Estadão.com.br

Deficientes visuais ganham recursos no Kindle

  • 1 de maio de 2013|
  • 13h04

Por Camilo Rocha

Novidades estão no aplicativo para iOS; a principal é que os livros podem ser lidos em voz alta por uma ferramenta

SÃO PAULO – A Amazon anunciou recursos na nova versão do leitor Kindle para iOS (sistema operacional do iPhone e iPad) que prometem facilitar a leitura de cegos e deficientes visuais.

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A principal novidade é que os mais de 1,8 milhão de livros da loja Kindle que podem ser acessados no iPhone ou iPad poderão agora ser lidos através da tecnologia VoiceOver, da Apple. A ferramenta lê em voz alta o conteúdo da tela.

Entre as ações disponíveis agora para usuários com deficiência visual estão: navegar dentro das páginas de um livro; organizar os livros na biblioteca do usuário; avançar ou retroceder no texto de um livro; acrescentar ou apagar notas, marcações e grifos; compartilhar conteúdo no Facebook e Twitter; procurar palavras no dicionário.

Outro recurso disponibilizado na versão com acessibilidade do Kindle é o ‘X-Ray’, que traz informações extras sobre o conteúdo de um livro, como personagens e lugares.

O recurso de acessibilidade do iOS das telas periféricas em braille agora também pode ser usado no Kindle.

O upgrade com as novidades está disponível a partir desta quarta-feira, 1. A Amazon promete uma versão para Android em breve.

Kindle Paperwhite chega ao Brasil por R$ 480

  • 18 de março de 2013|
  • 23h59

Por Murilo Roncolato

Amazon lança leitor eletrônico com tela touch e ajuste de brilho; vendas começam nesta terça

SÃO PAULO – A Amazon do Brasil começa a vender a partir desta terça-feira, 19, o modelo mais avançado do seu leitor eletrônico, o Kindle Paperwhite, com tela touchscreen e iluminação integrada. O aparelho será vendido online pelo site da Ponto Frio, e em lojas físicas da Livraria da Vila e nos quiosques da Amazon nos shoppings Morumbi e Iguatemi, em São Paulo; Barra Mall e Leblon, no Rio de Janeiro.

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Desde dezembro, quando desembarcou por aqui, a empresa vendia apenas o modelo mais simples, chamado “Kindle“. Com botões e tela e-ink (tecnologia que faz a tela não emitir brilho, garantindo uma experiência próxima à de um livro físico, porém impossibilitando a leitura no escuro sem auxílio de iluminação), o modelo é o menos atrativo da marca, mas continua sendo o dispositivo de entrada para o brasileiro com seu preço de R$ 300.

Por aqui, a Amazon teve que criar um novo modelo de venda, distinto da matriz, para tornar o brasileiro mais íntimo do e-reader. Além das vendas exclusivas através de lojas já estabelecidas no País, como a Livraria da Vila e o site da Ponto Frio, a Amazon inaugurou em janeiro seus quiosques, que vendem diretamente o aparelho ao consumidor.

Alexandre Szapiro, o CEO da Amazon por aqui, não confirmou o início das vendas de dispositivos pelo site da Amazon (como acontece nos Estados Unidos), nem o aumento do número de varejistas locais parceiras, mas afirmou vão expandir e que a Amazon “tem planos além dos quiosques”.

Com o modelo Paperwhite, considerado por Szapiro como o que a Amazon tem “de ponta”, o executivo diz que agora a Amazon brasileira “está completa”, mas adiantou que não deve demorar para que outros dispositivos da Amazon cheguem logo no Brasil. “Tablets virão”, afirmou ao Link, referindo-se ao Kindle Fire, lançado em setembro de 2011 nos Estados Unidos. Ao que tudo indica, essas “novidades” devem repercutir no Brasil ainda neste ano. “O Paperwhite é o ícone de histórias que ainda estão pela frente.”

A tela ajusta a intensidade de brilho. Foto: Murilo Roncolato/Estadão

Szapiro disse que a Amazon está animada com o mercado brasileiro e, sem mencionar números, disse que a companhia está registrando crescimentos semanais e, passada a euforia da chegada da gigante no Brasil, constata que toda a tensão gerada – principalmente por editoras e livrarias, que temiam uma atuação agressiva de preços da empresa no Brasil, assim como haviam visto acontecer no mercado americano – foi “exagerada”. “Toda relação comercial tem seus momentos de calor e frio. Passado isso, agora a gente consegue ver que todos nós temos um único objetivo: vender mais livro no Brasil.”

O Kindle Paperwhite tem como destaque a possibilidade de ajustar a iluminação interna (dispensando o auxílio de luz externa) mantendo a qualidade de leitura da tela e-ink, de 6 polegadas. Além disso, seu armazenamento interno (fora o serviço de nuvem ilimitado) comporta até 1.100 livros e sua bateria tem força para aguentar até 8 semanas, com um uso médio de 30 minutos por dia, com a opção de iluminação ligada.

O novo e-reader começa a ser vendido nesta terça-feira, 19, por R$ 479 (modelo Wi-Fi) e R$ 699 (Wi-Fi e 3G). O modelo 3G garante cobertura nacional e internacional com plano de internet já incluso.

Para comparação, a Amazon americana vende os mesmos aparelhos, respectivamente, por US$ 139 (cerca de R$ 276, sem impostos) e US$ 199 (R$ 395, sem impostos). Por aqui, a principal concorrente da Amazon é a canadense Kobo, aliada à Livraria Cultura, que vende seus aparelhos Kobo Touch, por R$ 399; e o Kobo Glo (com tela semelhante à do Paperwhite), por R$ 449.

/Com Lígia Aguilhar (São Paulo)

Livrarias alemãs se unem contra Amazon

  • 4 de março de 2013|
  • 15h55

Por Agências

Principal livraria passa por reestruturação e fecha lojas; grupo lança e-reader chamado ‘Tolino’

FRANKFURT – Livrarias alemãs se juntaram com a Deutsche Telekom para produzir um eReader próprio para desafiar a dominância da Amazon.com no crescente mercado de livros digitais.

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Thalia, Weltbild, Hugendubel e Club Bertelsmann irão iniciar a venda do eReader “Tolino” em 7 de março, com cerca de 300 mil livros disponíveis para download, para competir com o Kindle da Amazon e o tablet da Apple, disseram as empresas em comunicado conjunto nesta sexta-feira.

Como no Reino Unido, onde redes como Waterstones ficaram sob pressão pelo sucesso da Amazon, livrarias da Alemanha também sofreram.

A Thalia, maior livraria do país, está sob reestruturação e fechando lojas, e viu suas vendas caírem 2% em seus negócios no acumulado de 2012 até setembro.

“O futuro da indústria de livros da Alemanha deve permanecer nas nossas mãos e não nos grupos listados norte-americanos”, disse Carel Halff da livraria e editora Weltbild.

Enquanto os e-books respondem por 10 por cento do mercado de livros nos Estados Unidos, a proporção é de apenas 3,2 por cento no mercado alemão.

Mas o mercado está crescendo rapidamente, com as vendas de e-books triplicando em 2012, para 102 milhões de euros, segundo o grupo de pesquisas de mercado GfK. E-books poderiam responder por 17% das vendas no mercado alemão até 2015.

/REUTERS

Kindle começa a ser vendido no Brasil

  • 19 de dezembro de 2012|
  • 17h21

Por Murilo Roncolato

A Livraria da Vila e o site do Ponto Frio começaram as vendas nesta quarta; aparelho custa R$ 299

SÃO PAULO – O leitor eletrônico da Amazon começou a ser vendido no Brasil nesta quarta-feira, 19, pelas lojas físicas da Livraria da Vila e pelo site do Ponto Frio.  O modelo mais simples do Kindle (veja toda a linha de produtos) chega por R$ 299. Nos Estados Unidos, ele é vendido por US$ 89 (sem anúncio).

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Segundo comunicado da empresa, a Livraria será a única loja física a comercializar o produto. Nesta terça, a empresa havia publicado um comunicado dizendo que começaria a vender nesta quinta e que a exclusividade duraria até janeiro. No fim do dia, a empresa publicou um novo comunicado revogando o anterior e sem informações sobre o prazo da exclusividade. A Livraria da Vila tem seis lojas em São Paulo e uma Campinas. Veja os endereços:

São Paulo
• Rua Fradique Coutinho, 915 (Tel: 11 3814 5811)
• Alameda Lorena, 1731 (Tel: 11 3062 1063)
• Shopping Cidade Jardim. Av. Magalhães de Castro, 12000 (11 3755 5811)
• Av. Moema, 493 (11 5052 3540)
• Shopping Higienópolis. Av. Higienópolis, 618 (11 3660 0230)
• Jk Iguatemi. Av. Juscelino Kubitschek, 2041 (11 5180 4790)

Campinas
• Shopping Galleria. Rod. Dom Pedro I, S/ Nº (19 3766 5160)


Kindle

O modelo a ser vendido no Brasil é clássico do Kindle. Apesar de o Kindle ser bem avaliado, esta versão brasileira chega com pelo menos dois pontos negativos: o preço e a tela. Quem estiver interessado no leitor de e-books da Amazon, terá que desembolsar R$ 299. Nos Estados Unidos, a mesma versão, sem exibição de anúncios, sai por US$ 89 – cerca de R$ 185, sem impostos. Vem com tela (preto e branco) de 6 polegadas, pesa 170g e tem pouco mais de 1 GB de armazenamento (além do serviço de nuvem).

Em comparação com seu rival Kobo, recém-chegado ao Brasil, o Kindle perde no quesito tela e usabilidade. O modelo a ser vendido aqui não é touch, apenas dispõe de alguns botões na parte inferior do aparelho para controle de página e ajustes. A tecnologia da tela é a E-ink, sem brilho, que simula a textura de livros físicos, tornando mais confortável a leitura em ambientes claros. Telas com brilho próprio só foram implementadas pela Amazon na última rodada de lançamentos, nos seus modelos Paperwhite.

Além disso, uma crítica à Amazon e seus e-readers de maneira geral, é o fato de só aceitar formatos próprios, o que exclui o epub, o mais comum entre os livros digitais. Tal prática, torna o usuário do Kindle uma espécie de “refém” do conteúdo vendido pela Amazon. A Kobo, por sua vez, apesar de estar vinculada à Livraria Cultura no Brasil, aceita e-books de qualquer loja virtual, incluindo livros epub.

Sem publicações estrangeiras

O usuário brasileiro que transferir sua conta americana para cá, pode enfrentar alguns problemas. Exceto por livros e aplicativos, o usuário perderá todo o conteúdo já adquirido ou assinado por sua conta anterior. Ele não terá mais acesso a publicações diárias e periódicos estrangeiros, filmes previamente adquiridos, Amazon Cloud Player e a biblioteca de músicas.

Sobre assinaturas de jornais e revistas, o site explica: “assinaturas atualmente ativas serão canceladas se a conta for transferida para outro país. Um reembolso proporcional será feito caso haja ainda edições pendentes já pagas. Uma vez que as assinaturas forem canceladas, você não poderá mais ser capaz de acessar conteúdo já visto. A disponibilidade de assinatura de periódicos varia conforme o mercado.” (veja abaixo)

A Amazon chegou ao Brasil no início de dezembro oferecendo em seu catálogo um acervo com 1,4 milhão de e-books em vários idiomas, entre eles 13 mil títulos em português.

Tensão do mercado

O mercado editorial brasileiro demorou para aceitar a ideia da chegada de uma concorrente estrangeira gigante e com fama de agressiva nos negócios. Editoras levaram muito tempo analisando o enorme contrato da empresa americana e preparando seu catálogo para ser comercializado no site da Amazon daqui. A Companhia das Letras, por exemplo, levou 1 ano e meio para acertar todos os pontos com a varejista. Tanta precaução se justifica quando comparado ao que aconteceu nos Estados Unidos, onde a Amazon domina o setor.

“Acho que as editoras brasileiras foram muito espertas ao negociar com esses players internacionais”, disse ao Link Edward Nawotka, editor do site Publishing Perspectives, especializado no setor. “Elas conseguiram obter contratos de vendas realmente decentes da Amazon. Problemas podem surgir se a Amazon adquirir muita fatia de mercado, então eles passarão a exercer pressão sobre as editoras por acordos melhores para eles, como aconteceu nos Estados Unidos.”

No fim, todas as grandes editoras do País assinaram (com exceção da Editora Saraiva). Quem ainda não está feliz com a novidade são as livrarias, que podem perder parte do seu público de livro físico para o formato digital.

A Associação Nacional das Livrarias, tendo em vista o receio do setor, publicou uma carta aberta, defendendo, entre outras coisas, que lançamentos demorem 120 dias para chegar ao digital. “É bom que o livro digital venha, mas é importante que as livrarias sobrevivam”, disse o vice-presidente da ANL, Augusto Kater. A medida, para a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sônia Machado Jardim, só incentivaria mais a pirataria que, para ela, é o “maior inimigo”. “Se o livro que estiver bombando não estiver no digital, as pessoas vão escanear e lerão do mesmo jeito.”

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Kindle começa a ser vendido nesta quinta

  • 18 de dezembro de 2012|
  • 18h21

Por Murilo Roncolato

A Livraria da Vila venderá o aparelho em  suas lojas em São Paulo e em Campinas por R$ 299

*Atualização às 17h22 (19/12): a Livraria da Vila enviou um segundo comunicado lamentando o fato de terem errado o dia do lançamento

SÃO PAULO – O leitor eletrônico da Amazon começa a ser vendido no Brasil nesta quinta-feira, 20, exclusivamente pelas lojas da Livraria da Vila. O modelo mais simples do Kindle (veja toda a linha de produtos) chega por R$ 299. Nos Estados Unidos, ele é vendido por US$ 89.

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Segundo comunicado, a Livraria será a única a comercializar o produto em lojas físicas até janeiro de 2013. São seis lojas em São Paulo e uma Campinas. Veja os endereços:

São Paulo
• Rua Fradique Coutinho, 915 (Tel: 11 3814 5811)
• Alameda Lorena, 1731 (Tel: 11 3062 1063)
• Shopping Cidade Jardim. Av. Magalhães de Castro, 12000 (11 3755 5811)
• Av. Moema, 493 (11 5052 3540)
• Shopping Higienópolis. Av. Higienópolis, 618 (11 3660 0230)
• Jk Iguatemi. Av. Juscelino Kubitschek, 2041 (11 5180 4790)

Campinas
• Shopping Galleria. Rod. Dom Pedro I, S/ Nº (19 3766 5160)

Kindle

O modelo a ser vendido no Brasil é clássico do Kindle. Apesar de o Kindle ser bem avaliado, esta versão brasileira chega com pelo menos dois pontos negativos: o preço e a tela. Quem estiver interessado no leitor de e-books da Amazon, terá que desembolsar R$ 299. Nos Estados Unidos, a mesma versão, sem exibição de anúncios, sai por US$ 89 – cerca de R$ 185, sem impostos. Vem com tela (preto e branco) de 6 polegadas, pesa 170g e tem pouco mais de 1 GB de armazenamento (além do serviço de nuvem).

Em comparação com seu rival Kobo, recém-chegado ao Brasil, o Kindle perde no quesito tela e usabilidade. O modelo a ser vendido aqui não é touch, apenas dispõe de alguns botões na parte inferior do aparelho para controle de página e ajustes. A tecnologia da tela é a E-ink, sem brilho, que simula a textura de livros físicos, tornando mais confortável a leitura em ambientes claros. Telas com brilho próprio só foram implementadas pela Amazon na última rodada de lançamentos, nos seus modelos Paperwhite.

Além disso, uma crítica à Amazon e seus e-readers de maneira geral, é o fato de só aceitar formatos próprios, o que exclui o epub, o mais comum entre os livros digitais. Tal prática, torna o usuário do Kindle uma espécie de “refém” do conteúdo vendido pela Amazon. A Kobo, por sua vez, apesar de estar vinculada à Livraria Cultura no Brasil, aceita e-books de qualquer loja virtual, incluindo livros epub.

Sem publicações estrangeiras

O usuário brasileiro que transferir sua conta americana para cá, pode enfrentar alguns problemas. Exceto por livros e aplicativos, o usuário perderá todo o conteúdo já adquirido ou assinado por sua conta anterior. Ele não terá mais acesso a publicações diárias e periódicos estrangeiros, filmes previamente adquiridos, Amazon Cloud Player e a biblioteca de músicas.

Sobre assinaturas de jornais e revistas, o site explica: “assinaturas atualmente ativas serão canceladas se a conta for transferida para outro país. Um reembolso proporcional será feito caso haja ainda edições pendentes já pagas. Uma vez que as assinaturas forem canceladas, você não poderá mais ser capaz de acessar conteúdo já visto. A disponibilidade de assinatura de periódicos varia conforme o mercado.” (veja abaixo)

A Amazon chegou ao Brasil no início de dezembro oferecendo em seu catálogo um acervo com 1,4 milhão de e-books em vários idiomas, entre eles 13 mil títulos em português.

Tensão do mercado

O mercado editorial brasileiro demorou para aceitar a ideia da chegada de uma concorrente estrangeira gigante e com fama de agressiva nos negócios. Editoras levaram muito tempo analisando o enorme contrato da empresa americana e preparando seu catálogo para ser comercializado no site da Amazon daqui. A Companhia das Letras, por exemplo, levou 1 ano e meio para acertar todos os pontos com a varejista. Tanta precaução se justifica quando comparado ao que aconteceu nos Estados Unidos, onde a Amazon domina o setor.

“Acho que as editoras brasileiras foram muito espertas ao negociar com esses players internacionais”, disse ao Link Edward Nawotka, editor do site Publishing Perspectives, especializado no setor. “Elas conseguiram obter contratos de vendas realmente decentes da Amazon. Problemas podem surgir se a Amazon adquirir muita fatia de mercado, então eles passarão a exercer pressão sobre as editoras por acordos melhores para eles, como aconteceu nos Estados Unidos.”

No fim, todas as grandes editoras do País assinaram (com exceção da Editora Saraiva). Quem ainda não está feliz com a novidade são as livrarias, que podem perder parte do seu público de livro físico para o formato digital.

A Associação Nacional das Livrarias, tendo em vista o receio do setor, publicou uma carta aberta, defendendo, entre outras coisas, que lançamentos demorem 120 dias para chegar ao digital. “É bom que o livro digital venha, mas é importante que as livrarias sobrevivam”, disse o vice-presidente da ANL, Augusto Kater. A medida, para a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sônia Machado Jardim, só incentivaria mais a pirataria que, para ela, é o “maior inimigo”. “Se o livro que estiver bombando não estiver no digital, as pessoas vão escanear e lerão do mesmo jeito.”

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  • 9 de dezembro de 2012|
  • 19h21

Por Murilo Roncolato

Chegada dos livros eletrônicos da Amazon e do Google Play abre nova fase na venda de conteúdo digital. Mas o Brasil está preparado?

SÃO PAULO – Os livros digitais ou e-books chegaram de vez ao Brasil, país que não só ainda tem uma baixa penetração de e-readers e tablets como também índices baixíssimos de leitura. Amazon, Google, Apple e Kobo estão ansiosos para ver suas lojas virtuais jorrando livros digitais, mas há dúvidas sobre se ou quando isso realmente acontecerá.

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“O brasileiro em geral lê pouco. Mas a gente pode atingir um novo público atraído pelo digital”, diz Fabio Uehara, responsável pelos negócios digitais da Companhia das Letras. “Se não tem tantas livrarias quanto se deveria, agora com um ponto de internet e um tablet ou e-reader é possível comprar qualquer livro, e tanto faz se estou em São Paulo ou no Oiapoque.”

FOTO: Helvio Romero/Estadão

As livrarias estrangeiras levaram mais tempo para chegar do que o planejado e chegaram com preços não tão baixos quanto o esperado.

Boa parte da responsabilidade é das editoras. Elas se debruçaram sobre os imensos contratos, refizeram alguns acordos mais antigos com autores (de quando não se previa o formato digital), bateram o pé para o preço não ser menor do que 70% do valor do livro físico e demoraram para aprender a converter seu catálogo da forma correta.

“Acho que as editoras brasileiras foram muito espertas ao negociar com esses players internacionais”, diz Edward Nawotka, editor do site Publishing Perspectives, especializado no setor. “Elas conseguiram obter contratos de vendas realmente decentes da Amazon. Problemas podem surgir se a Amazon adquirir muita fatia de mercado, então eles passarão a exercer pressão sobre as editoras por acordos melhores para eles, como aconteceu nos Estados Unidos.”

Por aqui, a Associação Nacional das Livrarias também se arma. Em uma carta aberta, ela defendeu que lançamentos demorem 120 dias para chegar ao digital. “É bom que o livro digital venha, mas é importante que as livrarias sobrevivam”, diz o vice-presidente da ANL, Augusto Kater. A medida, para a presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Sônia Machado Jardim, só incentivaria mais a pirataria que, para ela, é o “maior inimigo”. “Se o livro que estiver bombando não estiver no digital, as pessoas vão escanear e lerão do mesmo jeito.”

Na questão do preço, o Brasil seguiu uma espécie de convenção internacional que limita em 30% o desconto do livro físico para o digital. Isso garante competitividade ao papel, mas não anima o consumidor.
Para analistas, o mercado de e-books deverá ficar restrito a um pequeno público, composto basicamente de pessoas de renda mais alta e que já tenham tido contato com dispositivos móveis de leitura. “Quem compra livros impressos hoje, com preços médios de R$ 50, não terá dificuldade em adquirir e-readers”, diz Gerson Ramos, consultor de mercado editorial para a Nielsen e para a Fundação Biblioteca Nacional. “Estamos falando de um poder aquisitivo bem maior do que a média – grande parte inclusive já possui tais aparelhos.”

Ramos diz ainda que o e-reader da Amazon oferece os melhores preços de e-books no Brasil – mas tem limitações. “O Kindle, por ser um aparelho de uso exclusivo tende a ter um alcance menor, pois além de tudo, ele não permite outras funcionalidades além da leitura de e-books.”
Há quem aposte no fracasso dos e-readers (que tiveram suas vendas reduzidas em 75% entre o fim de 2011 e o início de 2012) diante dos tablets. Além de serem multifuncionais, os aparelhos estão ficando mais baratos – caso do Kindle Fire e do Google Nexus 7, com preço inicial de US$ 200 – e não demoraram para aterrissar por aqui.

Sai ganhando o aparelho mais amigável e o que oferecer conteúdo mais barato. A Livraria Cultura e seu Kobo, Google e Apple aceitam ler e-books de outras empresas (basta baixar o respectivo aplicativo). Resta saber se Kindle, restrito apenas ao formato da Amazon e preço de R$ 300 no Brasil, terá aqui a mesma adesão que tem lá fora.

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Leia mais:
Link no papel – 10/12/2012

Amazon chega ao Brasil com e-books e Kindle

  • 6 de dezembro de 2012|
  • 3h38

Por Murilo Roncolato

A Amazon chega vendendo somente e-books e Kindle por US$ 299; o Google, por sua vez, começa a vender filmes e livros em sua loja virtual

SÃO PAULO – A Amazon chegou ao Brasil com seu site na madrugada desta quinta-feira, 6. Na página, por enquanto só é possível comprar e-books com valores em reais. Nenhuma categoria de produto original da Amazon americana, como livros físicos ou dispositivos eletrônicos, está disponível por aqui. O leitor eletrônico da empresa, o Kindle, é anunciado pelo site, porém estará à venda somente “nas próximas semanas” e “será oferecido por lojas locais”, segundo a empresa.

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A versão do Kindle anunciada é o modelo mais simples, e será vendida por R$ 300 – nos Estados Unidos, o mesmo aparelho custa US$ 69. Quem tiver interesse em receber informações sobre como e quando adquirir o aparelho deve cadastrar seu e-mail neste link. Até lá, é possível acessar e-books da Amazon pelo aplicativo do Kindle disponível em várias plataformas.

A empresa criou uma página no Facebook e uma conta no Twitter especificamente para a divulgação de notícias sobre o Kindle.

Segundo documento da Junta Comercial, informado pelo portal G1, a Amazon possui escritório na Av. das Nações Unidas, capital de R$ 5 milhões, está voltada para o “comércio varejista de outros produtos não especificados” e está sob o comando de Alexandre Szapiro, ex-diretor da Apple no Brasil.

O problema de transferir

Um fato da vinda da empresa, no entanto, pode ser mal recebido pelos usuários. Agora que o site está disponível no Brasil, é possível transferir as contas antes registradas na Amazon.com para a Amazon.com.br. O detalhe é que, fora os livros e aplicativos – que serão mantidos –, o usuário perderá tudo. Por tudo, entenda assinaturas de publicações diárias e periódicos, visualização de filmes adquiridos e acesso ao Amazon Cloud Player e a sua biblioteca de músicas.

Sobre assinaturas de jornais e revistas, o site explica: “assinaturas atualmente ativas serão canceladas se a conta for transferida para outro país. Um reembolso proporcional será feito caso haja ainda edições pendentes já pagas. Uma vez que as assinaturas forem canceladas, você não poderá mais ser capaz de acessar conteúdo já visto. A disponibilidade de assinatura de periódicos varia conforme o mercado.” (veja abaixo)

Há uma página específica para promoções, mas vale a pena comparar o preço do e-book com o do correspondente em formato físico. Para isso, visite os sites das livrarias, use comparadores (como o Buscapé) e sites que acompanham o histórico dos preços de vários produtos (JáCotei e Baixou).

Google, livros e filmes

O Google também chegou sorrateiro nesta madrugada apresentando como novidade a venda de livros e filmes pela loja virtual, a Google Play. Além dos apps, agora os usuários poderão comprar livros eletrônicos e alugar ou comprar filmes (nacionais, internacionais, comédia, animes, dramas, super produções). Veja mais aqui.

Ao alugar, o usuário deverá escolher entre baixa ou alta resolução (o que afetará o preço) e ficar de olho nos prazos, que variam de filme para filme. Avatar, por exemplo, deve ser visto em 30 dias e após o usuário dar o play, o usuário tem 48 horas para vê-lo; já O Poderoso Chefão 2, fica disponível por apenas 24 horas após o início da visualização.

Os livros do Google podem ser lidos no tablet da Apple, no leitor eletrônico Kobo (já disponível no Brasil) e outros (veja a lista completa aqui). Para assistir aos filmes, o Google recomenda baixar o app Google Play Filmes, mas ainda há outras formas.

O que achou da chegada das duas gigantes ao Brasil? Conte-nos abaixo!

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Leia mais:
Google começa a vender livros digitais e filmes

O primeiro Natal do livro digital no Brasil

  • 5 de dezembro de 2012|
  • 11h38

Por Redação Link

Com início das vendas do Kobo hoje e a iminente chegada da Amazon, novo cenário editorial começa a se formar no País

Os leitores eletrônicos Kindle e Kobo lado a lado

SÃO PAULO – Era consenso no mercado editorial que a venda de e-books só deslancharia no País quando o brasileiro pudesse comprar um e-reader barato e funcional. Esse dia parece ter chegado. A partir de hoje, estará à venda no site e nas 16 lojas da livraria Cultura – e, a partir de 16, também na nova filial do Rio, a ser inaugurada na Cinelândia – o Kobo Touch, por R$ 399. É o primeiro passo para um Natal digital, fenômeno que vem se repetindo nos últimos anos nos Estados Unidos e em países europeus, no dia 26 de dezembro: quem ganha e-reader de presente compra livros para testá-lo. E o processo é tão fácil que o consumidor acaba comprando muito.

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“O Kobo vai ser um belo e diferente presente de Natal”, diz Sergio Herz, CEO da Cultura. Pequeno, leve e com tecnologia touchscreen e-ink, mais parecida com o papel, ele tem capacidade de armazenamento de mil livros, podendo chegar a 30 mil com cartão de memória de 32 GB. A pré-venda iniciada na semana passada superou as expectativas da rede, que já começou a despachar os pedidos. Quem deixou para comprar pessoalmente encontrará um corner nas lojas e poderá experimentá-lo. Até o Natal, outros dois modelos devem estar à venda: um mini e um com tela própria para ler no escuro.

Entre as estrangeiras, a canadense Kobo foi a primeira a chegar de fato. “Mas não acredito que ficaremos sozinhos por muito tempo”, diz Camila Cabete, representante da empresa no Brasil. A Amazon deve anunciar a qualquer momento o esperado início de suas operações.

Depois de muito negociar, ela finalmente tem contrato com as maiores editoras e está com os arquivos dos maiores best-sellers, como Cinquenta Tons de Cinza (Intrínseca), de EL James, a obra mais vendida do ano em papel. Basta agora convertê-los para o seu formato. Mas ela também precisa ter o Kindle no Brasil para entregar rapidamente, em tempo das festas de fim de ano. Dizia-se que havia um lote preso num porto do Sul do País. Outra questão será a apresentação do aparelho. Como ele não é muito conhecido do público brasileiro, ajudará nas vendas se ele estiver exposto em alguma loja física.

Nesse último ano, falou-se que a gigante americana estaria negociando a compra da Netshoes e até da Saraiva, mas nada foi confirmado. A parceria com a Saraiva ainda é esperada. Com cerca de 100 lojas espalhadas pelo País, ela seria uma boa vitrine para o Kindle. Ou então com a CBD, que opera Pão de Açúcar, Extra, Ponto Frio e Casas Bahia. A Amazon tentou fazer isso recentemente e sem sucesso com a Cultura, e segundo informações do mercado a conversa com outros varejistas também não evolui porque a Amazon é tida como concorrente – ela chegará vendendo livro, mas comercializa todos os tipos de produtos.

A Kobo é reconhecida como uma empresa mais amigável que a Amazon, segundo o mercado. Apesar de o aparelho ser vendido pela Cultura, não é necessário comprar o livro dela, uma vez que a Kobo usa o formato epub, o mais comum. Já o usuário da Amazon fica refém da empresa. O formato do arquivo só é compatível com seus próprios aparelhos e a compra deve ser feita na Amazon.

Elas não são as únicas a lutar por uma fatia deste pequeno mas promissor mercado. Desde o final de outubro, a Apple, dona do iPad, vende e-books nacionais. Faz isso, porém, de forma improvisada, a partir de sua loja internacional. Ou seja, paga-se em dólar e tem acrescida na fatura do cartão de crédito a cobrança de IOF. É uma forma de vender, e editores se surpreenderam com a procura nos primeiros dias. No entanto, para movimentar de verdade o mercado terá de abrir sua ibookstore aqui.

“2012 é o ano zero do mercado digital. O que vendemos até agora não vai ser nada comparado com o que está por vir em 2013″, disse ontem Mauro Palermo, diretor da Globo Livros, minutos antes de assinar o contrato com a Amazon. A editora de Ágape, best-seller do padre Marcelo Rossi, fechou também com Kobo e Apple e está em vias de assinar com a Google. No total, a Globo tem 150 e-books, que representa 15% de seu catálogo.

Segundo Roberto Feith, diretor da Objetiva, o digital já responde por 2% das vendas. “Com a estreia de Kobo, Amazon e Google, este porcentual vai aumentar muito. Em 2013, estimo que o digital possa fechar o ano com perto de 10% das vendas totais”, comenta. Em recente entrevista ao Sabático, ele disse que esperava que este fosse o primeiro Natal digital. “Continuo achando, e espero que tanto Amazon quanto Google estreiem este ano.”

A Companhia das Letras, uma das últimas a assinar com Amazon – as conversas duraram um ano e meio -, também está otimista. “Começamos 2012 com 200 títulos e vamos fechar o ano em 600. Foi um tempo de preparação. Agora o jogo começou”, diz Fábio Uehara, coordenador de negócios digitais da editora, que já fechou também com Kobo e Apple. Com a Google, as negociações estão avançadas.

Quem está com medo é a Associação Nacional de Livrarias. Nesta semana, ela manda carta em que expõe seus receios para Dilma Rousseff, Marta Suplicy e entidades do livro. Pede que o desconto não passe de 30%.

O cenário está se armando. O boom ocorrerá se o brasileiro comprar a ideia de ler o livro digital. A Companhia das Letras dobrou a venda de e-books em outubro deste ano em comparação ao mesmo período de 2011. É um bom termômetro.

/Maria Fernanda Rodrigues, do O Estado de S.Paulo

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Amazon divulga domínio .br e deve chegar ao País

  • 30 de novembro de 2012|
  • 20h44

Por Redação Link

O endereço ‘amazon.com.br’ pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará

SÃO PAULO – A chegada da Amazon ao Brasil, especulada para o mês de dezembro, parece estar mesmo iminente:  a empresa enviou a autores e editores um e-mail de confirmação com o endereço amazon.com.br – domínio brasileiro da gigante do varejo.

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A mensagem foi revelada pelo escritor David Gaughran, que postou a imagem  em seu Twitter. O e-mail foi enviado autores e editoras recém-cadastradas no Kindle Direct Publishing, o programa de publicação próprio da empresa.

O site ‘amazon.com.br’ antes pertencia a uma empresa de TI baseada na capital do Estado do Pará. A varejista, no entanto, venceu a disputa pelo domínio em setembro. A empresa paraense mudou seu site para www.amazonet.com.br.

A divulgação do novo domínio reforça rumores de que a empresa chegaria ainda neste ano

Amazon chegará no País com seu e-reader Kindle. Foto: Eric Thayer/REUTERS

Por aqui, a empresa acaba de selar acordos com a Companhia das Letras, além de outros já firmados com a Distribuidora de Livros Digitais – que agrega Rocco, Novo Conceito, Planeta, Objetiva, Record, LPM e Sextante, Ediouro e Globo Livros.

A Cia das Letras afirmou em comunicado que seu catálogo de livros digitais – mais de 500 títulos – estarão acessíveis “em breve” nos leitores eletrônicos da Amazon, o Kindle.

Concorrência

Em outubro, a loja virtual da Apple já começou a comercializar livros para brasileiros – além dos clássicos gratuitos do Project Gutenberg. Desde julho, o Google anunciava sua chegada ao País. No último mês, soube-se concretamente de acordos selados entre a empresa americana e editoras, mas não se confirma ainda a data de estreia do serviço no País.

Neste mês, a canadense Kobo (pertencente à japonesa Rakuten) fincando os pés no Brasil com sua parceria com a Livraria Cultura, anunciou o início das vendas do seu leitor eletrônico, previsto para o início de dezembro. O e-reader pode ser encomendado pelo site da livraria por R$ 399.

Conforme apuramos em julho, o mercado brasileiro já se prepara para a chega iminente da varejista americana, mas se mostra confiante. O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, à época dizia que não temia a sobreposição dos e-books ao livros tradicionais. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado”, afirmou. “Tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

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CEOs trocam insultos em guerra de tablets

  • 26 de outubro de 2012|
  • 18h39

Por Reuters

Tim Cook, CEO da Apple, ataca o tablet recém-lançado da Microsoft, que por sua vez critica o iPad mini; Amazon também peita rivais

SÃO FRANCISCO – Os maiores nomes do setor de tecnologia ao consumidor, incomodados com uma sequência de resultados trimestrais decepcionantes anunciados este mês, estão se preparando para uma temporada de festas de fim de ano que contará com a mais feroz batalha dos últimos anos.

iPad mini, da Apple; Surface, da Microsoft e Kindle Fire, da Amazon: disputa acirrada pelo mercado de tablets. FOTOS: Divulgação

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Investidores e consumidores decidiram desconsiderar os números trimestrais fracos de gigantes da tecnologia como Microsoft, Apple, Google e Amazon. O que conta são os próximos 60 dias, quando os maiores nomes da tecnologia travarão uma batalha de intensidade e escala quase inéditas.

Na quinta-feira, 25, a Amazon comparou o Kindle Fire com o novo iPad mini ponto a ponto, na divulgação de resultados trimestrais. O presidente-executivo da Apple, Tim Cook, no mesmo dia, comparou o tablet Microsoft Surface a um carro sofisticado demais, capaz de voar e flutuar. E a Microsoft atacou o iPad, alegando que seu Surface oferecia duas vezes mais memória.

Todos os três tablets disputarão o dinheiro cada vez mais escasso dos consumidores, na temporada de festas. A coisa está ficando feia, pelos padrões da tecnologia.

“O crescimento está nos tablets. É por isso que eles todos estão brigando quanto a isso. Os embarques de PCs caíram, e alguns compradores de tablets talvez nunca mais comprem um computador”, disse Michael Alenson, diretor de consultoria estratégica de tecnologia e telecomunicações na Maritz Research. O confronto iminente ainda está longe de decidido.

A Apple, favorita na disputa, perdeu parte da aura de invencibilidade quando o Google Android e os produtos Samsung começaram a ganhar terreno nos celulares inteligentes, diante da blitz de marketing da Microsoft, e com a concorrência feroz do Amazon Kindle, o segundo mais vendido entre os tablets no mercado norte-americano.

Essa concorrência afetou o preço das ações da Apple, que caíram para a mínima em três meses depois que a companhia reportou o segundo trimestre consecutivo de resultados decepcionantes, o que maculou sua reputação de sempre superar as expectativas de Wall Street.

O Google está lutando para se ajustar aos padrões publicitários do mercado móvel, e a Microsoft tem de encarar as resenhas nada lisonjeiras sobre seu sistema operacional Windows 8 e tablet Surface.

Enquanto isso, a projeção que a Amazon apresentou para o período de festas está sendo considerada decepcionante e a rede de varejo de eletrônicos Best Buy alertou na quarta-feira, 24, que suas vendas e margens de lucro estão em queda.

Mostrando as garras

As companhias de tecnologia esperam que os resultados mornos do terceiro trimestre signifiquem que os consumidores decidiram esperar para comprar eletrônicos mais novos no Natal — do Fire mais barato, a US$ 159, até um Surface por US$ 499 ou o mais novo iPad, por US$ 829.

O setor de tecnologia está enfrentando uma mudança fundamental, dos computadores de mesa ou laptops pesados para aparelhos móveis leves como os tablets, que viraram de cabeça para baixo o modelo tradicional dos computadores e levaram empresas como Google e Microsoft a investir forte na fabricação de hardware.

Seu ingresso está intensificando a concorrência. Empresas como a Apple, em geral, dedicam tempo a elogiar seus próprios produtos, mas dada a intensificação da concorrência, Cook fez uma menção menos que gentil à Microsoft na quinta-feira: ”Não usei o Surface pessoalmente, ainda, mas pelo que lemos a respeito, é um produto deficiente e confuso”, disse, acrescentando, mais tarde: “Suponho que seja possível projetar um carro que voe e flutue, mas não acho que ele faria bem todas essas coisas.”

Cook pode ter falado em tom de brincadeira, mas sua piada foi vaiada no Twitter, porque muitos adorariam um carro que voasse e flutuasse.

O presidente-executivo da Microsoft, Steve Ballmer, parecia bastante impressionado com seu produto, apesar de resenhas que o definiam como “decepcionante” e “prematuro”.

“Temos um aparelho que funciona bem como PC ou tablet, sem comprometer qualquer das funções”, disse Ballmer à Reuters Television antes do lançamento do Surface, na quinta-feira. “Trabalho. Diversão. Tablet. PC. Um produto só!”

O presidente do conselho do Google, Eric Schmidt, atacou a Apple em palestra este mês pelos problemas em seu sistema de mapas, depois que ela abandonou o Google Maps no iPhone: ”A Apple aprendeu que mapas são difíceis. Bem difíceis”, disse. “Deveriam ter continuado com os nossos mapas.”

Jeff Bezos, da Amazon, também atacou sutilmente os altos preços da Apple no anúncio de resultados da empresa, na quinta-feira, dizendo que “nossa abordagem é trabalhar com afinco para cobrar menos”.

Abaixo do comentário, a Amazon fazia comparações diretas de preços entre o tablet Kindle Fire HD, com tela de 8,9 polegadas e preço de 299 dólares; o Kindle Fire HD de sete polegadas e preço de US$ 199; e o Apple iPad mini, revelado na terça-feira.

Analistas se surpreenderam com os ataques diretos da Amazon a rivais:  ”Nunca os tinha visto comparar produtos em um anúncio de resultados, e atacando os rivais de modo tão direto”, disse o analista RJ Hottovy, da Morningstar. “Isso mostra que eles levam a guerra dos tablets muito a sério.”

/REUTERS 

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