Estadão.com.br

As próximas paradas

  • 17 de março de 2013|
  • 14h42

Por Redação Link

No SXSW Interactive, braço digital do festival, startups de todo o mundo apresentam e popularizam suas ideias. E o que aparece por lá costuma ditar as tendências do ano 

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Se pudesse destacar apenas uma coisa sobre o South by Southwest, a escolha do diretor da parte interativa do evento, Hugh Forrest, seria o público. “Talvez a maior vantagem é poder contar com uma comunidade muito poderosa, passional e inteligente”, afirma. Em entrevista ao Estado, Forrest profetiza que muito do que foi apresentado deve, em poucos anos, atingir o mainstream. Ele tem propriedade para falar: Foursquare, Twitter e impressoras 3D são frutos do festival de Austin. Nesta edição, ele aponta o foco: hardware e exploração de espaços físicos através de novas formas de interação, realidade aumentada ou novas tecnologias 3D.

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‘A insanidade é a mãe da invenção’, diz o cartaz de participante na rua. FOTO: Guilherme Conte/Arquivo pessoal

Festival South by Southwest - SXSW 2013

LOGIN| Hugh Forrest, diretor do SXSW Interactive

Por que festival se tornou tão importante? O que o SXSW representa para a comunidade digital?
O SXSW Interactive é uma peregrinação anual de alguns dos pensadores mais inovadores do mercado. É um lugar para encontrar velhos amigos e curtir as memórias dos anos anteriores. Melhor, é um lugar para se fazer conexões que levam a novas ideias, novos modelos de negócios, novas oportunidades e relacionamentos que ajudarão a concretizar o futuro. O SXSW é uma prévia de quais tecnologias alimentarão o mainstream nos próximos dois, três, quatro anos.

Talvez a maior vantagem do SXSW é sua comunidade poderosa, passional e inteligente. A inovação proposta por essa comunidade é o que atrai pessoas, não só dos EUA, mas do mundo todo, para Austin, todo mês de março. As pessoas querem estar nesse epicentro.

O que você considera destaque neste ano?
Algumas das grandes tendências deste ano foram o hardware-como-o-novo-software, as startups, relação com os dados e (estranhamente) o interesse renovado por exploração de espaços físicos – de forma pública ou privada. Mas o maior destaque é sempre poder estar neste vortex de paixão e energia, vindo em sua maioria de desenvolvedores mais novos, independentes, que ninguém ouviu falar até então – mas que irá ouvir em alguns anos.

Há espaço para o SXSW no futuro próximo?
Enquanto o SXSW Interactive puder continuar a enfatizar os valores de inovação, criatividade e inspiração, nosso futuro será forte. As pessoas gostam deste evento porque ele proporciona uma oportunidade de se fazer contatos relevantes, pessoais, com tanta gente incrível. Somado ainda a outros nichos de pessoas criativas vindos do cinema e da música, o resultado é um ambiente muito poderoso.

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• Uma ideia em cada esquina
• Austin, eles têm um app
• Link no papel – 18/3/2013

Austin, eles têm um app

  • 17 de março de 2013|
  • 14h41

Por Redação Link

Brasileiros vão até o SXSW para lançar seu aplicativo que cria socialização em torno de eventos 

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Empreendedorismo é um das palavras mais mencionadas no SXSW, segundo um mapeamento feito no evento. Mas não era preciso uma análise profunda para chegar a essa conclusão – bastava olhar ao redor. Praticamente todos os presentes estavam ali para apresentar seus projetos e buscar inspiração. E foi por isso que três brasileiros escolheram Austin para apresentar sua ideia.

“O FellowMe é uma rede social baseada em entretenimento”, explica André Conejo, um dos responsáveis pelo projeto. “Queríamos criar um espaco virtual que fosse um espelho da realidade”. Ao lado de Fernando Santo André e Guilherme Fregonesi, ele criou um app que quer incentivar a troca de informações em tempo real a respeito de eventos específicos – informações que possam ser aproveitadas na vida prática, como quem está indo e pode oferecer carona, e quem já chegou lá e percebeu que deveria ter levado um casaco.

Criadores do aplicativo FellowMe, apresentado no SXSW 2013FOTO: Arquivo pessoal

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O Fellow Me quer tentar acabar com aquela situação em que você descobre que seu vizinho estava no mesmo show, mas que, por um problema de comunicação, você só descobriu dias depois. “Queremos juntar pessoas que têm um destino comum. Quem está no Fellow Me compartilha os mesmos interesses”, acrescenta Fernando.

Outra função do aplicativo é o botão Boost Me, que serve como aquele último empurrão na hora de sair de casa. Quem ainda estiver indeciso pode clicar e pedir uma carona, um ingresso extra, ou um lugar para ficar depois do evento. No Fellow Me a interação é virtual, mas o objetivo não. “Queremos melhorar a experiência fisica”, explica André.

O app também tem um sistema que segue a linha dos badges oferecidos no Foursquare. Existe uma pontuação específica para quem curte as dicas alheias, para os que compartilham experiências e oferecem ajuda. A somatória destes pontos resulta nos chamados “medallions” – uma recompensa aos que colaboram na interação.

O Fellow Me ainda não chegou ao Brasil. É um dos próximos passos, além do desenvolvimento de uma interface para Android (ele está disponível apenas para iOS). De acordo com os criadores do projeto, o que impede o lançamento do aplicativo em território nacional é a alimentação do banco de dados (nos EUA, ele funciona com um banco de dados gerado pelo portal Eventful, que não existe no Brasil). Só falta ao Fellow Me investimento. “Estamos atrás de investimentos, mas de smart capital, ou seja, pessoas interessadas em colaborar não somente com o dinheiro em si, mas com expertise”, diz Fernando.

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• Uma ideia em cada esquina
As próximas paradas
• Link no papel – 18/3/2013

Uma ideia em cada esquina

  • 17 de março de 2013|
  • 14h40

Por Redação Link

Como o festival South By Southwest transforma a cidade de Austin, no Texas, no epicentro da inovação tecnológica mundial

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Andar por Austin durante o South by Southwest é como trazer a internet para a rua. Para todo lado há cartazes, adesivos, projeções, instalações, iPads. Quando você pensa que já se situou, surge um novo cartaz, que é colado em cima do anterior. Ali não há regras. Considerado um dos principais eventos de tecnologia do mundo, o festival que acontece anualmente no Texas, nos EUA, é conhecido por apresentar o que todo mundo vai usar alguns meses depois.

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Nas ruas. Startups e empreendedores divulgam suas ideias em cartazes e flyers espalhados por toda a cidade. FOTO: Annette Pedersen/Creative Commons. FOTOMONTAGEM: André Graciotti

“O SXSW é uma prévia de quais tecnologias alimentarão o mainstream nos próximos anos”, disse ao Link Hugh Forrest, diretor do Interactive, o braço digital do evento. Criado em 1987 como um festival musical, o SXSW começou a falar de tecnologia sete anos depois, quando o mercado começava a engatinhar. Hoje a parte interativa ultrapassou os números dos shows e desde 2009 se tornou o carro-chefe do festival. Todos os anos há pelo menos 25 mil participantes de mais de 70 países.

“Os números falam por si. Eles refletem a sociedade em que vivemos”, diz Itai Asseo, vice-presidente da Digital Labs, incubadora de tecnologias emergentes. “No SXSW estão reunidos os representantes da próxima geração de líderes do mercado, aqueles que decidirão o que está por vir”, completa.

Além de teorias mirabolantes e projeções futuristas, o SXSW é também um termômetro da cultura pop. Uma pesquisa revelou que, em 2013, uma fabricante de foguetes e naves espaciais dividiu os holofotes e a preferência do público com Grumpy Cat, o gatinho mau-humorado protagonista de um dos memes de 2013.

No SXSW, assim como na internet, há espaço para tudo. “A relevância do conteúdo na internet hoje pode ser comparada a um café parisiense”, explicou ali Jonah Peretti, fundador do BuzzFeed. Para ele, ao mesmo tempo em que as pessoas estão tomando algo e lendo um livro de filosofia seríssimo, podem parar para observar o que acontece ao redor, brincar com um cachorro e dispersar, para depois voltar à leitura “importante”. “Um ser humano normal é atraído por assuntos variados. É uma questão de comportamento”, diz.

Interação. Nesta edição, o grande tema foi a relação do virtual com o físico. Por todo lado havia tecnologias emergentes que possibilitam e ampliam experiências reais e interações físicas. Uma prova disso é o peso de lançamentos que envolvem 3D, interface tátil e realidade aumentada. “É como uma nova camada da realidade, que oferece uma nova visão de espaço em tempo real”, explica Jon Lebkowsky, ícone do ativismo digital. Ele cita a possibilidade de uso deste tipo de tecnologia em protestos físicos, por exemplo.

O SXSW Interactive mostrou que o futuro da tecnologia é mais orgânico, tátil e natural. Redes sociais virtuais passarão a estimular experiências físicas, e as interações humanas (conectadas e mais próximas) voltarão a ser o centro da comunicação.

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SXSW: a bicicleta que twitta

  • 13 de março de 2013|
  • 9h00

Por Redação Link

Projeto de agência cria bicicletas que mandam tweets sobre localização e condições do trajeto

Aline Ridolfi
Especial para o Estado

AUSTIN – Já pensou em andar em uma bicicleta com personalidade própria? E que, ainda por cima, usa o twitter enquanto é pedalada? Pois é justamente esta a proposta do #UseMeLeaveMe, projeto da agência norte-americana Razorfish para o SXSW.

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FOTO: Essa aí é a @TammyTheBike

Durante a parte interativa do evento 20 bicicletas foram espalhadas pela cidade de Austin. Equipadas com um sistema que integra GPS e o Twitter, elas transmitem suas localizações exatas e, ao mesmo tempo, publicam tweets a partir de suas próprias contas especialmente criadas no microblog.

Cada bike tem sua personalidade própria (e nome, como Ken, Penny, Arnie, Tucker e Vivian) e conforme vai sendo pedalada pela cidade, vai twittando informações sobre o trajeto, o tempo, a vida. “Brilhando tão forte… tenho que usar óculos escuros. Ótimo dia pra andar de bike no Lakeshore Blvd”,  postou Ken, a bicicleta.

Para os desavisados, as bicicletas incluídas no projeto ainda carregam um QR code que levam ao site do #UseMeLeaveMe, com explicações e detalhes da ação.

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A nova realidade: telepatia digital

  • 12 de março de 2013|
  • 9h00

Por Redação Link

Painel no SXSW discute a interação entre objetos e pessoas. Para especialistas, uma nova realidade está por vir

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Hoje tudo produz e armazena informação. Smartphones, relógios, tênis. Uma simples lâmpada é capaz de informar seu usuário de seu consumo de luz e ligar e desligar de acordo com a presença de um humano na sala. Mas qual o futuro dessa onda de extrema interação com os objetos? Chegaria a humanidade a um ponto em que seria dominada pelas chamadas “coisas”, como nos filmes de ficção científica?

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Bre Pettis, CEO da MakerBot Industries
Bre Pettis, CEO da MakerBot Industries. FOTO: Divulgação

No painel “Telepatia Digital: Quando tudo se conecta”, no SXSW, pesquisadores e profissionais da área de internet discutiram a agência dos objetos no dia a dia de pessoas comuns, comentaram algumas das tendências do mercado de conectividade e apresentaram suas previsões para um futuro próximo e palpável.

Liderados por Karen Bartleson, presidente do IEEE Standards Association, Joe Weinman (Telx), Oleg Logvinov (STMicroeletronics), Wael Diab (Broadcom), partiram do princípio de que estamos vivendo uma revolução tecnológica que vai transformar a vida de todos — a maior transformação desde a Revolução Industrial. E essa fase de transição será impulsionada e viabilizada graças à internet das coisas, conceito baseado na interação e interligação inteligente de objetos através de redes sem fio e nanotecnologia.

Em um futuro próximo, sociedades inteiras atuarão baseadas na chamada telepatia digital, ou seja, na interligação eficiente entre pessoas e objetos, objetos entre eles e pessoas, claro, entre elas. Por exemplo, em alguns anos, sua geladeira, tecnologicamente adaptada, mandará uma mensagem de texto para o seu carro, lembrando-o de passar no supermercado para comprar leite. Para falar a verdade, a maioria dessas tecnologias já existem e não deve demorar para que cheguem aos mercados de consumo em massa.

Mas, se essas tecnologias já existem, qual seria a novidade? O que muda é que o fator de ignição desta revolução é a capacidade dos objetos atuarem em relação aos seres humanos. Independentemente da ação humana, simples aparelhos eletrodomésticos serão capazes de captar e processar dados, fazer análises de rotinas de uso e comportamento, cruzar essas informações com outras – externas, por exemplo, como a previsão do tempo e, aí sim, interagir “voluntariamente”, de acordo com estas informações. “É um momento de mudança não somente relacionada à conectividade e processamento de dados, mas também em um sentido de aprendizado e compreensão do consumidor”, comentou Oleg Logvinov. “A habilidade de tomar decisões e sugerir experiências é a grande mudança.”

Apesar de aparentemente positivo, este novo parâmetro de interação entre homem e máquina levanta o inevitável questionamento a respeito de segurança e privacidade — como elas ficam a partir do momento em que os objetos têm acesso e processam e armazenam dados íntimos da vida de pessoas comuns? A verdade é que nenhum dos palestrantes soube responder esta pergunta; será preciso experimentar um pouco desta realidade para que se possa ter noção de suas consequências práticas.

Pelo viés da segurança, todos os presentes concordaram que é uma questão de sistemas, códigos, proteções e que isso não representa uma ameaça – é um problema relativamente fácil (ou pelo menos mais palpável) de ser resolvido. Mas o quesito privacidade ainda é um mistério. “É uma questão de escolha. A sociedade vai ter de decidir e achar um meio termo entre privacidade e o que lhe é conveniente”, encerra Karen Battlerson.

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SXSW: app quer estimular ida ao cinema

  • 11 de março de 2013|
  • 17h22

Por Redação Link

Aplicativo transforma filmes em rotina e aumenta frequência de ida ao cinema em 64%

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – “O jeito que Hollywood encontrou para sobreviver à crise cinematográfica foi aumentar os preços dos ingressos dos filmes, ou seja, um modelo nada sustentável que na verdade tem feito o número de pessoas que frequentam o cinema diminuir significativamente”, explicou Stacy Spikes, co-fundador do aplicativo MoviePass, case apresentado durante segunda-feira, 11, no SXSW.

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FOTO: Divulgação

Com os avanços tecnológicos, pirataria, conteúdos sendo legalmente distribuídos na internet, além do aumento nos preços dos ingressos, como estimular que pessoas saiam do conforto de suas casas para assistir um filme que poderia ser facilmente exibido em sua própria sala de estar? É aí que entra o MoviePass, aplicativo desenvolvido por Stacy Spikes, lançado nos Estados Unidos há cerca de quatro meses.

Disponível gratuitamente para Android e iOS, o MoviePass oferece a seus usuários um ingresso de cinema por dia por um valor fixo que varia entre US$ 30 e US$ 35 – de acordo com o estado em que se encontra.

O aplicativo funciona, por enquanto, apenas nos Estados Unidos e não tem previsão de expansão para outros países.

Ao se inscrever no aplicativo o participante recebe um cartão de crédito com o logotipo da marca. Chegando ao cinema de sua escolha, o usuário faz um check-in através da interface digital do MoviePass instalada no aparelho celular. Neste momento, o cartão é temporariamente ativado e o usuário pode então se dirigir a bilheteria para comprar o ingresso através dele.

Sucesso de mercado, o MoviePass aumentou o número de vezes em que seus usuários frequentaram o cinema desde que adquiriram o aplicativo em 64%. Ovacionado pela mídia especializada, ele foi destacado mês passado pelo The New York Times como aplicativo da semana. E de acordo com seu desenvolvedor, o MoviePass é um exemplo de como viabilizar o aumento da presença de espectadores em espaços físicos; é um modelo a ser seguido por outros tipos de artes e performances, como teatro, shows, e musicais.

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SXSW é ‘comunidade hippie para negócios’

  • 11 de março de 2013|
  • 11h14

Por Redação Link

Executivo de marketing digital destaca impressão 3D, mercado latinoamericano e networking no festival em Austin, no Texas

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Quando perguntado se aquela era sua primeira vez no South by Southwest, Luis Spencer Freitas, gerente de marketing digital da Pernod Ricard, empresa responsável pela promoção de marcas como Absolut e Jameson no continente americano, riu. “Eu acho que quem trabalha com o mercado digital sempre acompanha o festival de forma tão intensa que é como estar presente fisicamente. É tanta cobertura feita ao vivo que é quase que a experiência de frequentar o festival em si”, ele brinca, antes de confirmar que sim, é sua primeira vez no evento. Resposável pela estratégia digital nas Américas, ele assiste aos mercados e implementa projetos piloto em escala continental.

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Durante um bate-papo descontraído, o português de Lisboa que hoje vive em Nova York fala sobre as suas escolhas no festival – e aproveitou para profetizar que no dia em que a América Latina consolidar efetivamente sua força digital, não haverá competição.

O que está achando do SXSW?
É muita informação. É um evento com muitas pessoas com um interesse em comum, que realmente são ativas na comunidade digital, extremamente interessadas, concentradas. Tem a oportunidade de ver tudo que conhecemos em teoria sendo aplicado na prática. Ver serviços inovadores, startups, realmente funcionando, é único. É como ver o digital e o físico convergendo de forma prática – quase uma utopia da comunidade digital. É realmente impressionante a dimensão que tudo isso toma quando se vive essa experiência.

FOTO: Aline Ridolfi

O que você fez hoje?
Fui a uma apresentacao que discutia a metodologia comportamental que permite alterar hábitos comportamentais de forma mais sustentável e a partir de pequenos passos (Why tiny habits give big results) – algo que se aplica a estratégias de engajamento com consumidores. Um grande problema de muitas empresas é que elas acabam criando metas muito amplas, de proporções enormes e dessa forma fica difícil cumprí-las. Dar passos menores, porém mais eficazes, é uma forma muito mais sustentável de negócio. Bastam pequenos estímulos para modular o comportamento dos consumidores e assim atingir essas metas. E se associado a esse raciocínio você mantiver os princípios de processamento de dados e gameficação, você tem um ecossistema de interação que é riquíssimo.

E claro, não poderia deixar de ver a palestra de Ping Fu, sobre a impressora 3D (Digital Reality: Life in Two Worlds). Isso foi demais! Não só pela história pessoal de Huang, mas pela questão desta tecnologia vencer obstáculos em vários sentidos, revolucionar o mercado. Ela apresentou uma impressora 3D funcionando, em atividade, e isso é fantástico.

Fantástico em que sentido?
No sentido das mudanças que isso traz para a sociedade, para a indústria, é chocante. Estamos vivendo uma era histórica de mudanças tecnológicas, e é muito bom estar consciente disto. Imagine, crianças estão sempre produzindo desenhos, criando universos abstratos, e essa é uma característica que vamos perdendo ao longo dos anos, vamos “amadurecendo”. A partir do momento em que lhe é permitido materializar o abstrato, muda também a forma de se pensar a respeito do tema. Acredito que daqui um tempo as crianças vão desenvolver um tipo de consciência muito diferente da nossa. Serão pequenos engenheiros orgânicos, tudo muito natural e inserido no dia-a-dia. As lojas físicas vão perder este formato que conhecemos hoje, será possível desenvolver o seu produto em casa, no computador, do jeito que você quer, e depois imprimir. É a maior inovação tecnológica desde a Revolução Industrial.

É praticamente uma porta de entrada para uma nova Revolução Industrial. Como você acha que o mercado vai se adaptar a isso?
Temos os setores primários, secundários e terciários. Pensando nesse sentido, acredito que o primeiro deve se adaptar a tecnologia. O segundo deve praticamente desaparecer – ser incorporado aos outros. Todo mundo, toda a indústria vai ter que se adaptar. É uma mudança muito significativa.

Além dessas palestras, você viu alguma coisa que lhe chamou a atenção desde que chegou?

Eu fui em um painel interessante sobre como formar equipes na América Latina. Era uma coisa muito técnica, muito direcionada a pequenas empresas, startups, mas que toca na questão da especialização em assuntos digitais na América Latina, que é a área com a qual trabalho diretamente. Do meu ponto de vista ainda é muito complicado formar equipes em mercados emergentes, as grandes empresas ainda sentem a necessidade de buscar coaches nos Estados Unidos ou na Europa para fazer treinamentos, coordenar projetos. O Brasil, claro, é muito mais avançado nessa área se comparado aos outros países da região – é um caso a parte. Mas se pensarmos nos países de língua espanhola, ainda é muito difícil, pois cada um está em uma fase diferente de amadurecimento.

O problema é que muitas grandes empresas, multinacionais, ainda se baseiam por modelos norte-americanos e europeus, e buscam aplicá-los diretamente as realidades latinas, e isso não funciona. São ritmos de desenvolvimento diferentes, não faz sentido. Faz muito mais sentido contratar profissionais mais teóricos que possam criar estratégias específicas para a realidade de cada país. Enfim… Acho importante ressaltar o potencial da América Latina em relação à tecnologia. A partir do momento em que os países que a compõe encontrarem uma forma efetiva de trabalharem juntos, como forma de geração e aplicação de conhecimento, mesmo, não há quem os segure. Posso declarar com segurança que vai ser muito difícil competir com um bloco latino-americano.

O que você considera imperdível por aqui?

Eu acho que mais do que as palestras ou fóruns são as pessoas, o networking. Claro que o que está sendo dito no microfone é interessante. Mas muitas vezes, reflexões sobre o assunto, aquela conversa de corredor, aquele tweet, dizem muito mais do que os palestrantes e a programação oficial. Penso que o SXSW é como se fosse um lugar onde tudo é possível, uma grande comunidade hippie voltada para negócios – se isso fosse possível. O espírito do evento é fabuloso. Essa totalidade sobrepõe qualquer palestra e é isso que quero tirar daqui. Você consegue, literalmente, sentir o pulsar do que está por vir. Ano passado as discussões eram todas voltadas para a geolocalização, GPS, e com o passar do ano foi exatamente isso que se viu. Aplicativos baseados em localização, interação através da localização. E esse ano pelo que tenho visto, devemos aguardar evoluções em relação a banco e processamento de dados, gamefication, play e uma nova posição em relação ao digital e o físico. Quase que uma convergência entre os dois, mas sem excluir um ou outro. Um novo conceito.

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• SXSW celebra 20 anos de criatividade digital
• Veja toda a cobertura do SXSW 2013

Novas tecnologias apostam nos cinco sentidos

  • 10 de março de 2013|
  • 14h12

Por Redação Link

No SXSW, pesquisadores defendem tese de que, em alguns anos, experiências físicas voltarão a superar interações digitais

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

AUSTIN – Dizem que a vida é cíclica e que, vira e mexe, voltamos a nos inspirar em tendências passadas. A moda talvez seja o mercado onde este tipo de reflexão se mostre de forma mais clara, mas engana-se quem pensa que este é uma verdade meramente estética. Durante a palestra “Show & Smell 2”, que aconteceu neste sábado no festival South by Southwest (SXSW), em Austin, pesquisadores e marketeiros levantaram essa bandeira defendendo que, tecnologicamente, estamos voltando a valorizar experências primitivas, mais sensoriais.

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Em tempos de hiper-informação e uma gama incontável de inovações tecnológicas é quase como nadar contra a corrente apostar em experiências de tato, audição, paladar e olfato, certo? Errado. Essa nova tendência do mercado artístico e também, claro, do tecnológico aponta que a nova moda agora é investir em sensações, experiências individuais.

Em uma palestra divertida, cheia de exemplos práticos e, para ser sincera, pouco embasamento teórico (essa parte ficou para outra discussão), Warren Kronberg, David Polinchock e Kurt Karlenzig, integrantes da agência norte-americana The Marketing Store, apresentaram ao público algumas novidades tecnológicas que ilustram bem esse novo direcionamento do mercado.

Mas melhor que descrever aqui em detalhes, é ver e ouvir essas invenções sendo botadas em prática. Abaixo seguem alguns dos exemplos utilizados pelos palestrantes para ilustrar este ponto de vista:

A caneta 3D 3Doodler tem dado o que falar. Imagine, você, desenhar algo em um papel e trazê-lo para realidade de forma tão simples?

Abaixo, este mini projetor de fotos do Instagram faz da experiência digital algo muito mais palpável.

Esta tela plana gera uma interface tátil que evolui a experiência do touch screen e facilita a digitação.

Os palestrantes também exploraram bastante o olfato dos participantes. Mostraram um projeto em que criaram um aroma específico para a rede de fast food Pizza Hut, além de comentar que esta coisa de cheiro está muito ligada ao emocional e é capaz de te transportar a um lugar ou a uma memória específica em instantes. O cheiro é uma das grandes formas de se representar um lugar, e normalmente até mesmo cidades são identificadas através dele.

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Leia mais sobre o SXSW:
SXSW celebra 20 anos de criatividade digital
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Veja toda a cobertura do SXSW 2013 

SXSW celebra 20 anos de criatividade digital

  • 8 de março de 2013|
  • 15h41

Por Redação Link

Evento começa hoje com expectativa de superar os quase 150 mil participantes do ano anterior

Aline Ridolfi
Especial para o ESTADO

NOVA YORK – Começa hoje, em Austin, mais uma edição do South by Southwest (SXSW), festival anual de música original, cinema independente e tecnologias emergentes, que acontece no Texas entre os dias 8 e 17 de março.

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Festa de abertura da  seção tecnológica do South By Southwest. FOTO: Divulgação

Considerado referência entre feiras e conferências internacionais, o SXSW é um dos eventos mais aguardados do ano. Em 2012, durante os nove dias de conferência e de festival de cinema, seis noites de festival de música (com mais de 2.200 artistas e 100 palcos espalhados pela cidade), e quatro dias de feira e de exposições de equipamentos musicais, recebeu aproximadamente 147 mil participantes.

Anualmente, o SXSW engloba, além de mais de dois mil showcases de música e cerca de 400 apresentações cinematográficas (entre longas e curta metragens), dezenas de centenas de palestras, fóruns, startups e apresentações que, ano após ano, suportam e promovem a criação de conteúdo criativo e original. Como costumam dizer em suas declarações oficiais, o SXSW é um dos “principais destinos [do mundo] para descobertas”.

E é justamente este caráter inovador que põe o festival em lugar de destaque. Uma das divisões mais aguardadas do SXSW é, sem dúvida, a parte dedicada a tecnologia. O Interactive Festival, braço geek do evento, reúne desde sua criação, 20 anos atrás, o que há de mais recente e inovador no mundo digital e interativo. É considerado por muitos de seus frequentadores um incubador de tendências e criatividade digital.

São tantas opções oferecidas que o próprio festival interativo opera com divisões próprias. Tem seu conteúdo oferecido aos participantes não só através da conferência, mas também pelo SXSW Interactive Awards – onde são premiadas os trabalhos digitais mais influentes do ano, o SXSW Startup Village – que reúne startups, empreendedores, investidores e lançadores de tendências. Além disso, o Interactive Festival ainda conta com uma exposição de games e o chamado Trade Show, uma feira que celebra a relação entre o consumidor e os criadores de mídia presentes.

Em 2013 o evento espera bater o recorde de participantes do ano anterior e conta com uma programação interminável, que vai de discussões sobre novas tecnologias e suas aplicações em mídias emergentes a conversas sobre o programa espacial norte-americano; de paineis que explicam as variações da narrativa de Star Wars, a análises da presença de gatos na internet, para atingir essa meta. Pode parecer piada, mas por trás de painéis aparentemente malucos estão estratégias de criatividade ímpar, prontas para serem aplicadas em maior escala e ganharem o mundo.

*Acompanhe a cobertura de Aline Ridolfi do South By Southwest para o ‘Link’ nos próximos dias.

SXSW e a nova ordem

  • 18 de março de 2012|
  • 17h55

Por Redação Link

No festival, em Austin, no Texas, fica claro que o mundo mudou, que trabalho e política funcionam de outro jeito e que offline e online já não têm separação

Por Dudu Fraga*
Especial para o Estado

AUSTIN – A parte Interactive do festival South by Southwest (SXSW), que ocorre todo ano em Austin, é um dos maiores eventos de cultura digital do mundo. São 21 mil participantes e mais de 900 palestras em cinco dias de evento, que terminou na terça-feira. É muita coisa. E há espaço para tudo, do lançamento de aplicativos, como a versão para Android do Instagram e o Highlight (aposta de app social do ano), ao debate sobre a imortalidade da vida digital.

A cada ano o SXSW fica maior, com mais palestras e temas. Neste ano, por exemplo, teve espaço só para debates sobre games e outro para discutir a relação entre esporte e tecnologia. Mas o que mais chama a atenção são as discussões macro sobre internet e tecnologia, são elas que realmente fazem do SXSW um evento de cultura digital.

O SXSW de 2012 questionou alguns dos principais pilares da sociedade: dinheiro, trabalho e política. O aviso foi claro. Não é que o mundo está mudando. Ele já mudou. E é preciso rever e discutir várias questões legais, éticas e morais.

Sem volta. Novas ferramentas de financiamento, de pagamento digital e de pagamento via celular retiram os intermediários, dão poder ao usuário e permitem que qualquer pessoa compre ou venda praticamente qualquer coisa na internet de forma simples e sem burocracia.

Todas essas ferramentas já existem – moedas virtuais (em 2011 o Facebook movimentou US$ 577 mil em moeda virtual), e-wallets (caso do ISIS , aplicativo de celular lançado no SXSW que substitui todos seus cartões de crédito), verdadeiros mercados (Mercado Livre, Apple Store) e PayPal – que acabou de lançar o Tabbedout, app para pagar a conta do bar usando o sistema de pagamento digital.

O trabalho formal, o trabalho como obrigação, como algo a ser simplesmente de execução ficou ultrapassado. Existe uma nova economia. Um novo trabalho ligado a uma economia criativa, a economia do freelancer, da informação que transforma trabalho em estilo de vida.

É um caminho sem volta, uma vez que as tarefas braçais estão sendo automatizadas e feitas de forma mais rápida. O trabalho precisa evoluir. Precisa ser mais líquido, mais flexível e mais associado à informação que a pessoa pode dar e não à tarefa que pode executar. Quais empregos estamos criando para este novo trabalho? Como os governos estão se preparando para essa nova economia?

Por falar em governos, também há uma nova forma de fazer política. Uma nova maneira de protestar, mais fácil, mais rápida e mais global.

Não acredita? Então assista ao documentário We are Legion: the Story of Hactivists (Somos legião: a história de hackativistas) lançado no festival.

Nesta nova forma de fazer política também está a cultura da transparência trazida pela cultura digital. Os dados podem ser lidos, avaliados e acessados por todos. O maior símbolo disso é o WikiLeaks, que também foi tema de documentário lançamento no festival, o WikiLeaks: Secrets & Lies. Houve um espaço exclusivo do SXSW para discutir como a tecnologia está mudando a relação de governos e cidadãos.

O que fica dos quatro dias de festival é a conclusão de que muitos estão acompanhando as mudanças que a cultura digital está trazendo às nossas vidas, mas poucos já entenderam que cada vez menos existe separação entre digital e real, entre online e offline. Poucos entenderam essas mudanças afetam a forma básica como entendemos a sociedade, não somente a forma como entendemos o mundo digital.

No ano que vem. Por isso, o meu desejo para o próximo SXSW é que não venham só as pessoas encarregadas da parte digital de suas empresas ou pessoas totalmente familiarizadas com os movimentos da internet, mas pessoas quem têm grande poder de influência e de decisão dentro de suas empresas, organizações, governos, mas que ainda permanecem distantes de todos estes grandes acontecimentos.

Promessas
15 startups disputaram uma seleção para escolher as três mais legais:

Distil.it: Sistema de segurança que aprende e, assim, bloqueia ataques
Gmw-now.com: Rede social para escolher a melhor forma de transporte
Reciteme.com: Serviço para transformar sites para pessoas com problemas de leitura como dislexia

* É sócio e CEO da agência de pesquisa Talk Inc. 

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