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Sábado livre: Brasil, Nunca Mais

  • 11 de junho de 2011|
  • 7h00

Por Tatiana de Mello Dias

▪▪▪ Projeto pretende digitalizar arquivo de processos da ditadura militar organizado por Dom Paulo Evaristo e pelo pastor Jaime Wright entre 1979 e 1985

SÃO PAULO – Quando Dom Paulo Evaristo Arns e o pastor Jaime Wright e sua equipe vasculharam os arquivos do Tribunal Superior Militar clandestinamente e começaram o que seria um relatório de sete mil páginas, eles tinham um objetivo claro: documentar todos os horrores da ditadura militar para que aquilo nunca mais voltasse a se repetir na história do País. Surgia, ali, o “Brasil: Nunca Mais”, relatório que organiza 707 processos (totalizando um milhão de páginas) do Tribunal Superior Militar, e reúne documentos com todos tipos de abusos que aconteceram nos porões da ditadura militar.

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O trabalho de pesquisa durou de 1979 a 1985 e virou livro. Mas o relatório original tem apenas 25 cópias impressas, que estavam guardadas na Unicamp e na Universidade de Chicago. Embora o Ministério Público tivesse determinado que o arquivo fosse público, a documentação continuava restrita ao ambiente acadêmico. Mas agora isso deve mudar. Na próxima terça-feira, 14, será lançado em São Paulo o projeto “Brasil: Nunca mais – Digital”, que digitalizará todas as páginas do processo e o índice feito por Arns e Wright para facilitar a pesquisa entre a documentação.

Para Marcelo Zelic, vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de SP e coordenador do Projeto Armazém Memória, que mantém cópias digitalizadas dos documentos na internet, era para isso que Arns e Wright trabalharam anos na clandestinidade: para dar à população o acesso àquelas informações. Ainda há um ano de trabalho pela frente, e ao final do processo as milhares de páginas devem estar digitalizadas e disponíveis em domínio público na rede. Zelic falou ao Link sobre o projeto:

Reprodução do arquivo original do “Brasil: nunca mais”. FOTOS: DIVULGAÇÃO/ARMAZÉM DA MEMÓRIA
O processo de digitalização deve demorar um ano.
Os arquivos em papel.

Quando começou a digitalização da documentação?
Eu criei o site Armazém Memória em 2001. Uma das preocupações sempre foi digitalizar a íntegra dessa documentação, por ser tão importante para os direitos humanos no Brasil. Ao longo do tempo disponibilizamos parte desse acervo na internet. Desde 2005 o usuário já podia acessar o relatório “Brasil: Nunca Mais”, com 7 mil cópias. Antes só haviam 25 cópias impressas. E isso serviu para processos de reparação, e para que houvesse estudos sobre a responsabilidade dos torturadores por parte do Ministério Público. O Armazém Memória entra nesse esforço para colocar na internet. No começo de 2010 percebemos que faltavam páginas de alguns processos em papel, por exemplo.

Qual documentação será digitalizada?
Nesse período fomos pesquisar onde estava o material de segurança, que foi realizado por algumas pessoas que analisaram um milhão de páginas que estavam no Tribunal Superior Militar. É o projeto “Brasil: Nunca Mais”. Ele foi desenvolvido de forma clandestina. Há o relatório, que já está na internet, o livro e um documento anexo, com o xerox que está na Unicamp. Vamos usar os microfilmes que estavam guardados no projeto na Universidade de Chicago, e existia uma única cópia. Ao longo do processo também foram colecionando tudo o que saía sobre o projeto na imprensa nacional e estrangeira. Esse acervo será armazenado, e também o material de correspondência entre Arns e os outros pesquisadores.

Esse material está em domínio público?
Nós articulamos parceria com o Ministério Público Federal, e a proposta de repatriação foi aprovada. O que temos em discussão nesses 25 anos é que esse material sempre foi acessado na Unicamp. Nesse caso, as cópias dos documentos no Tribunal Superior Militar. Isso sempre foi público na Unicamp e em Chicago. Esse foi o entendimento dos procuradores. Não havia impedimento para que houvesse divulgação no meio tecnológico de hoje. O acesso nunca foi proibido, e foi doado com o expresso compromisso de que essa documentação fosse pública. Estamos discutindo só a conversão desse material.

Como será o processo daqui para frente?
Os microfilmes estão sendo encaminhados ao Ministério Público. O arquivo público será responsável pela digitalização dos microfilmes. Nós teremos uma equipe para verificar as páginas, se há algo faltando ou página ilegível. Se sim, acionaremos o Arquivo Nacional e o MP que vai buscar a cópia original no Tribunal Superior Militar.

Qual é a extensão desse material?
São 707 processos, totalizando um milhão de páginas. E apenas quatro pessoas. Organizaremos mutirões. A ideia é que em um ano esse material esteja disponível em um site em formato PDF. Todo o material terá links, e o relatório “Brasil: Nunca Mais” é o índice. Você pesquisa nele e encontra links direto para as páginas do processo. Quando o relatório cita lista de torturadores ou denúncias, você poderá clicar no link e abrir o PDF da denúncia na íntegra. No fundo, o que a gente consegue com esse trabalho que se está realizando é se aproximar mais dos objetivos que foram propostos quando a equipe fez esse trabalho de forma clandestina.

É uma proposta pedagógica: conhecer o passado para construir relações sociais e melhorar as instituições para que isso nunca mais aconteça. E isso só pode acontecer se houver acesso à informação. É um salto de qualidade em 25 anos. O material deixa de ser usado apenas no âmbito da universidade, e passa a ser acessível a qualquer um. A nossa proposta é que isso gere processos de apropriação de conteúdo em salas de aula, por exemplo.

O projeto “Brasil: Nunca Mais – Digital” será lançado oficialmente na terça-feira, 14, às 14h30, na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR-3), em São Paulo (SP).

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Sábado livre: bolachas quase esquecidas

  • 7 de maio de 2011|
  • 10h30

Por Tatiana de Mello Dias

Difícil encontrar algum pesquisador de música brasileira que não tenha esbarrado, ou pelo menos ouvido falar, do Br Nuggets. O blog joga na web desde 2006 raridades da música brasileira – o foco é a psicodelia, mas passam por lá todos tipos de experimentações e obscuridades já produzidos no País.

O blog começou focado no universo musical dos anos 60 e 70, mas bandas atuais inspirados pela temática da época começaram a procurar o criador, Fábio Peraçoli, para divulgar sons ali. Nesses cinco anos, não é exagero dizer que o blog é a principal fonte de pesquisa musical dessa área no País.

Há cerca de 160 discos postados, e os links são atualizados com frequência para não expirarem. Cada disco postado tem, em média, de mil a 6,5 mil downloads – o que é um número bastante grande, se levarmos em consideração que muito do que foi postado ali estaria condenado à poeira e ao esquecimento.

Paêbiru, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, um clássico da psicodelia brasileira postado por Peraçoli em 2006

Em entrevista ao Link, Peraçoli fala mais sobre o Br Nuggets:

Por que você começou o blog?
O blog começou em março de 2006. Uns três anos antes, quando comecei a me interessar por psicodelismo brasileiro, senti uma grande dificuldade em achar informações e discos do estilo. A partir do momento que consegui reunir um número considerável de discos, decidi criar o blog para compartilhar este conhecimento com os outros admiradores do psicodelismo brasileiro.

Quais são as suas inspirações e os seus caminhos para descobrir os sons postados ali?
Minha ideia é postar discos representativos, raros ou de importância histórica para o psicodelismo e achar esse material é fruto de muita pesquisa. Consulto sites especializados, outros blogs e troco informações com outros fãs do estilo, na própria internet. A maior parte dos discos eu encontro na web – seja utilizando programas de compartilhamento de arquivos ou fazendo download de outros blogs. Existem muitos que são lançados em cd, via selos independentes da Europa e dos EUA, que eu compro. Alguns eu tenho em vinil e converto para mp3.

Como os artistas novos vêem o seu trabalho?
Sei que o Br Nuggets é acessado frequentemente por integrantes de bandas que fazem um som de inspiração psicodélica e usam o blog como fonte de referência. Além disso, muitas bandas novas me mandam material, a fim de que seja divulgado no blog. O objetivo inicial do blog era focar nos anos 60 e 70, mas com o interesse crescente de bandas atuais, acabei abrindo um espaço para um pessoal mais novo, que também faz um som de qualidade.


Alguma banda já ficou especialmente feliz por ter sido ‘redescoberta’ através do BrNuggets?

Certa vez, postei um disco do cantor Fábio (meu xará), de 1972. O disco teve mais de dois mil downloads e ele me mandou um e-mail super-contente e agradecido por eu ter resgatado esse trabalho já esquecido. Como eu também não tinha muita informação a respeito da carreira dele, o convidei para escrever um texto sobre a sua trajetória, que postei no blog. Casos de filhos de integrantes de bandas que coloco no blog, que acham o trabalho dos pais, são frequentes. Um desses casos aconteceu com a coletânea de compactos dos Beatniks, de 1968. A filha de um dos integrantes da banda achou o blog e me mandou um comentário dizendo que estava muito feliz em ver ali o trabalho do pai dela, que já havia falecido.


Os blogs são um canal importante de divulgação para quem estava, de certa forma, esquecido?

Com certeza! Existe uma massificação do que é veiculado na mídia convencional. Somente por meio dos canais alternativos, como blogs e rádios virtuais, as pessoas têm acesso a estilos musicais mais específicos e antigos, que podem ter caído no esquecimento. A internet possibilita que pessoas que gostam de um mesmo estilo musical, por mais específico que seja, se “encontrem” e troquem informações, sem a necessidade de estarem geograficamente próximos.


Como você encontra informações sobre as bandas?

As informações são pesquisadas na internet – em sites especializados em música, páginas de artistas ou trocando informações com outros admiradores do psicodelismo ou até mesmo com os próprios artistas.

Você já teve problemas com infração de copyright?
Nenhum problema sério, principalmente porque posto apenas discos que não se encontram em catálogo no território nacional. Mas já tive discos que foram retirados do servidor, provavelmente por denúncia.


Você chega a se proteger contra notificações do tipo?

Não existe nada que se possa fazer para que isso não aconteça. Mas também acho que não é o caso do Br Nuggets, já que nunca tive nenhuma reclamação sobre os discos postados – pelo contrário – muitas vezes, recebo e-mails ou comentários de detentores dos direitos de determinados discos me parabenizando pelo blog e agradecendo a visibilidade dada ao trabalho do artista.

Sábado Livre: não rouba navio

  • 30 de abril de 2011|
  • 7h00

Por Murilo Roncolato

Diego Albuquerque costumava frequentar todos os festivais de hardcore em Recife. Além de conferir shows de bandas que ele nunca havia ouvido falar, lá ele torrava todo o dinheiro guardado para gastar em CDs também de… bandas que ele nunca havia ouvido falar.

Fanático pelo formato CD e explorador nato de música nacional, Diego decidiu compartilhar todo seu acervo pela web. Na internet, o caminho foi a rede social Orkut, a mais popular no Brasil. O biólogo começou a divulgar links para download dos tais CDs. A prática foi aprovada pelos habitantes da rede. A coisa cresceu e a partir dali, surgiu a ideia de criar um blog para compartilhar todo aquele precioso conteúdo. Nascia ali, em meados de 2009, o Hominis Canidae.

O berço foi o Blogspot, plataforma de blogs do Google, mas como, além de bandas livres das gravadoras, Diego e seus colaboradores também publicavam conteúdo “mainstream”, ou seja, de músicos mais conhecidos do grande mercado (como Tom Jobim), o blog se tornou alvo e logo o Google o tirou do ar. Em uma nota, o Google listou 50 links “irregulares” e sem dar prazo para a devida adequação, o Hominis Canidae deixou de existir. Mas não por muito tempo.

O dono da criatura havia feito um backup e com ele ressuscitou o Hominis sob o domínio “.org” e passou a publicar apenas conteúdo independente. Leia abaixo a entrevista com o “homem cachorro”:

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Como é essa relação com bandas independentes?
Eu sempre tive muitos CDs de bandas independentes de todos os Estados do Brasil. Por ser amigo de pessoas que organizam festivais independentes aqui em Recife, eu sempre ia e lá tinha bancas dos selos que vendiam todo o acervo delas. A gente comprava muito CD e de bandas muito diferentes.

Quantos trabalham no blog?
Postando com alguma frequência são quatro pessoas acho. Tem o Paulo Marcondes, jornalista de São Paulo, um cara de Cabo Frio, eu, um amigo de João Pessoa — esse gosta de metal, uns troços barulhentos, que é bom para diversificar.

Acima à esquerda, o CD “Hominis Canidae” (2009) do Eu serei a hiena. Na ordem: Albertinho dos Reys (2011); Foxy Trio (2010); álbum do festival A Noite do Desbunde Elétrico (2011); Volver (2008); Mukeka di Rato (2011); Ricardo Chacon (2010) e Criolo (2011). FOTOS: DIVULGAÇÃO

De onde vem o nome do blog?
Hominis Canidae é homem-cachorro, hiena e por aí vai. Na verdade, ele é o novo de um álbum da banda paulista “Eu serei a hiena”, que eu gosto muito. Aí o nome antes era só isso: o nome de álbum e que não tinha nenhum blog com esse nome, mas acabamos criando uma simbologia para ele. Um dia um cara me mandou um e-mail dizendo: “Legal essa ideia do Hominis Canidae, se você deixar algo cair a hiena vai lá e pega. É como se vocês dessem um aviso: se der vacilo, tua música vai cair na internet, hein”. Aí a gente comprou a ideia.

Por que “.org”?
Hoje ele é “.org”, porque é mais tranquilo, menos burocrático, e também porque a gente está organizado (risos), mas é um lance de não ter fins lucrativos mesmo. Se disser que o blog é pirata, não é não, não é pirata porque a gente não rouba navio (risos). Mas hoje rola uma coisa de as próprias bandas mandarem seus trabalhos para a gente, até banda gringa. Vem umas coisas bem lado B mesmo, tipo um projeto russo que nos mandou coisas deles. Criamos um Hominis Canidae só para som internacional por causa disso, é o “Hominis Canidae Alt“. Lá é só coisa obscura, às vezes rola coisa mainstream, aí eu ameaço os caras que mexem mais com o blog lá: “cara, tu vai derrubar o blog!”. Mas até agora não rolou nada.

Como é feita a seleção do que entra no blog? Tem critério?
Tem e não tem. Eu gosto de algumas coisas e os caras gostam de outras. O único princípio talvez é criar um depósito de bandas nacionais. Entra de tudo: samba, punk, metal, ska, reggae, rap. Eu já escutei coisa que eu não gostei, mas pensei “e se alguém gosta?”. Não vai rolar Restart ou coisa parecida até porque eu acho que as pessoas que leem o blog não gostam. Ou pelo menos eu espero que seja assim. Mas não existe curadoria.

O blog já rendeu algum dinheiro?
O lance é democratizar a música. Isso para mim é lucrativo. A ideia nunca foi lucrar, tanto que a gente não usa AdSense porque polui e, por fim, não é o objetivo do blog. Já rolou um site de compra coletiva pedindo pra gente tuitar por eles e aí rolaria uma grana por mês — isso surgiu porque a gente tem bastante seguidores no Twitter (1.969). Agora, o blog gera outras coisas, como, por exemplo, para o Paulo que criou o AltNewsPaper que é um site de resenhas, entrevistas e matérias que ele faz sobre o assunto e a gente sempre linka para o Hominis Canidae. É bom para ele aparecer.

As capas das coletâneas feitas pelo blog com músicas selecionadas dos artistas do blog. FOTOS: DIVULGAÇÃO

O blog ainda é hobby então?
Eu sou biólogo, faço doutorado, mas sempre cobri show e evento, etc. Eu trato completamente hobby. Muita gente me força pra fazer disso o meu trabalho, mas não sei. Uma coisa que queria fazer é um festival só instrumental em Recife e está aparecendo isso por causa do blog. A gente tem ideia de no aniversário do blog fazer festas aqui, em São Paulo e Rio de Janeiro na mesma hora, só com bandas do blog. Mas eu não sou empreendedor, eu só me divirto.

A internet é passagem obrigatória para novos artistas?
É o caminho mais fácil. O CD está mais barato de ser produzido hoje em dia, até dá pra tirar um retorno do CD. Ele não pode morrer ainda. Uma banda, Violins de Goiás, que tem sete discos, tem 10 anos de banda e lançaram CD gratuito no site deles ontem e colocaram a opção de pagar pelo CD a uma qualidade maior e com faixa extra. É uma banda que está tentando tirar algo desse meio. Mas ainda é um lance de quem quer ajudar a banda. No início do ano eu vazei um CD do “Burro Morto”, uma banda instrumental da Paraíba, no dia 1º de janeiro para ser simbólico e deu muito certo, foi a banda independente mais falada do mês e os caras deram entrevistas para um monte de veículo. E foram eles que deixaram o disco na minha mão, propositalmente.

Há uma seção de venda de discos…
A gente fez essa aba pra linkar selos nacionais com bandas independentes. Porque está difícil de achar discos de bandas alternativas. Nos festivais, onde rolava comprar de todos os selos, hoje tem muito pouca coisa. Mas ainda é rentável fazer CD hoje. Se o preço for justo as pessoas vão comprar.

Considera o blog famoso?
Fama é um troço tão relativo. Eu acho que no meio alternativo talvez seja. No Abril Pro Rock tinha nego que vinha falar comigo dizendo que meu blog é um oásis, etc. A gente tem quase dois mil seguidores no Twitter, isso é ser popular? Não sei. Mas também o objetivo não é ser famoso. O que é legal e que está rolando com o blog é em relação às artes das coletâneas.

De onde surgiu a ideia?
Todo mês rola uma coletânea com algumas faixas de discos de banda que entraram no blog. Então é bom pra o cara conhecer mais coisas e ir atrás das bandas em seguida. Porque o blog divulga muita banda, é algo frenético. E a gente precisava de capas para esses CDs que a gente montava. E aí, a gente pediu e começou a aparecer um bocado de gente mandando a arte deles para a gente estampar nas coletâneas. Tenho recebido uma pancada de e-mail de uma galera que faz o desenho e manda. Teve até uma banda que viu a arte de uma das coletâneas e pediu a indicação do cara que tinha feito. Bacana isso. Mas o mais importante é que tudo no blog é alternativo e independente. E a gente está conseguindo misturar as artes.

Como é a relação com os leitores?
A gente tem uma média de 650 acessos por dia, depende do mês. Férias vai pra um mil. Aí usamos o e-mail, Twitter, Facebook e Orkut para falar diretamente com as pessoas. Eles mandam sugestões, pedem discos, agradecem, perguntam como achar tal disco para comprar, etc.

Considerações finais?
Continue fazendo a roda girar. Eu acho positivo um disco vazar e ver a banda tocar e todo mundo saber as letras, cantando junto. Acho que a gente, a internet, não é mais o patinho feio, as bandas procuram a gente. É um caminho massa. Lógico que ainda tem gente que pensa diferente, tipo a nova ministra da Cultura. Mas acho que para essa galera não tem muita alternativa.

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Leia mais:

Sábado livre 18/02/2011: uma viagem aos anos 70
Sábado livre 11/02/2011:  os sons do Metrô
Todos os posts da seção Sábado Livre

Sábado livre: lindo, mas não é pornografia

  • 16 de abril de 2011|
  • 7h00

Por Tatiana de Mello Dias

Steve Jobs e Bill Gates

“This is Not Porn”. O nome instiga, mas deixa claro: aquilo pode ser bonito, mas não há nada de vulgar. O sueco Patrik Karlsson vasculha a internet atrás de fotos raras de celebridades. Seu blog estampou Marilyn Monroe em pose de yoga, um inusitado encontro de Alice Cooper e Salvador Dalí e o encontro de dois jovens nerds que dominariam o mundo da tecnologia: Steve Jobs e Bill Gates.

Hoje o This is Not Porn tem mais de 300 imagens já postadas. Karlsson tem mais de 300 outras — em uma lista que não para de crescer — esperando para serem publicadas. Karlsson quis deixar claro que não tem o copyright de nenhuma daquelas imagens – só quer compartilhar com o mundo o que chama de “imagens bonitas”.

Peter Tosh e Keith Richards. Clique nas imagens para ampliá-las
Marilyn Monroe
Hunter Thompson, John Cusack e Johnny Depp
Alice Cooper e Salvador Dalí

Ele está terminando o mestrado em Tecnologia de Mídia, Karlsson e procura um emprego enquanto trabalha com seus projetos na internet. “Eu amo a web e é isso com que eu quero trabalhar. Então se há alguém por aí com um trabalho na área, me mande um e-mail”, avisa.

Em entrevista ao Link, o sueco explica seu projeto mais famoso:

Por que você criou o blog?

Eu fiquei cansado de tudo que, como a mídia diz, são fotos “chocantes” tiradas por paparazzi de celebridades, e também de ver tudo Photoshopado ao máximo. Onde está o estilo, a classe, o coração e a alma? Eu sou um pouco nostálgico e essas fotos me fazem feliz, me emocionam e me inspiram. Foi por isso que comecei a colecioná-las e quis compartilhá-las com os outros.

E o nome? Você pode explicar?
Eu comprei o domínio com a intenção de postar fotos que eu achava muito sexy, mas que não eram pornográficas, não tinham nudez nem nada desse tipo. Então foi por isso que eu postei no começo. Mas então eu tropecei em algumas fotos de celebridades que achei fascinantes e bonitas, e pensei que poderia ser muito mais divertido dedicar o blog às fotos raras de celebridades. Eu ainda acho que essas fotos são meio sexy, e elas definitivamente não são pornografia, então o nome ainda funciona. A única coisa ruim sobre o nome é que alguns firewalls bloqueiam meu site pensando que é pornografia, mesmo com a URL deixando claro que não é.

Como você consegue as fotos?
A internet é enorme e você consegue achar qualquer coisa nela. É tudo o que eu posso dizer. Eu também consigo fotos enviadas pelos meus leitores, pelos quais eu sou muito agradecido.

Quantas fotos você tem?
Há 343 fotos postadas no site até agora, e eu tenho entre 300 e 400 numa pasta que ainda não foi postada e que cresce à cada semana.

Você já teve algum problema com os detentores de direitos autorais?
Não. Como eu mostro no site, eu não estou tentando roubar os créditos pelas fotos. Eu apenas achei elas muito bonitas e quis compartilhá-las com mais pessoas. Se alguém quiser que algo seja removido, eu removerei. Sem problemas. Eu tento dar o crédito ao fotógrafo na maioria dos casos. Se alguém conhecer o fotógrafo por trás de qualquer foto, por favor, me mande um e-mail que eu posso adicionar o crédtio.

Algum artista ou fotógrafo já entrou em contato direto com você?
Não. A maioria dos e-mails que eu recebo são de pessoas que querem compartilhar as fotos.

Quais são seus blogs favoritos?
São muitos. Mas os que eu mais gosto são o A Conversation On Cool e o The Selvedge Yard (dois blogs que reúnem fotos e relatos do passado).

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Leia mais:
Sábado Livre 02/04: Quem ouve?
Todos os posts do ‘sábado livre’

Sábado Livre: quem ouve?

  • 2 de abril de 2011|
  • 7h00

Por Tatiana de Mello Dias

São quase cinco anos de atividade. Mais de dez mil visitantes ao mês — no mês passado a marca foi de 45 mil. E um incontável número de discos disponibilizados para download. O blog Eu Ovo é um dos maiores repositórios de música — ou melhor, de links para a música — da internet brasileira.

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Sim, a atividade é ilegal — os discos são postados muitas vezes sem a autorização dos autores. Sim, há infração de copyright. E, sim, o blog tá teve problemas por isso. Mas a atividade continua, sem medo de retaliação judicial — e como um importante veículo para divulgar música.

Hoje o blog funciona como uma publicação sobre música, divulgando novos artistas — por pedido deles próprios — e cobrindo a cena musical no País.

Conversamos com Bruno Costa, criador do blog:

Quando você começou o blog?
Em 2006. Eu resolvi fazer o blog porque comecei a baixar os discos dessa forma. Uma hora eu parei de usar o Soulseek para baixar os discos (antes eu usava o Kaaza, Audiogalaxy e Napster) para baixar pelos links diretos em servidores como Rapidshare e Megaupload. Foi daí que eu tive a idéia de criar um blog para postar algumas pérolas da minha discografia pessoal. Eu sempre tive mania de baixar as discografias — isso desde o Soulseek. Por isso quando procuro um artista, eu baixo a discografia toda, seja por torrent ou um link de cada vez…

Como são selecionados os sons postados?
Eu escolho os disco para postar de uma forma meio aleatória. As vezes eu posto um recém lançamento. Às vezes busco uma coisa mais obscura. Também depende do período. Às vezes eu também aproveito algum assunto na mídia. Por exemplo, na Copa do Mundo da África, eu passei um mês postando música do continente. Às vezes aproveito o lançamento de um clipe ou uma estratégia inusitada da banda ou artista na internet. E também há os artistas que procuram o blog para que o disco seja postado, mas eu não costumo postar apenas uma música. Geralmente só discos lançados. Costumo escolher o que vou postar na sexta-feira, ou sábado – e atualmente faço apenas um postagem por semana, aos domingos.

Você já teve problemas por infração de copyright?
Sim, mas nada muito grave. Postei uma vez o disco do Beirut e a postagem desapareceu. Não sei como a gravadora ou a banda fizeram isso, porque geralmente são links expirados. E também tem a cartinha das Associações Anti-Pirataria. Mas eu não considero isso pirataria. Isso é acessibilidade. É como seu eu gravasse uma fita cassete para presentear os amigos… mas tem gente que não vê dessa forma.

Como você se protege de ter o blog suspenso?
Eu não me protejo de forma nenhuma. Tem um termo de responsabilidade na lateral do blog, mas esse termo não serve pra nada – inclusive já recebi um e-mail de um advogado dizendo que não adiantava nada ter esse termo no blog. Mas eu deixo ali somente pra constar. Eu também faço questão de não usar nenhum artifício de propaganda — como banner — ou aqueles contadores de links que geram alguns centavos por clique, exatamente para não configurar lucro nessa atividade.

Os blogs são um canal importante de divulgação para quem está começando?
Eu acho que sim. A internet aproximou o fulano que mora no interior paulista, mineiro, gaucho etc, e que não tinha chance de conhecer novos sons. Eu me lembro de quando não tinha nem MTV. Eu tinha que gravar em VHS os clipes das bandas que eu gostava. Aqui em Brasília tinha uma loja que gravava os clipes e show em fitas VHS. Hoje tem tanta coisa, que as gravadoras perderam esse perfil de garimpadores de bons sons. Hoje em dia o público faz isso por conta própria. Qualquer um pode fazer sucesso na internet de uma hora pra outra…

No caso dos artistas novos: de quem parte a ideia de colocar os discos para download lá? Eles entram em contato ou você pede autorização a eles?
Nenhum artista que eu perguntei o que achava sobre os downloads na internet se opôs a isso. A questão é a seguinte: o artista tem que escolher entre apenas vender o álbum e ser pouco ouvido, ou liberar o disco de graça e ser bastante escutado. O Fabio Trummer, do Eddie, por exemplo, diz que disco baixado é disco vendido. Ele tem razão. Porque você baixa o disco, depois vai no show e compra o CD na mão do artista. As vezes compra mais de um exemplar, um pra dar de presente. Já postei disco do Carlos Careqa, do Maurício Pereira, Karina Buhr, da banda Cabruêra, entre tantos outros e todos eles autorizaram a divulgação. Na maioria das vezes eu entro em contato. Mas também tem bandas que entram em contato para que eu poste o disco no blog. Na maioria das vezes eu coloco, as vezes não dá.

Quantos discos há no blog?
Já perdi a conta, até porque há algumas postagens com a discografia inteira de um artista. Então é meio impraticável contar quantos discos tem no blog. Eu costumo atualizar alguns links do blog. Buscando similares na internet. Tanto o Orkut e o Google são ótimas ferramentas para procurar os discos que você quer encontrar. É uma questão de saber como procurar. Uma boa dica é colocar o nome do disco e do artista no Google e buscar por imagens, porque vão aparecer as capas dos discos. Daí é só ver o link e clicar nos que forem blogs, que geralmente contém os links de download. Quanto aos discos raros mesmo – aqueles que uma simples busca direciona ao meu blog – esses eu tenho que subir para disponibilizar.

Mas tem também o problema dos direitos autorais. A maioria dos links que expiram são por causa de direitos autorais. Aí não tem nem jeito de fazer nada – porque se não encontrar um link paliativo na internet, não posso subir o disco de novo por causa dos anti-piratas de plantão. E a Ana de Hollanda ainda tira a licença do Creative Commons do MinC… Por que será que ela fez isso?

Dá para fazer um “top 10 Eu Ovo”, com os discos mais baixados?
Difícil. O Carnaval no Inferno do Eddie tem quase cinco mil downloads. O disco do Lucas Santtana, o Sem Nostalgia, tem mais de três mil downloads. O tributo ao Waldick Soriano Eu não sou cachorro mesmo tem mais de dois mil downloads, o disco do Sergio Sampaio, “Eu quero é botar meu bloco na rua” e o disco da cantora Lua também. Quando estava ativo, o link do disco Dub Side of The Moon era campeão absoluto, mas agora já expirou. É complicado contabilizar isso, porque tem disco que está postado por mais tempo que outros. Mas tem vários discos com mais de mil downloads — também não dá nem pra contar sem usar um caderninho de anotações.

Sábado Livre: quadrinhos em revista

  • 19 de março de 2011|
  • 7h36

Por Murilo Roncolato

“Justin” tem medo de que, em algum momento, alguém se irrite com o seu hobby. Desde criança, o mineiro de Belo Horizonte lê conversas em balõezinhos, sabe que sons podem ser traduzidos em palavras como “BLAM”, “POW” ou “KLIK” e, sobretudo, aprecia uma boa história contada com o auxílio de bons traços.

Justin compra e troca revistas em quadrinhos com seus amigos desde que tinha 6 anos até hoje, com 35. Fora a paixão, uma coisa essencial mudou em todo esse tempo: a maneira de compartilhar. Antes, combinava-se: “eu compro a do ‘Fantasma’ e você a última do ‘Batman’, quando cada um acabar a gente troca, pode ser?”. Hoje a coisa se dá de um modo mais virtual.

O analista de sistemas teve a ideia de digitalizar seu acervo de mais de duas mil revistas em quadrinhos e compartilhar com os interessados na arte pelo seu blog, “Quadrinhos Antigos”, atualmente com cerca de 500 visitas diárias.

Seguindo o protocolo do bom mineiro, Justin prefere ficar na dele, e não ter o nome verdadeiro revelado, para que assim não tenha problemas com quem talvez possa achar ruim a prática do escaneamento, revitalização das imagens, preservação e compartilhamento da cultura de quadrinhos por aí. Quietinho, Justin continua (leia a entrevista abaixo).

Um especial de Natal da Disney, uma edição de 1970 de “Zé Carioca”, “Batman” para colecionadores, “Sandman” e a versão em inglês de “Monstro do Pântano”. FOTOS: Reprodução

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Quando e como começou o blog?
Em 2009, eu tinha uma coleção antiga de revistas e eu queria digitalizar para não perder por desgaste. Era uma questão de preservação. Com isso eu tive a ideia de compartilhar aquele material todo. Pensei no blog, criei o nome, fiz a parte visual e comecei. Na época havia outros sites sobre quadrinhos, mas eram mais voltados para produções atuais. Era difícil achar algum com a preocupação de resgate de coisas antigas. A partir disso, o blog começou a ter leitores que começaram a enviar material também, então a coisa foi aumentando.

Desde quando existe esta tua relação com quadrinhos?
Eu aprendi a ler com quadrinhos. Aí você imagina: eu devia ter uns seis anos. Lia muita coisa da Disney – Pato Donald, Mickey, Tio Patinhos, Zé Carioca. Disso parti para os de herói, como Fantasma, Homem-Aranha, Batman, Watchman daí fui para V de Vingança e Sandman, meu preferidos. E na minha época todos os meus amigos colecionavam revistas, e havia uma prática de emprestar a tua revista para o teu amigo e ele te emprestava uma outra, o que era bom para não ter que comprar todas. Aliás, eu acho que essa ideia de compartilhar minha coleção pela internet é justamente uma tentativa de reavivar essa prática de empréstimo.

Qual o tamanho do seu acervo?
Eu creio ter umas duas mil revistas mais ou menos, todas dentro de um saquinho plástico para evitar traça, fungo. Tem até uma ou outra em inglês e francês. Eu lembro que comprei uma série em inglês do Monstro do Pântano (Swamp Thing), porque a edição brasileira era de péssima qualidade. Mas eu ainda não digitalizei todas. Porque o processo é o seguinte: eu pego a revista, digitalizo página por página, faço o tratamento de imagem no computador e depois tem que compactar cada uma em .cbr (formato que permite que com um programa simples como o CDisplay seja possível ver o arquivo como uma revista na tela do computador). Dá muito trabalho e eu faço tudo sozinho.

Qual a audiência do blog? E com os downloads?
Hoje são mais ou menos uns 500 acessos por dia. Tem gente de Pernambuco, Espírito Santo, Goiás, Brasilia, Rio de Janeiro, São Paulo. E, sim, o pessoal baixa bastante. A revista mais baixada é o Manual do Escoteiro Mirim, aquela edição da Abril do livro que os sobrinhos do Donald usavam de consulta. Ele já passou dos dois mil downloads.

Quanto tempo você gasta com o blog?
Quando eu comecei o blog eu estava fazendo faculdade, então eu tinha bastante tempo livre. Hoje eu trabalho em período integral – sou analista de sistemas –, então reduzi bastante, calculo que, por semana, eu gaste umas 6 horas. A verdade é que cuidar de blog dá muito trabalho, já chamei gente para trabalhar comigo, mas ninguém se compromete. Enquanto isso, a fila para tratamento de imagem vai ficando gigantesca.

Nunca recebeu alguma proposta de anúncio?
Já apareceu gente querendo anunciar, mas a questão é que o blog não tem fins lucrativos e eu declinei a proposta por causa disso. Nunca li muita coisa sobre direito autoral, mas eu sei que, aqui no Brasil, compartilhamento é associado à pirataria quando alguém lucra com a troca, por isso aqui tudo no meu blog é livre. Ele é só o meu hobby.

Como vê a indústria de quadrinhos hoje no Brasil?
A maioria dos quadrinhos são internacionais, mas hoje tem muita coisa boa sendo feita aqui dentro. No passado não havia isso. Tem acontecido muita adaptação de livros de literatura antigos, como A Relíquia do Eça de Queiroz, para quadrinhos. Tem também aqueles dois artistas de alta qualidade, Gabriel Bá e Fabio Moon, são muito bons e são brasileiros. Mas por algum motivo os preços estão aumentando muito, de uma arte popular, acessível, os quadrinhos estão virando objeto de consumo de uma elite. Antigamente eu comprava quadrinhos com o troco da merenda.

Não sabe as razões para esse encarecimento?
Hoje a televisão, a internet e os jogos de videogame meio que tomaram o lugar dos quadrinhos. Então o público caiu. Até o Mauricio de Sousa que é campeão de vendas, já reconheceu baixas na tiragem. Mas eu não vejo a internet como um inimigo do papel. Muitos leitores já me disseram que o blog acordou uma parte da infância deles, quando eles liam revistas, e, por ler no computador, passaram a comprar as edições em papel. Ou então crianças que também começaram lendo na internet e passaram a comprar. Eu mesmo, recentemente, baixei um quadrinho do Robert Crumb, chamado Gênesis; gostei e fui comprar o livro em papel.

A partir da esquerda: “Gênesis”, de Robert Crumb; e
“Manual do Escoteiro Mirim”, da Disney

Acha que os quadrinhos foram deixados de lado pela indústria?
Às vezes eu acho que sim. As editoras cresceram em cima dos quadrinhos e agora parece que não é tão importante assim. Há o problema de o mercado de quadrinhos no Brasil ser dominado por algumas poucas editoras. E hoje o brasileiro já tem uma visão diferente sobre os quadrinhos. Já se sabe que os quadrinhos não são e nem nunca foram coisa de criança. Esse preconceito, pelo menos, já não existe.

Como você seleciona o que sobe no blog?
Eu não coloco nenhuma revista que tenha sido publicada nos últimos 10 anos, nem coisa do Mauricio de Souza, porque ele está relançando todas as antigas publicações dele, quadrinhos de terror muito pesado e quadrinho erótico eu não subo também, porque eu tenho um público infantil no blog. Mas para entrar, o critério é ser antigo e ser quadrinho.

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Sábado Livre 12/03/2011: mergulho jamaicano
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Sábado Livre: mergulho jamaicano

  • 12 de março de 2011|
  • 7h06

Por Tatiana de Mello Dias

Quem gosta de música jamaicana conhece: o You&Me On a Jamboree é, de longe, a melhor fonte para descobrir novos sons antigos. Criado em 2006, o blog mergulha a fundo na cultura jamaicana em todas as suas vertentes. Se para você música jamaicana se resume a Bob Marley, prepare-se para se surpreender.

Além de postarem discos raríssimos, a equipe que cuida do site faz um extenso trabalho de pesquisa. Junto com o link para download dos álbuns sempre há informações sobre a banda e o contexto do disco. Além disso, também há divulgação de shows, vídeos e podcasts temáticos com curiosidades.

A trupe agora dedica-se ao Jurassic Soundsystem, um sistema de som que funciona nos moldes das antigas festas de reggae jamaicanas, com caixas de som poderosas e vinis tocando reggae na rua.

Conversamos com um dos criadores do site, Greg Fernandes, para saber mais sobre o trabalho:

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Por que vocês criaram o site?
A You&Me foi criada para divulgar os primeiros ritmos da Jamaica, como o Ska, Rocksteady e o Early Reggae e raridades que correm o risco de cair no esquecimento se não fosse o compartilhamento de arquivos pela internet. Isso foi em 2006, quando o Sono montou o blog para reunir membros dispostos a postar esses álbuns fora de catálogo ou que são de difícil acesso no Brasil. No começo foram alguns colaboradores que, por alguns motivos, acabaram saindo, até ficar a formação atual, que conta com Sono, Greg, Alex Jurássico, Luís e Papa Neggo. Cada um com suas especialidades, mas todos com o gosto comum pela velha escola jamaicana.

De onde vem o nome do blog?
Um dos objetivos do blog é quebrar alguns estereótipos, como aquele que todo reggae é roots e louva a Jah. Nada contra, que fique bem claro. O problema é que muitos só conhecem o lado roots e conscious do reggae, sendo que, no começo, ele não estava envolvido com religião ou causas sociais. Era apenas música para a diversão. Nesse sentido, Yo&Me é um trocadilho com “I&I”, uma expressão comum entre rastafaris que encaram as palavras “eu e você” como individualistas. Mas acreditamos que a música não deve ter ligação com religião, ideologia ou partido. É para todo mundo. Até para os religiosos! Já a “Jamboree” é uma gíria jamaicana que significa “encontro”, “festa”.

Como vocês descobrem os sons novos?
Recentemente fomos à Jamaica procurar alguns discos esquecidos por lá. É um trabalho de pesquisa e uma espécie de “troca de figurinhas”. Alguns discos são possíveis comprar ou achar para download na internet. Mas muitos são tão raros que dependemos da colaboração de outros colecionadores para nos ajudar. Com o tempo conseguimos contatos em diversas partes do mundo que, às vezes, estão dispostos a colaborar. Já em outras precisamos oferecer algo em troca para que ambos saiam felizes.

A história do reggae jamaicano é bem documentada?
Há um lado da música jamaicana muito obscuro, sujo e mal documentado. Era até de se esperar num país onde houve tantos músicos que não tiveram nada além de uma cópia teste gravada para tentar a sorte em alguma loja de discos. Alguns músicos que explodiram na Inglaterra, como Desmond Dekker, primeiro artista jamaicano a atingir o topo das paradas britânicas, ou até mesmo em Hollywood, como Byron Lee em James Bond Contra o Satânico Dr. No, tiveram seu lugar ao sol. Costumam dizer que na Jamaica não existem histórias, existem lendas. Muitas vezes é preciso juntar peças de um quebra-cabeça.

Vocês já tiveram algum problema por infração de copyright?
Já tivemos problemas com duas gravadoras. Uma delas conhecia o blog e disse admirar nosso trabalho de resgatar obras esquecidas da música jamaicana. Porém gostaria que entendessemos que determinado disco ainda estava em circulação. O problema é que na época de ouro da música jamaicana os direitos autorais não existiam. Basta ver o filme Harder They Come, com tradução para o português Balada Sangrenta e que conta com a participação de Jimmy Cliff. O filme mostra bem como funcionava os esquemas entre músicos e produtores. As canções eram pagas apenas uma vez. A partir de então, passavam a ser de propriedade do produtor.

O blog revela músicas que provavelmente não conheceríamos de outra maneira. Qual é a importância desse canal?
Os blogs são fundamentais para evitar que determinada música ou gênero musical caia no esquecimento. Não adianta apenas o material estar digitalizado em MP3. Tem quee haver um canal de divulgação. Programas de compartilhamento são bons, mas só se você já tem em mente o que procurar. Não são muito bons para quem quer conhecer coisas novas. Nesse sentido, os blogs fazem o papel das gravadoras que não estão interessadas em resgatar determinado disco para comercializar no mercado.

Quais os frutos que o blog já rendeu?
Além do público fiel que nos acompanha em todas as festas, conseguimos muitas amizades e contatos com o blog. Eles nos ajudaram a ter credibiliade e ousar fazer coisas que não fariamos se não tivessemos o apoio de um site bem conceituado. Vamos trazer agora, em abril, uma das maiores lendas da músicas jamaicana, Jackie Bernard, líder do grupo dadécada de 60, Kingstonians. Um dos nossos focos principais agora é nosso sistema de som, Jurassic Soundsystem, no qual tocamos apenas prensas originais de época da velha guarda jamaicana. Os podcasts também são um canal importante para contarmos histórias e expressarmos nossas opiniões através da música.

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Sábado livre: no passo do roteiro

  • 5 de março de 2011|
  • 7h00

Por Tatiana de Mello Dias

É possível contar uma história em 140 caracteres? Laura Guimarães prova que sim. Em seu Twitter, @nopassodroteiro, ela conta cenas da cidade em pequenas pílulas. O formato saiu da web e foi para a vida real — e para as ruas. Ela começou a imprimir os microcontos publicados no Twitter e fazer colagens em postes e espaços públicos.

As histórinhas se misturam ao cotidiano da cidade, e geram novas histórias à medida em que as pessoas interagem com elas. Todo o processo — do antes ao depois, a reação da cidade às histórias — é documentado no blog homônimo.

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Como você começou a escrever microcontos no Twitter?
Eu já tinha o blog No Passo do Roteiro, cuja proposta era estudar “O que é um roteiro?”. Postar os meus e descobrir roteiros em coisas que as pessoas não veem como roteiros. Quando abri minha conta no Twitter, não sabia o que fazer com ela. Escrevi umas poucas bobagens, do tipo “o que estou pensando agora”, mas não estava curtindo. Foi quando tive a ideia de aproveitar a ferramenta para exercitar a criatividade e tentar elaborar ceninhas curtas que coubessem naqueles 140 caracteres. Chamo de microrroteiros, pois o exercício é escrever para que as pessoas visualizem cenas. Roteiros para imaginação. Escrevo na hora que a inspiração vem, muitas vezes no meio da rua. Escrevo num caderno ou papel qualquer e já fiquei contando letra por letra pra ver se vai caber. Se não cabe, tem que cortar. Uso muitas vezes o recurso “vc” “tb”, afinal, já que teve na origem na web, está valendo.

O que te inspira a escrever?
Principalmente cenas da cidade. Tanto que quando dá vontade de escrever e estou sem inspiração, vou dar uma volta ou espiar pela janela. Sempre aparece alguma cena ou personagem que inspira. Na verdade, faço isso desde pequena — ficar imaginando cenas nas cenas da cidade. Os microrroteiros foram uma forma de aproveitar essa mania.

Pode contar alguma cena?

Me propus a encontrar uma cena no percurso da minha casa até o trabalho. Andei dois quarteirões e dei de cara com uma menininha do lado de dentro de um portão, daqueles que ficam bem perto da porta, só com um espacinho entre eles, segurando as grades com as duas mãos, com a cabeça encostada nelas, olhando a rua. Tristinha… imagem linda. Aí escrevi esse: “Presa. Atrás das grades. Uma tristeza imensa de não tá lá fora. A mãe dizia que era perigoso, mas já tinha 6 anos.”

Quando os microcontos foram para a rua?
Em julho ou agosto do ano passado. A ideia era juntar essa história de “cenas pra imaginar”, com uma paixão antiga — arte na rua, arte acessível. Achei que poderia ser interessante as pessoas terem algo pra ler, quem sabe imaginar, enquanto esperam o ônibus ou o farol fechar pra poder atravessar a rua. Que talvez fosse melhor do que olhar pro nada ou pra um poste cinza.

Onde é possível encontrá-los?
A maioria foi pintado de cinza ou arrancado ou tapado por um lambe-lambe de propaganda, como qualquer lambe-lambe. Mas ainda tem na Avenida Sumaré e na Rua Augusta (ambas em São Paulo).

Você já teve algum problema com as colagens na rua?
Depois das eleições no ano passado, o negócio ficou mais pesado. A última vez que colei, fui sozinha, e um cara começou a discutir comigo, falou que eu tava sujando a cidade. Pense na sujeira que tava em volta da gente. Foi bem tenso, porque eu estava sozinha, ele falando que o que eu estava fazendo era crime. Não concordo que poste cinza é melhor que texto ou desenho, mas essa lei esquisita existe e eu fiquei com medo de a polícia chegar, eu ali sozinha. É difícil conseguir gente para colar comigo, as pessoas gostam, mas não é a prioridade delas. Uma coisa que me deixou bem triste foi a história de pintarem de cinza. Na (praça) Benedito Calixto, por exemplo, ficou meses e meses sem ninguém mexer. E praticamente só tinha os meus lambes com os micros nos postes. Um dia, estava tudo pintado de cinza.

Como as pessoas interagem com os microcontos? Algumas histórias estão no blog…
Fora a vez que o cara veio discutir comigo, sempre foi legal. A maioria finge que não vê quando você tá colando, mas tem gente que para para ler na hora, comenta. Já teve um senhor que brincou comigo falando “Eu não gosto!” quando eu colava um micro sobre samba e completou “não gosto de samba!”, dando risada. Uma menina que me viu colar veio me dizer que sempre via os lambes no caminho paro trabalho e adorava. Tinha até falado paro pessoal da faculdade dela.

Qual é a diferença na recepção dos microcontos no Twitter, por exemplo, e na rua?

Para ser sincera, eu não sei como é a recepção no Twitter. De um em um, quase sempre tem gente nova adicionando, mas não costumam me dar retorno, entrar em contato. Tive poucos até hoje. Tenho mais retorno quando posto no Facebook, que os amigos comentam. Na rua tive bastante. Gosto muito dos micros na rua por ter misturada essa questão de arte de rua, e por imaginar que talvez eles possam ter gerado outras histórias, mesmo que pra imaginação, na hora, de alguém que demora três horas por dia pra chegar em casa. A maioria acho que nem vê. Mas vai saber, né?

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Sábado Livre: a nova música livre brasileira

  • 26 de fevereiro de 2011|
  • 7h00

Por Murilo Roncolato

O mineiro Weberth Mota, 26 anos, já estava cansado de sempre ouvir a mesma falácia durante discussões sobre música brasileira: “Ninguém mais produz coisas diferentes, não há nada novo!”. Ele decidiu então procurar por conta própria que música estava sendo feita por aí, o que havia de diferente, bom e novo.

Desse impulso nasceu A Musicoteca, blog tocado por Mota e outros quatro colaboradores (originalmente leitores do blog).

Se antes o ato de ir à rua caçar coisa nova era fundamental para o conteúdo do site, hoje nem tanto. Atualmente artistas novos, que querem mostrar seu primeiro trabalho ao público, vão atrás do blog e se apresentam.

Tudo é, então, ouvido, filtrado, aprovado (ou não), catalogado, e disponibilizado para download. “Esse é o nosso diferencial, tudo é selecionado e exposto de uma maneira agradável e fácil para o leitor”, diz Mota (leia a entrevista abaixo).

Abaixo, a banda paulista Holger; a Bossa Nova contemporânea dos Novos Bossais; a cantora Juliana R. e a coletânea feita pelo blog de músicas para se cantar no banho. FOTOS: DIVULGAÇÃO

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O blog existe desde 2003, já virou trabalho ou ainda é hobbie?
Começamos com ele no Blogspot, fomos para o WordPress, a coisa cresceu e aí tivemos de comprar o domínio, mas ainda hoje ninguém ganha nada com ele. Tanto eu quanto os colaboradores, todos têm seu trabalho desvinculado — eu trabalho com marketing de moda — e o blog acaba sendo nosso esporte. É bom não ter publicidade porque as páginas ficam mais limpas, o visual é mais atraente. É nosso diferencial, porque blogs de música normalmente são muito poluídos, não têm as informações completas do artista, o contato, colocam o conteúdo para download sem autorização. Na Musicoteca, os leitores baixam os CDs direto do nosso site, tudo autorizado.

Não tem interesse em ganhar dinheiro com o blog?
Estamos vendo isso. Atualmente tem uma proposta de uma empresa de tecnologia que quer criar uma rede social de música brasileira e está estudando meios de vincular a Musicoteca com isso. Ainda estamos discutindo.

Como o blog começou?
Quando vim para São Paulo comprava um CD novo e publicava minha opinião sobre ele. Daí apareceram leitores e discussões dizendo que não surgia ninguém novo no mercado. Com isso eu comecei a me dedicar a achar coisa nova. De Belo Horizonte, leitores mandavam as novas bandas que surgiam nos palcos underground de lá, me mandavam discos, eu ouvia e publicava. Em São Paulo eu passei a sair muito e frequentar lugares que sempre tem gente boa e independente tocando, como Studio SP, Cafe Paon, Tapas, Jazz nos Fundos, Bar da Vila. Com o tempo peguei o contato da maioria dos artistas, eles já conhecem o site e me procuram para botar o CD deles lá, o que é ótimo, já que antes era só o que eu encontrava. Hoje a gente quer ter um acervo de música nova brasileira, música livre. Temos por volta de 250 artistas no acervo atualmente.

E esse papo de que “atualmente não tem mais coisa boa”. O que diz quando ouve isso?
Eu digo que o cara está perdendo o tempo dele com esse papo. Mas ainda dá para correr e conhecer coisa nova legal. E pela música você acaba conhecendo as novidades de outros campos de arte. Eu conheci muito artista plástico, ilustrador, escritores, lojas novas e de ótima qualidade. Quem ignora a música nova brasileira, ignora a cultura em geral.

Para artistas novos serem conhecidos pelo público hoje, ele tem que passar pela internet?
Para conseguir entrar hoje, não só no mercado de música, mas na arte, ele tem que fazer algum trabalho de acesso livre. Hoje em dia é muita coisa acontecendo de modo livre, não tem como colocar um material e querer só o retorno, a grana. A não ser que seja um cara com um trabalho extraordinário, muito bacana. Mas é raro.

Os posts normalmente são bem curtos. Há um preocupação com isso?
Temos apenas uma coluna que o Lucas Rossi faz que é uma pouco maior. Mas é só, há sim uma preocupação com texto pequeno. O espaço é para experiência de música e não de longas críticas de música, ali estão impressões de primeira leitura. Até por isso a gente se preocupa em não rotular nenhuma música, nenhum artista, não damos gêneros “samba”, “rock”, nada disso. É tudo música.

Como é feita a seleção dos artistas? Quais são os critérios?
Somos nós mesmos que decidimos. Existe uma questão clara da qualidade. Tem de ser algo que fuja do óbvio. E eu e os colaboradores temos gostos muito diferentes, um gosta de rock, a outra de bossa nova, jazz; o outro é mais choro, moda de viola; eu gosto de música regional. Mas é bem variado e, por isso, não tem o risco de ficar um estilo único. No blog temos música erudita, pop, rock, samba. Tem de ser diferente.

No blog, os artistas vão desde roqueiros de Minas Gerais (Fusile) até gaúchos esbanjando criatividade sonora (Apanhador Só). FOTOS: DIVULGAÇÃO

De onde estão surgindo os artistas da nova música brasileira?
Para mim, Pernambuco é o pólo da música contemporânea brasileira, com sotaque e ritmo muito marcados mesmo. É um celeiro de coisas novas, como Karina Buhr, China, Mombojó. E são bandas que vem ganhando espaço em São Paulo. Além de Pernambuco, tem Brasilia (Móveis Coloniais, a rapper Flora Matos), Minas Gerais (Pedro Morais, o pessoal do Graveola, Luiz Lopes, as meninas do Fofoca Erudita). Mas isso são os lugares de onde mais brotam. No blog tem gente de Manaus, do Acre, do interior do interior.

Como é a relação com os leitores?
A gente teve uma queda muito grande de comentários no site, porque ela se dá por redes sociais. O número de visitas aumentou pelo menos uns 300% nos últimos tempos, todas de gente vindo do Facebook e Twitter. Pelo Twitter, inclusive, nós conseguimos acelerar a interação artista-site-leitor. No site havia um delay muito grande para o artista ver o comentário e responder.

Por colocarem conteúdo para download, vocês já tiveram algum problema?
Juridicamente não. Mas já vieram muitos artistas que mandaram os trabalhos deles quando ainda eram independente, e aí acabaram fechando contrato com alguma gravadora e vinham pedir para tirar o link do ar. A gente tira, numa boa. Fico até feliz por ver um artista novo fechando negócios, etc. Mas o nosso lance é muito mais com a arte do que com o comércio feito.

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Sábado livre: uma viagem aos anos 70

  • 19 de fevereiro de 2011|
  • 7h02

Por Tatiana de Mello Dias

A internet é um imenso repositório de novidades, mas também traz coisas antigas de volta à circulação. E é exatamente o que faz o blog Velhidade: ele digitaliza e reúne recortes de reportagens em jornais e revistas sobre música publicadas nos anos 60 e 70.

O responsável pelo garimpo é Eduardo Menezes (leia entrevista abaixo), funcionário público de Alagoas. Ele começou de mansinho, digitalizando suas revistas Pop antigas. Aos poucos, ele está construindo um divertido e curioso acervo da cultura pop brasileira dos anos 60 e 70.

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Quantas revistas antigas você tem?
Tenho mais ou menos 350 revistas. Entre elas destacam-se: Geração Pop, Música, Show Bizz, Rock Espetacular, Rock a História e a Glória, Pipoca Moderna, Top Rock, Roll, Metal Head, Somtrês, Rock Espetacular, Jornal de Música e vários pôsteres e edições especiais. Além de revistas um pouco mais recentes.

Como funciona a seleção do material no site?
Comecei com as revistas Pop porque são as mais antigas, mas já estou incluindo outras. Vou escaneando por ordem cronológica para poder organizar os arquivos. Mas as postagens não obedecem rigorosamente essa ordem, embora eu procure não fugir muito do tempo.

Quanto tempo você dedica ao blog?
Não sei precisar o tempo, mas funciona da seguinte forma: primeiro escaneio as matérias de algumas revistas, geralmente no final de semana e aos poucos durante a semana vou ajeitando os arquivos e separando em uma pasta, tem época que passo até dois meses com materiais prontos que vou publicando aos poucos. São 40 postagens por mês em média.

Você aceita colaborações?
Sim, desde que seja relacionada a música, não importa o estilo. Mas foram poucos que me mandaram. Atendo a pedidos também. E quando a matéria pedida não é da área musical mando por e-mail.

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Como é a reação dos leitores?
Muito boa, é uma sensação indescritível. Eu já imaginava que o blog seria bem recebido pelos internautas, mas não esperava que trouxesse grandes emoções. Alguns por rever matérias de shows em que estiveram presentes, outros por encontrar suas opiniões que escreveram para seções da revista e, também, os que fizeram parte da equipe da revista. Tudo isso me dá bastante prazer e me deixa emocionado também.

Você já teve algum problema por causa do blog?
Não. No início um amigo meu questionou sobre isso, dizendo que alguns blogueiros haviam recebidos reclamações de algumas editoras por escanear matérias de revistas. Talvez isso tenha acontecido por serem revistas atuais. Mas, acredito que não haja problemas por se tratar de revistas que nem existem mais e pelo blog não ter fins lucrativos. Assim espero e os leitores do blog também.

Você acha que a internet também cumpre um papel de resgate?
Sem dúvidas. Hoje temos acesso a uma infinidade de informações que podem ser publicadas e vistas por pessoas do mundo inteiro. Sem a internet minhas revistas estariam condenadas a jazerem no fundo do baú.

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