Sociedade Facebook
- 6 de novembro de 2010|
- 16h46|
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Por The New York Times
O Facebook, a mais bem sucedida startup da última década, tem apenas seis anos de existência e está longe de abrir suas ações ao mercado. Mas alguns dos primeiros funcionários da empresa estão abandonando empregos estáveis para abrir seus próprios negócios. Muitos deles vão embora depois de juntar boas quantias, seja no papel ou depois de vender sua participação no site, e partir atrás daquilo que fazem melhor: fundar empresas.
Dustin Moskovitz, 26 anos, que fundou o Facebook com seu colega de Harvard, Mark Zuckerberg, abandonou seu emprego na equipe técnica do site para criar a Asana, que produz software voltado para a cooperação entre trabalhadores. Outro cofundador, Chris Hughes, também de 26 anos, fundou a Jumo, uma rede social para “pessoas que desejam mudar o mundo”.
Dave Morin, 30 anos, ex-gerente sênior de plataformas, está desenvolvendo a Path, um investimento ainda sigiloso, enquanto Adam D’Angelo, diretor de tecnologia do Facebook, e Charlie Cheever, outro gerente de alto escalão, deixaram a empresa em 2008 e 2009, respectivamente, para fundar o Quora, site voltado para perguntas e respostas. Mais de meia dúzia de empresas iniciantes têm suas origens nos fundadores do Facebook que deixaram a rede social para trás.

Conheça Chris Hughes, Dave Morin e Dustin Moskovits
O fenômeno segue um padrão já visto em outros sucessos do Vale do Silício, como o Yahoo, o eBay e o Google: depois de acumular fortunas, os primeiros funcionários começam a deixar a empresa. Ex-funcionários do PayPal se tornaram fundadores do YouTube, do Slide e do Yelp e apostaram no Facebook. São conhecidos como a “Máfia do PayPal”. Os ex-funcionários do Google são chamados de “Xooglers”. Morin, que deixou o Facebook neste ano, sugeriu um nome para os colegas que optaram pelo mesmo rumo: Sociedade Facebook. “Somos sociais”, diz.
Mas a Sociedade Facebook difere das que a precederam. Outros empreendedores trocavam sua participação por dinheiro antes de deixar a empresa. Estes ex-funcionários do Facebook estão partindo antes mesmo de ser feita uma oferta pública inicial pelas ações da empresa.
Mas o que Zuckerberg está testemunhando é muito menos do que um êxodo em massa. O número de pessoas deixando a empresa tem sido até que relativamente pequeno.
Ex-funcionários do Facebook descrevem a empresa como um fantástico campo de treinamento. Zuckerberg acertou em cheio ao se concentrar no longo prazo e recusar anúncios no site durante seus estágios iniciais, bem como ofertas de aquisição feitas por outras empresas. Outros de seus colegas enfatizaram a questão do empreendedorismo.
Morin diz que sempre alimentou ambições empreendedoras, mesmo antes de entrar para o Facebook em 2006: “Meu sonho sempre foi começar uma empresa”. Depois de ajudar no desenvolvimento de dois elementos centrais do serviço do Facebook – Connect e Platform –, ele enxergou uma oportunidade no crescente uso dos smartphones e decidiu lucrar com a tendência antes que fosse tarde demais.
Em fevereiro, Morin deixou o Facebook e começou a trabalhar na Path, que deve apresentar seu serviço antes do fim do ano. Reuniu uma equipe composta por uma dúzia de funcionários que trabalham em apartamentos de alto padrão em São Francisco. No início, sua equipe testou um serviço que permitia aos usuários criar e partilhar listas na rede. Morin disse que desde então a empresa mudou de direção, mas não deu mais detalhes.
Ex-funcionários do Facebook dizem que o período passado na empresa lhes conferiu uma fantástica rede de contatos à qual podem recorrer. Apesar de os ex-funcionários do Facebook não se reunirem formalmente, muitas vezes eles pedem conselhos uns aos outros. Marcar reuniões com investidores também é mais fácil quando há uma empresa como o Facebook no currículo. Ex-colegas se revelam os investidores mais entusiasmados, fenômeno semelhante ao observado na Máfia do PayPal, cujos membros têm a reputação de investir nas empresas uns dos outros.
Matt Cohler, ex-vice-presidente do Facebook que hoje é um capitalista investidor ligado à Benchmark Capital, é a epítome da festiva família Facebook. Ele investiu parte do seu dinheiro e dos recursos da Benchmark em várias empresas fundadas por seus ex-colegas, como a Quora e a Asana.
Concorrer contra o Facebook?
Mas o relacionamento do Facebook com as empresas iniciantes que se formam ao redor de seus ex-funcionários inclui certa tensão. O Facebook é um concorrente difícil quando enxerga uma oportunidade, mesmo que essa oportunidade já seja o foco de alguns de seus ex-funcionários. A Quora apresentou ao público seu sistema de perguntas e respostas em junho. O Facebook lançou um serviço parecido no mês seguinte.
O Facebook tentou minimizar os conflitos fazendo que os funcionários atuais assinassem acordos que os impedem de invadir território alheio. Muitos ex-funcionários reconhecem que seu currículo os leva a ser alvo de uma pressão mais intensa por resultados positivos. Se as suas empresas fracassarem, eles sabem que figurarão nas manchetes dos jornais, enquanto outras empresas iniciantes que acabem quebradas podem não receber tanta atenção. /VERNE G. KOPYTOFF; TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
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Leia mais:
• Os ex-sócios de Zuckerberg
• ‘Link’ no papel – 08/11/2010
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