Simples como 2+2=4
- 11 de dezembro de 2011|
- 19h58|
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Por Redação Link
Filho de mãe solteira imigrante se apaixona pela matemática, frequenta as melhores universidades do país e propõe método de ensino usando YouTube e um programa para que alunos entendam a matéria tão temida
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Por Somini Sengupta, The New York Times
Jesse Roe, professor de matemática em uma escola pública de San José (Califórnia) tem uma espécie de olho mágico para vasculhar o cérebro de seus 38 alunos. Ele pode ver que uma aluna resolve muito rapidamente os exercícios de geometria, enquanto um rapaz está entretido com a lição de equações longas.
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O trabalho de cada aluno aparece no laptop de Roe. O software usado é criação de Salman Kahn, um gênio da matemática de 35 anos que estudou nas melhores universidades do país. Filho de uma imigrante mãe solteira, Khan virou sensação online com a Khan Academy e suas aulas de ciências no YouTube, com 3,5 milhões de visitas por mês. Agora, ele quer integrar as aulas digitais ao currículo escolar – uma proposta mais ambiciosa.
Neste semestre, pelo menos 36 escolas nos EUA estão pondo em prática o experimento de Khan, que consiste em dividir a tarefa do ensino entre homem e máquina, e combina as aulas dadas pelo professor em palestras e exercícios via computador.
As aulas e as ferramentas são grátis – disponíveis para todos que têm acesso a uma conexão razoavelmente rápida. “Nosso objetivo é dar instrumentos às pessoas que precisam deles”, disse Khan. “Vocês poderiam perguntar: ‘Por que precisa ser de graça?’ Mas, por outro lado, por que não deveria ser de graça?”.
Por enquanto, a pequena equipe de Khan tem subsídio de mais de US$ 16,5 milhões oferecido por doadores como Bill Gates, Google e Fundação da Comunidade do Vale do Silício.
É muito cedo para saber se a Khan Academy é realmente inovadora em termos de aprendizado. Um estudo realizado neste ano entre estudantes de Oakland, Califórnia, concluiu que as crianças que não acompanhavam a classe em matemática, conseguiram tirar o atraso usando o software ou com aulas suplementares em pequenos grupos.
Os críticos de Khan dizem que o modelo é uma volta ao aprendizado normal com verniz de tecnologia, e que seria melhor ajudar as crianças a destrinchar um conceito do que enfiá-lo na sua cabeça. “Em vez de oferecer aos alunos uma palestra melhor, vamos procurar com que tenham algo melhor do que uma palestra”, escreveu Frank Noschese, professor de Física, em seu blog.
Seus defensores, destacam os resultados. “O que Khan representa é um modelo baseado no desejo de todos de ter uma experiência de aprendizado que seja pessoal e de tê-la rapidamente à sua disposição”, disse Jim Shelton, vice-secretário assistente de inovação e aperfeiçoamento do Departamento de Educação.
Khan cresceu num bairro de Nova Orleans, foi criado por sua mãe, que veio de Bangladesh, e frequentou escolas onde, lembra, alguns colegas tinham acabado de sair da cadeia enquanto outros iriam para as principais universidades.
A matemática virou sua paixão. Mergulhou nos livros e ingressou no clube de matemática. Para ele, dar aula de matemática era como contar uma história. As palestras pelo YouTube começaram há seis anos, quando Khan inventou uma maneira de ajudar um primo a entender a matemática no ensino médio. Elas têm dez minutos no geral e são muito simples. Os espectadores ouvem Khan falar, em seu tom de irmão mais velho. Mas nunca veem seu rosto, só rabiscos na tela.
Hoje, o site da Khan Academy tem 2.700 vídeos educativos e uma enorme quantidade de exercícios. Os professores têm um painel analítico que exibe uma imagem de conjunto de como a classe está se saindo e um mapa detalhado da compreensão de cada estudante. Em outras palavras, um olho mágico.
De volta à aula do professor Roe. Diante do quadro, na extremidade da sala, ele explica a ordem das operações – que dita a sequência em que devem ser feitos os cálculos numa equação longa. Em seguida, os estudantes se voltam a seus laptops para trabalhar.
No fundo da classe, duas meninas de fones de ouvido olham um dos vídeos de Khan. Um aluno demonstra dificuldade para fazer alguns exercícios e não conseguia prestar muita atenção, até que Roe se aproximou dele e o incentivou. A classe estava silenciosa, com exceção das exclamações de alegria quando alguém conseguia solucionar os problemas. “Seu cérebro ainda está doendo?”, uma das meninas perguntou à colega.
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Leia mais:
• Link no papel – 12/12/2011
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