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Cibercultura 10+10: Não há mais modelo único para a música

Por Rafael Cabral

Acabou hoje em Santos o evento Cibercultura 10+10, montado em comemoração aos dez anos da edição brasileira do livro Cibercultura, do filósofo francês Pierre Lèvy. Se o primeiro dia de debates foi tomado por reflexões sobre os dez anos que passaram e sobre o futuro próximo da cultura digital, o segundo foi dedicado inteiramente a pensar sobre um reflexo prático da digitalização: a cultura do remix.

Para discutir as noções de autoria e os modelos de negócio viáveis para a cultura pós-internet, foram chamados André Lemos, da UFBA, Sérgio Amadeu, da Cásper Líbero, Laymert dos Santos, da Unicamp, Cláudio Prado, diretor do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital e o músico e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil.


Flickr @ CPFL

Além da discussão, o Cibercultura 10+10 montou também uma oficina de remix audiovisual em cima da discografia de Gil, usando apenas ferramentas livres. O áudio e o vídeo do show do cantor estavam disponíveis, para que o público remontasse as canções como quisessem. Quem fizesse upload com a hashtag #10mais10 entrava na seleção do material apresentado ao final do dia.

O debate

O papo girou basicamente em torno das transformações que a indústria musical sofreu com a chegada da troca de arquivos entre usuários. “O problema é que os artistas querem de volta aquele conceito único do mercado do século XX e essa lógica está falida”, defendeu Prado, para quem não há mais paradigma para a produção cultural. Os casos são únicos e os artistas devem buscar “modelos de negócio possíveis”.

Já o sociólogo Sérgio Amadeu refutou a velha noção de autoria, cada vez mais borrada no mundo digital. “Essa definição do que é o ‘autor’ é nova, só foi surgir no Renascimento. Isso para não falar do Oriente, onde há outra relação com a propriedade intelectual. O problema é que ainda hoje o artista não quer ser só autor: quer ser proprietário”, diz.

O papo esquentou quando alguns músicos de Santos começaram a desmistificar a cultura livre: Muito bonita toda essa história de Creative Commons, mas como ganhar dinheiro?

Para Gilberto Gil, o erro desse tipo de pergunta está em esperar uma fórmula pronta como a das gravadoras há algumas décadas atrás. “O problema é que vocês querem que apareça outro modelo único, que não vai exigir esforço algum e te traga o sono de volta”, brincou. A digitalização não exige, para ele, que toda obra de arte seja de graça, mas que um modelo próprio de comercialização seja criado para cada necessidade.

“A tendência atual é que pensemos não na propriedade, mas no comum, no compartilhado”, finalizou.

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1 Comentário
  • 03/10/2009 - 00:28
    Enviado por: joe delima

    Grande Gil, sempre esta a milhas dos outros.

    denunciar abuso

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