Todos juntos
- 8 de julho de 2012|
- 18h50|
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Por Anna Carolina Papp
Pioneira no crowdfunding no Brasil, o Catarse completa um ano e meio de atuação com mais de 200 projetos aprovados
Diego Reeberg e Luis Otávio Ribeiro, criadores do Catarse. FOTO: NILTON FUKUDA/AE
SÃO PAULO – É ótimo quando uma boa ideia dá certo. Agora, quando 249 delas se concretizam de fato, melhor ainda. Criado para tirar esboços do papel e colocá-los em prática, o Catarse comemora seu um ano e meio de existência proporcionando financiamento de projetos de forma colaborativa. O site é a primeira plataforma de crowdfunding do Brasil – como são chamados os serviços com esse propósito.
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A ideia já rondava os recém-formados administradores Diego Reeberg e Luis Otávio Ribeiro desde 2010. Inspirados pelo norte-americano Kickstarter e interessados no tal crowdfunding que despontava lá fora, se juntaram a Daniel Weinmann, de Porto Alegre, e colocaram o site no ar em 17 de janeiro de 2011.
Vingou: em um ano e meio, mais de R$ 3 milhões foram arrecadados e 249 projetos alcançaram a meta de financiamento.
Crowdfunding consiste em arrecadar um pouquinho de dinheiro de um monte de gente para pôr uma ideia em prática. No Catarse é assim: o idealizador envia seu projeto, diz o quanto precisa e até quando. Interessados fazem doações a partir de R$ 10. Se até o fim do prazo o valor for atingido, o criador recebe o dinheiro. Os apoiadores ganham uma recompensa em troca, que pode ser um adesivo, um jantar, uma camiseta. Se o projeto não vingar, o dinheiro é devolvido ou pode ser revertido em crédito para financiar outros projetos.
A colaboração não se limita ao financiamento. O Catarse abriu seu código, que foi usado por pelo menos outras 50 plataformas. “É uma forma de quebrar uma barreira, para o cara não pensar: tenho de começar minha plataforma do zero, então não vou fazer”, diz Luis Otávio.
Sete pessoas trabalham no site: três em São Paulo, duas no Rio de Janeiro, uma em Porto Alegre e uma em Belo Horizonte. Para se manter, o Catarse fica com 7,5% do valor arrecadado pelos projetos bem-sucedidos. Segundo os fundadores, o site não dá lucro, e nem é essa a proposta.
Diego diz que não gosta de definir o Catarse como uma startup que tem modelo de negócio e visa à expansão. “Podemos crescer devagar, organicamente. Não queremos quantidade, e sim projetos em que acreditamos.” Ele conta que já recebeu uma proposta de fusão, recusada por “não ter nada a ver com a ideologia” do site.
Projetos. Os fundadores dizem que o Catarse aceita projetos de qualquer tipo e que são abertos em sua curadoria, mas há critérios básicos. Primeiro de tudo: tem de ser um projeto, não uma ideia solta. “Tem de ter começo, meio e fim bem definidos. Eu (o idealizador) pego esse dinheiro, executo e entrego o quê para a comunidade? E o resultado tem de ser de acesso coletivo”, diz Luis. É preciso ter um vídeo de apresentação. Sem ele, a proposta é rejeitada.
Entre elas, não faltam casos curiosos. Alguém sugeriu levantar R$ 19 bilhões para comprar o Yahoo; outro queria ser o primeiro brasileiro a ir à Lua; fora ajuda para comprar um iPhone e para pagar a cirurgia da mãe. “Nesses casos, indicamos sites como o vakinha.com.br”, diz Diego.
Os fundadores contam que um dos planos é distribuir a curadoria. “A gente fala de colaboração, é bonito, mas quem decide quantos e quais projetos entram na plataforma são só duas pessoas; é até meio ditadura!”, brinca Luis.
Outra questão a ser melhorada é o relacionamento entre as pessoas envolvidas. Hoje o Catarse apenas encaminha e-mails de apoiadores aos criadores, que ficam responsáveis por responder e entregar a recompensa. “Queremos que esse processo de gerenciamento aconteça na própria plataforma”, diz Luis.
Na terça-feira, o Catarse realizou o primeiro “Rendezvous Catarse”. A confraternização aberta reuniu cerca de 400 pessoas em um bar na Vila Madalena, em São Paulo, em clima descontraído. Projetos foram expostos e houve até performance burlesca, além da exibição de vídeos de iniciativas concluídas.
Uma das intenções era incentivar o contato mais próximo, que já existia online, entre projetos aparentemente desconexos. “A internet aproxima as pessoas, mas por outro lado, afasta o contato pessoal, o olho no olho.”
Para os fundadores, apesar de novo, o crowdfunding tem grande potencial no País. Novos sites têm aparecido e o receio em colaborar tem diminuído. “A gente fala de financiamento, mas o dinheiro é só uma das moedas. Acontecem um monte de outras coisas (de valor): serviços e ações de voluntariado”, diz Luis.
Diego completa: “Queremos servir como ferramenta de mudança social, para organizar comunidades e potencializar ações”. E, meio sem graça, cita Nietzsche: “Que as pessoas, através do Catarse, possam viver o que Nietzsche chamava de ‘eterno retorno’: aquele momento que eles gostariam que durasse para sempre. Muitas vezes, a ideia que a pessoa propõe é o projeto da vida dela. Essa é a nossa satisfação”.
DEU CERTO!
Alguns dos projetos que foram realizados graças à plataforma:
Belo Monte | O filme levantou a maior quantia até agora – R$ 140 mil – e já está na internet.
BaixoCentro | Festival levou eventos culturais ao Centro. Foram levantados R$ 17 mil.
Pimp My Carroça | Com R$ 64 mil, carroças foram reformadas e catadores, amparados.
Ônibus Hacker | Com R$ 58 mil, ônibus promove atividades do grupo Transparência Hacker.
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Leia mais:
• Link no papel – 9/7/2012
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