Super amigos
- 3 de abril de 2011|
- 18h20|
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Por The New York Times
O Facebook quer ser melhor e mais veloz do que todas as empresas de tecnologia na realização de um objetivo importante: ficar amigo de Washington. Para isso, compôs seu quadro de funcionários com nomes de destaque dos dois principais partidos norte-americanos, reforçando seu poder de fogo para batalhas futuras em Washington e além.
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Entre eles estão Sheryl Sandberg, ex-funcionária do governo Clinton e atual diretora de operações da empresa, e Ted Ullyot, que foi escrevente do juiz Antonin Scalia, da Suprema Corte, e atua como conselheiro geral da empresa. O mais recente candidato a funcionário é Robert Gibbs, ex-assessor de imprensa da Casa Branca de Obama, que o Facebook quer contratar na sua equipe de comunicações.
Não faltam motivos para tal iniciativa. O Facebook está redefinindo o que é privacidade e transformando a mídia e a publicidade. Embora tenha sido criticado por deslizes envolvendo a privacidade dos usuários, continua querido entre políticos – recebendo até notável menção no discurso sobre o Estado da União (leia mais abaixo). O Facebook observou os erros da Microsoft e do Google e sabe que as escaramuças atuais são só o prenúncio de sérios embates envolvendo a influência da empresa na economia e no aspecto social da internet. Por isso, está erguendo uma defesa sólida.
“A informação é o ouro da economia na era atual”, diz Paul M. Schwartz, professor de direito e especialista em tecnologia da informação na Universidade da Califórnia. Para ele, o Facebook percebeu que as exigências de regulação se acumulariam rapidamente, feitas não só por usuários e grupos militantes como também pela concorrência.
“Eles estão agindo preventivamente em vez de esperar pelos problemas”, diz Schwartz. O Facebook diz compreender a importância de fazer-se presente em Washington, principalmente para explicar o funcionamento do seu serviço e os muitos recursos e políticas de privacidade aos legisladores e às autoridades reguladoras. Mas afirmou não dar importância ao fato de manter elos com os dois lados do espectro político. “Procuramos pessoas apaixonadas pelo Facebook, que compreendam as questões de privacidade e sejam capazes de se antecipar a elas”, diz Marne Levine, ex-funcionária do governo Obama que entrou para o Facebook no ano passado como vice-presidente de diretrizes públicas globais. Ela disse que o Facebook contrata pessoas de diferentes afinidades políticas para trazer “diversidade de perspectivas à equipe”.
Defensores da privacidade se queixam das novas contratações do Facebook, pois dizem que os laços cada vez mais próximos entre a empresa e Washington vão abafar queixas válidas envolvendo políticas do Facebook. Outros analistas concordam que as iniciativas do Facebook lhe renderão influência significativa.
“Vai ficar mais difícil para os defensores da privacidade convencerem o Congresso de que o Facebook pode ser um problema”, diz Chris Jay Hoofnagle, diretor de programas de privacidade do Centro de Direito e Tecnologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ele diz que executivos com boas conexões não só garantem acesso a funcionários do governo como também, no caso dos representantes eleitos, podem apresentar a eles a ideia de que o Facebook pode ser uma poderosa ferramenta de campanha. “Uma das grandes questões é mostrar aos legisladores que o Facebook é importante para suas campanhas”, diz Hoofnagle. “Quando os políticos entenderem isso, o Congresso deixará o Facebook em paz.”
Embora em Washington os tentáculos do Facebook se estendam para ambos os lados, os democratas estão em maior número na empresa, assim como em boa parte do Vale do Silício. Sheryl, a número dois do Facebook (atrás só de Mark Zuckerberg), desenvolveu conexões profundas com o Partido Democrata quando foi chefe de equipe a serviço de Lawrence H. Summers no período em que ele foi secretário do Tesouro de Bill Clinton. Embora Sheryl se concentre no lado empresarial, ela se mantém ligada à política. “Estou atenta ao que ocorre na capital”, disse no ano passado. Em junho, o Facebook contratou Marne, que era chefe de gabinete do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca. Ela passou a fazer parte de um time cada vez maior em Washington no qual também trabalha Tim Sparapani, ex-membro da União Americana pelas Liberdades Civis com fortes laços com o Capitólio.
Mas a empresa não se esqueceu dos republicanos. Em 2008, contratou Ullyot, que foi advogado da Casa Branca e chefe de gabinete de Alberto Gonzales quando este foi procurador-geral no governo de George W. Bush. Na época de sua contratação, Elliot Schrage, chefe de comunicações do Facebook, disse ao Los Angeles Times que Ullyot “tem laços fortes com o Partido Republicano, coisa que consideramos um traço positivo”.
A operação política do Facebook ainda é pequena quando comparada às da concorrência. De acordo com a OpenSecrets.org, a empresa gastou US$ 350 mil em lobby em 2010. O Google gastou US$ 5,1 milhões.
Richard A. Epstein, professor de Direito da Universidade de Nova York, que prestou consultoria a empresas ensinando-as a evitar a regulação, disse que o Facebook aprendeu com o caso da Microsoft, cujo desprezo inicial em relação a Washington se tornou um ponto de fraqueza quando a empresa virou alvo dos reguladores que combatiam a formação de trustes na década de 1990. “Há tanto em jogo agora que as empresas estão contratando dois tipos de pessoas: as que conhecem algum tema importante e as que conhecem alguém importante”, disse Epstein.
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Leia mais:
• Análise: A estratégia de Obama junto ao Google e ao Facebook
• Link no papel – 04/04/2011
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