundial que refletisse os anseios de todas as partes envolvidas e que inspirasse uma regulação global sobre combate à pirataria, por exemplo, o resultado não poderia ser mais oposto: nunca esteve tão claro que indústria cultural e os agentes da internet não falam a mesma língua.
“Estou honrado de estar aqui, mas acho que não venho do mesmo planeta que esses senhores”, disse John Perry Barlow, cofundador da Electronic Frontier Foundation (EFF), única voz dissonante do painel sobre propriedade intelectual, que teve o ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand, e os presidentes da Universal Music, da 20th Century Fox e da editora Gallimard.
Barlow foi convidado de última hora. Havia rumores de que estava ali para substituir Lawrence Lessig, do Creative Commons, que teria sido barrado por decisão governamental. Lessig diz, porém, que nem foi convidado (leia abaixo). Em sua fala, Barlow acendeu a polêmica, gerando o único momento de viva discussão.
“Acho que sou o único aqui a viver da minha criação, que eu não chamo de propriedade intelectual, porque entendo que propriedade é algo que podem tirar de mim. Vivo da minha expressão e acredito que a internet incentivou as pessoas que realmente criam, e não enormes instituições que lucram com isso e têm lucrado por décadas”, analisou Barlow, suscitando aplausos.
“Falar em propriedade intelectual na internet é desejar impor práticas de negócios de outras eras. Ninguém pode deter o livre discurso e a livre expressão do pensamento”, completou.
Jérémie Zimmermann, militante da internet livre do site francês La Quadrature du Net, interveio para lembrar que os usuários que mais baixam material da internet são também os que mais consomem pela rede – terminando com um desabafo: “não somos ladrões”. “O fato de você comprar blusas e tênis pela internet não dá a você o direito de roubar outras blusas e tênis!”, respondeu um agitado Jim Gianopulos, presidente da 20th Century Fox – para em seguida concordar com o estranhamento mútuo: “Estamos mesmo em planetas diferentes!”.
Autorregulação ou morte. Sem bater de frente com seus anfitriões, os gigantes da internet referendaram os clamores dos independentes pela autorregulação do sistema. Eles negam que sua presença no fórum organizado por Sarkozy uma rendição.
“Ao vir aqui não estamos nos rendendo a eles, não há esse sentido. Ao contrário, o que um número significativo entre nós tem feito é dizer: deixem-nos em paz e só inventem leis que façam sentido tecnicamente”, disse ao Link o criador da Wikipedia, Jimmy Wales. É o mesmo espírito defendido pelo Google, que acredita que é a tecnologia, antes da regulação, que poderá encarar os desafios da internet: “Antes de nos perguntarmos que solução legal pode ser dada para determinado problema, vamos perguntar se há uma solução que passe pela tecnologia”, afirmou Eric Schmidt. “Se nos movermos mais rápido que qualquer um desses governos, vamos deixá-los lá falando sozinhos.”
// Carolina Nogueira, especial para o Estado, de Paris
—-
Leia mais:
• ‘Não se metam’, pede Zuck
• Link no Papel – 30/05/2011
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31/05/2011 - 09:42 Enviado por: Voltaire Ford de Oliveira
Pena que o Sarko nao convidou o Assange para o encontro. A Internet boa é aquela que so divulga as coisas boas do lado certo. Se V. contribui para a coalizao V. faz boa internet , se V. manda soldados para o Iraque e o Afganistao V. tem muito a nos dizer. Funciona mais ou menos como a moral do G8, se V. é o Sarkozy V. pode trocar de mulher à vontade, mesma que ela seja a Carla Bruni, mas deve se mostrar preocupado com a condiçao da mulher. Se V. é o Berlusconni V. pode contratar menores para sexo em bacanais que nossa moral é bem flexível mas nao deixe de enviar os seus soldados e apoio para nossas guerras. Agora, se V. usa a Internet para, por exemplo divulgar que 66 mil civis ja morreram no Afeganistao desde de o início na guerra, sua moral fica sob suspeita, onde já se viu nao usar preservativo quando faz sexo com duas jovens que caem no seu colo. A mesma tolerância aplica-se ao Sr. Strauss-Kahn que depois de velho transformou-se num molestador sexual, depois de frequentar milhares de hotéis, resolveu nos EUA atacar uma camareira às vesperas de sua nomeaçao para concorrer justamente contra ele, o Sarko, nas eleiçoes presidenciais francesas. Nada evidentemente se compara ao caso Monica Lewinsky que resolveu guardar a peça de roupa que usou para admirar bem de perto a beleza genital do entao presidente Bill Clinton. A moral depende exclusivamente de que lado da democracia V. está. Se V. esta do lado das fronteiras de 1967 na Palestina sua moral será digamos moralmente menos aceitavel. Agora, ainda que V. seja um molestador sexual, se V. fizer um filme contando as maldades da 2a. guerra, tudo será perdoado. Na verdade tudo depende de que lado V. está do muro da democracia. Quao flexível pode ser o muro da democracia, mas nao esqueça, tudo depende de que lado do muro V. está.
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