Visorama
- 2 de julho de 2010|
- 21h07
Por Fernando Martines
Do Oi Futuro, espaço cultural no Rio de Janeiro, qualquer visitante pode ir direto para a praia de Copacabana ou para a biblioteca do Real Gabinete Português. Mais que isso: em cada um desses locais a pessoa pode viver três histórias diferentes, com personagens e desdobramentos diferentes. Tudo isso sem sair da exposição de arte que ocorre por ali.
A situação acima acontece toda que vez alguém que está passeando pelo Oi Futuro e resolver parar e usar o Visorama na instalação do artista André Parente. Visorama é o nome do “binóculo” idealizado por André. Binóculo assim, em aspas, porque o aparelho não é só isso. Ele é um visor que, além de poder produzir um ambiente virtual completamente fictício e 3D para quem está usando-o, possui uma câmera que capta o que se passa no ambiente e mistura essas imagens com elementos de realidade aumentada.
O Visorama permite interação em ambientes fictícios e em realidade aumentada (Foto: Divulgação)
Na instalação de André, o Visorama funciona da primeira maneira. A pessoa, dentro de uma sala vazia, ao colocar o visor, passa a ter a sensação de andar nas areias de Copacabana ou na biblioteca portuguesa. Encontra com personagens, entra em portas. Essa interação se dá por meio de botões que também fazem parte do aparelho.
O segundo uso é descrito por Ruben Zonenschein, presidente da Digitok, empresa que financiou e está lançando comercialmente o Visorama: “Se ele for instalado no Cristo redentor, a pessoa pode ir olhando para a paisagem que a câmera capta e, conforme olha para um bairro, um texto ou áudio surge para explicar que bairro é aquele, como surgiu, curiosidades e tudo que pode ser imaginado”.
A ideia da criação do Visorama veio em 1996. Na ocasião, o artista André Parente procurou um amigo matemático do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e juntos desenvolveram os dois primeiros modelos do Visorama. Passados 14 anos, a alta definição chegou e permitiu que a experiência de imersão ficasse bastante realística: “As navegações no Visorama são feitas em imagens de 10 e até 20 gigapixels, o que permite que a pessoa se deixe levar por aquele mundo”.
Até devido ao alto preço de R$ 75 mil, criador e financiador do Visorama acreditam que ele deve ser adquirido por instituições e não por pessoas. André Parente enumera possíveis usos além de criações artísticas: “No turismo histórico, por exemplo. Como o exemplo do Cristo Redentor. A pessoa tanto pode usar o Visorama e ter a vista da cidade em diferentes épocas com a sensação de que voltou no tempo, como também pode usar a função com realidade aumentada, que permite que ele olhe o presente e vá aprendendo sobre o local. No museu, então, o tipo de uso que pode ser feito é ilimitado”.
Perguntado sobre o que acha da escalada da tecnologia 3D e realidade virtual, Parente afirma que “nada tem contra Avatar”, mas “é um filme que nada mudou a linguagem do cinema”. “A experiência tecnológica deve corresponder a uma vontade artística. É a obra de arte que justifica a tecnologia e não o contrário” sentencia o artista, que acha que o uso que faz de seu aparelho é, sim, um passo nessa direção: “Com o Visorama , temos por um lado com invenção tecnológica e um trabalho de arte atento as questões da gente, à nossa realidade, à nossa paisagem, à nossa maneira de ver o mundo”.
A exposição de André Parente no Rio de Janeiro ficará até este domingo, 4, no Oi Futuro. A entrada é gratuita. O artista garante que ano que vem vai a São Paulo com seu cinema interativo – “claro que irei mudar os roteiros, serão paulistas. Um provavelmente irá levar a pessoa à Avenida Paulista de décadas atrás”.
O aparelho custa R$ 75 mil e trabalha com imagens de até 20 gigapixels
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