Transferência de poder
- 19 de dezembro de 2011|
- 16h29|
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Por Carla Peralva
Redes sociais se consolidam como espaço de discussão pública e acumulam um poder cada vez maior sobre os usuários. Mas problemas envolvendo Google, Facebook e Apple levantam a dúvida: as empresas sabem lidar com as informações privadas?
SÃO PAULO – “Agora, em muitos países, grandes parcelas da vida política, econômica e social têm se movido para o ambiente online”, diz o resumo de um projeto de pesquisa lançado em abril pelo Instituto de Internet de Oxford. Sua intenção é se adiantar aos desafios que a ciência política enfrentará diante dos efeitos do uso generalizado da internet em diversas camadas da vida social.
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• Siga o ‘Link’ no Twitter, no Facebook e no Google+
A pesquisa liderada pela professora Helen Margetts parte do entendimento de que um movimento tomou corpo e se solidificou em 2011: a consolidação das redes sociais no espaço de discussão pública, com diferentes setores do governo e da sociedade civil se organizando em rede.
Neste ano, o governo russo usou o Twitter para enviar spams na tentativa de confundir manifestantes. Petições online, como a feita contra a Usina de Belo Monte ganharam apoio e a França criou um fórum para que chefes de governos debatessem direitos que devem ser assegurados na rede.
O Link terminou o ano passado elegendo o Facebook como um dos grandes nomes de 2010 devido a sua expansão internacional e ao sucesso do botão Curtir. Neste ano, o Facebook e outros serviços sociais – como Google Plus e Twitter – se mantiveram entre os assuntos mais palpitantes não por suas funcionalidades, mas por seu reflexo offline.
A expressão “camada social”, criada pelo Google para definir seu novo empreendimento no mundo das redes sociais, se mostrou especialmente verdadeira para diversos serviços que contam com o compartilhamento e a produção de conteúdo de seus usuários como força motriz.
Maior penetração das redes sociais também significa maior concentração de dados pessoais nesses sistemas. E a questão que fica é: as grandes redes sociais estão sabendo lidar com essa fartura de informações?
No fim de novembro, a Comissão Federal de Comércio, agência regulatória dos Estados Unidos, julgou que o Facebook não era lá muito confiável. Estipulou então que mudanças estruturais na rede social serão feitas apenas com a permissão dos usuários e que sua política de privacidade será auditada pelo órgão pelos próximos 20 anos.
O vexame no campo da privacidade da Apple ficou por conta da descoberta, em abril, de que a empresa armazenava dados de localização de iPhones e iPads sem consentimento dos proprietários. E o Google, ao ver o cerco se fechar em torno do Street View, criou ferramentas que permitem retirar dados de localização do sistema.
Se na primeira edição do ano o Link questionou como a sociedade iria lidar com uma das grandes questões da era digital – de quem são os dados que circulam na rede –, 2011 termina sem essa resposta. Ao mesmo tempo em que cresceu o entendimento de que as pessoas precisam ter mais controle sobre seus dados, o Facebook mudou a página de perfil sem pedir autorização e admitiu, sem punições, que rastreia seus usuários mesmo quando não estão logados.
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Leia mais:
• Link no papel – 19/12/2011
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