Estadão.com.br

G8 da web pede cautela ao regular a internet

  • 25 de maio de 2011|
  • 18h44

Por Agências

A cúpula tecnológica do G8 (grupo que agrega os países europeus e os principais emergentes), que reuniu durante dois dias algumas das principais personalidades do mundo da internet, se encerrou nesta quarta-feira, 25, com um pedido geral aos governos para que sejam “muito prudentes” na regulação de seu uso.

O presidente-executivo do Google, Eric Schmidt, defendeu a autorregulamentação da internet por parte das empresas. FOTO: Bob Edme/AP

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Tal gesto foi a resposta ao desafio lançado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, anfitrião do encontro que pediu que os participantes do fórum concretizassem o papel que os Estados devem ter na revolução digital da rede.

Oito dos “gurus” da web vão expor na quinta-feira aos oito líderes dos países mais industrializados as conclusões de dois dias de intensos debates que contaram com a presença, entre outros, dos responsáveis de Facebook, Google, Wikipedia e eBay.

Sarkozy tinha advertido na abertura do encontro que o desafio surgido com a internet não pode ficar às custas da vigilância dos governos, “os únicos representantes legítimos da vontade geral”.

Ao mesmo tempo, alertou dos perigos existentes para a proteção da infância, dos direitos autorais, e do uso para fins violentos que comporta um mal uso da rede.

Na França, uma lei aprovada no ano passado estabeleceu punições severas para pessoas que fazem downloads de arquivos ilegais, com advertências, multas e até o corte da conexão. A lei ganhou o apelido de Hadopi, nome do órgão criado para monitorar os casos downloads ilegais junto dos provedores de internet.

Resposta. Mas, na mesa-redonda que encerrou o encontro, a maioria dos participantes mostrou ressalvas ao intervencionismo estatal para regular o uso da internet e, por sua vez, pediu aos governos que facilitem um acesso universal à banda larga.

“A internet potencia o crescimento econômico e a criação de emprego”, lembraram os participantes, que pediram aos líderes mundiais que não “rompam” essa dinâmica com novas limitações legais que ponham em perigo o “espírito empreendedor” da rede.

No entanto, os participantes defenderam o papel controlador dos poderes políticos na regulação da segurança e da privacidade na rede, naqueles casos quando o setor público não garante sozinho um equilíbrio satisfatório.

O fato de que o acesso à rede permaneça nas mãos de “poucos guardiões” foi outro dos aspectos que alguns participantes assinalaram a regulação governamental como positiva para favorecer a concorrência.

Mas o encontro concluiu que a internet deve ser um espaço de liberdade, e a melhor prova disso é o sucesso da rede social Facebook, à qual Sarkozy reconheceu um papel preponderante no desenvolvimento das revoltas no Egito e Tunísia, tal importância que foi minimizada pelo fundador do site, Mark Zuckerberg, que considerou que o Facebook não foi “nem necessário nem suficiente” no início das revoltas árabes.

“Se não tivesse sido pelo Facebook, teria sido com a ajuda de outra coisa”, afirmou o multimilionário, estrela da segunda sessão do encontro.

Vestido com calça jeans, Zuckerberg assegurou que o desejo de compartilhar experiências explica o sucesso da rede social, e que essa necessidade “chegou para ficar”.

“Estamos mais próximos do início desta tendência que do final”, concluiu Zuckerberg.

/ EFE

‘Davos da internet’ debate regulação na web

  • 25 de maio de 2011|
  • 7h36

Por Redação Link

Andrei Netto
CORRESPONDENTE
PARIS
* Publicado no caderno ‘Economia & Negócios’ desta quarta-feira, 25.

Na mais pura tradição da França, o presidente Nicolas Sarkozy pediu na terça-feira, 24, em Paris, a líderes políticos e empresariais reunidos no e-G8, que os Estados aumentem a regulação da internet. O evento, apelidado o “Davos da web” e destinado a discutir o impacto econômico da rede mundial, trouxe a Paris astros da nova economia, como Mark Zuckerberg e Eric Schmidt, de Facebook e Google, e da velha, como o diretor-presidente da NewsCorp, Rupert Murdoch. Todos ouviram o discurso: “Não deixem a revolução que vocês lançaram veicular o mal sem entraves, sem freios”.

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A reunião teve início na manhã de terça, em um auditório montado nos jardins de Tulherias, junto ao museu do Louvre, centro da capital francesa. Do lado de dentro, desfilava uma pequena multidão de grandes empresários da web. Foi a eles que Sarkozy se dirigiu. Em um primeiro momento, o presidente homenageou a internet, que “mudou o mundo” e estimulou a Primavera Árabe, como as revoluções em curso são chamadas na Europa.

“Os povos dos países árabes mostraram ao mundo que a internet não pertence aos Estados. A opinião internacional pôde constatar que a internet tornou-se um vetor de poder inédito para a liberdade de expressão”, afirmou. “Ninguém pode controlar ou parar a internet.”

A seguir, porém, Sarkozy caiu na tentação regulatória, contradizendo seu próprio discurso. O chefe de Estado lembrou que o crescimento econômico e as leis de propriedade intelectual estão sendo impactadas pela internet, o que exige, na sua opinião, “um mínimo de regras”. “Não deixem que a internet torne-se um instrumento nas mãos dos que querem ameaçar a nossa segurança, e logo a nossa integridade”, argumentou.

O presidente-executivo e ex-CEO do Google, Eric Schmidt, fez ressalvas sobre maior controle da internet proposto pelo presidente francês Nicolas Sarkozy. FOTO: Philippe Wojazer/REUTERS

Sarkozy elogiou os empresários, a quem comparou Galileu, Colombo e Newton, por terem “transformado os fundamentos da economia mundial, da qual se tornaram atores maiores”. Para o francês, eles são “os únicos representantes legítimos da vontade geral” na internet. ”Vocês não podem se exonerar de valores mínimos, de regras mínimas.”

Segundo Sarkozy, dada a importância econômica da internet, é preciso controlá-la. “Se a tecnologia deve continuar neutra, seus usos não o são”, argumentou. “Ninguém deve poder impunimente expropriar do produto suas ideias, de seu trabalho, de sua imaginação, de sua propriedade intelectual”.

Ao discurso da regulação, Eric Schmidt retrucou: “Antes de decidir que nós precisamos de soluções regulatórias, perguntemos a nós mesmos se há soluções tecnológicas para resolver o problema globalmente”, defendeu. ”Nós iremos muito mais rápido do que os governos.”

Já Jeff Jarvis, fundador de Amazon, defendeu a proposta de Sarkozy. ”Evocar segurança em face ao terrorismo vai atrapalhar os negócios? Respeitar os direitos autorais vai atrapalhar os negócios? Evitar novos monopólios atrapalha os negócios? Proteger as crianças atrapalha os negócios? E não creio que atrapalhe”, argumentou.

Fora do e-G8, organizações não-governamentais da web estão mobilizadas contra o evento. DegenereSciences, um dos grupos pró auto-regulação da internet, denunciou a reunião como uma tentativa de “vigiar e punir, gerando lucros”.

Gigantes da internet participam do G8

  • 24 de maio de 2011|
  • 16h13

Por Agências

O G8 (grupo que agrega os países mais ricos do mundo e os principais emergentes) reuniu nesta terça-feira, 24, as principais personalidades do mundo da web às vésperas da cúpula do bloco para debater a necessidade de controlar a rede e os pedidos de liberdade em prol do crescimento econômico.

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O presidente da França, Nicolas Sarkozy, cujo país preside o G8 e que promoveu a ideia de reunir os responsáveis de empresas como Facebook, Google, Wikipedia e eBay, abriu o encontro com um apelo pela liberdade na internet, mas com o controle que deve ser imposto pelos Estados.

A proteção da infância, a luta contra o terrorismo e a defesa da propriedade intelectual são alguns dos aspectos que, segundo Sarkozy, justificam o fato de os governos terem a rede sob seu controle, sem que isso implique em empecilhos à ambição de transformá-la em um “vetor de liberdade”.

O presidente francês atribuiu um papel fundamental à internet na difusão da liberdade e deu como exemplo as revoluções na Tunísia e no Egito, mas frisou que isso não impede que a internet tenha que ter certo controle.

“Não deixem que a revolução que lançaram estenda o mal sem impedimentos. Não deixem que se transforme em um instrumento nas mãos dos que querem atentar contra nossa segurança, nossa integridade”, afirmou.

Para definir os limites que existem entre a liberdade da internet e o controle que deve ser instaurado pelos Estados, Sarkozy afirmou que é essencial que haja este debate, cujas conclusões serão apresentadas aos líderes do G8 na cúpula dos próximos dias 26 e 27 de maio em Deauville, no noroeste da França.

“Alguns dos Estados mais potentes do mundo devem agora reconhecer seu papel na história”, disse o presidente francês, que condenou as tentativas de se tirar dos governos de países democráticos o direito de representar os povos.

Após o discurso de Sarkozy, foram realizadas várias mesas-redondas que começaram por uma na qual se abordou a importância da internet como meio de desenvolvimento econômico.

Em meio aos debates foi divulgado um estudo preparado para a ocasião que aponta que a internet representa 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nos oito países mais industrializados do mundo mais Brasil, China, Índia, Coreia do Sul e Suécia.

O ex-CEO do Google, Eric Schmidt (à esq.) ao lado do CEO da Vivendi, Jean-Bernard Levy. FOTO: Philippe Wojazer/REUTERS

Os participantes se lançaram em defesa da liberdade empresarial na web para potencializar sua contribuição à economia, e enquanto alguns, como o chefe do Google, Eric Schmidt, defenderam as grandes estruturas, outros, como o presidente do eBay, John Donahoe, apostaram nas pequenas empresas que sempre foram “a base” das gigantes da internet.

“É preciso derrubar as fronteiras que limitam os empreendedores. As grandes empresas, que são as que criam mais riqueza, surgem de microestruturas”, afirmou Schmidt.

No debate também foi tratado o papel da internet como motor das revoltas populares nos países árabes e o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, lembrou que as redes sociais também estão na origem do movimento de protesto que acontece neste momento na Espanha.

A diretora-geral do Facebook, Sheryl Sandberg, declarou que sua empresa se limita a disponibilizar tecnologia e que são os internautas que lhe conferem utilidade, que pode ser “desde criar um grupo de amigos que gostam de caminhar sobre folhas secas a lançar revoluções”.

Na discussão sobre as distinções entre a internet controlada pelo poder e a que exerce a autogestão, Jimmy Wales, criador da Wikipedia, a enciclopédia feita por internautas, reivindicou seu papel de “memória” da sociedade.

“Dizem que os elefantes não esquecem nunca. Pois bem, a Wikipedia é um grande elefante”, afirmou, antes de ser ovacionado pela plateia.

/ EFE

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