Se não for a eles, eles virão a você
- 13 de junho de 2010|
- 18h31|
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Por Fernando Martines
Até a última Copa do Mundo, quem não quisesse saber do campeonato tinha a internet como uma aliada. Mesmo com jornais, sites, rádios e TVs martelando futebol o tempo todo, dava para abrir alguns sites e fugir dos jogos, gols e artilheiros. Mas em 2006 o Facebook e Twitter ainda engatinhavam e ninguém podia supor que virariam o mundo do avesso como o Google fez alguns anos antes. Esse é apenas mais um exemplo da mudança que a web social impôs no acesso à informação. Além de não ser mais necessário buscar a informação, muitas vezes isso já não é possível: o conteúdo chega até nós antes mesmo de começarmos a procurar.
Jeffrey Bradzell, professor de novas mídias da Universidade de Indiana, lembra como o consumo de conteúdo era diferente na internet alguns anos atrás: “No começo do YouTube, era comum ir até lá e ficar apenas surfando no site, procurando vídeos por referências nossas, fazendo nossa própria sessão de vídeos, sem saber exatamente o que o resto do mundo estava vendo”, disse em entrevista ao Link. “Agora, com Facebook e Twitter, tudo mudou. Os vídeos são jogados até nós, não precisamos ir em busca deles.”

Mas não perdemos totalmente o controle da informação que chega até nós. É o que diz Adam Penenberg, professor da Universidade de Nova York, jornalista que cobre tecnologia e autor do livro Viral Loop (ed. Campus). Ele lembra que é possível se cercar de filtros que inclusive elevam a qualidade do conteúdo consumido. “Quando estou no Twitter, sigo pessoas que têm os mesmos gostos que eu. Elas postam comentários ou links que me interessam e que me acrescentam muito. Assim, não preciso correr atrás desse bom conteúdo: ele vem até mim”.
O conteúdo que se espalha de forma espontânea sempre existiu. Mas era mais raro. Apenas uma ou outra coisa era contada e recontada de forma tão intensa a ponto de chegar ao conhecimento de muitas pessoas. Em geral, antes da web 2.0, se você quisesse saber sobre qualquer assunto, não bastava só a curiosidade. Era preciso saber onde se informar.

Além dos meios de comunicação tradicionais, havia poucas alternativas para descobrir mais sobre assuntos específicos. Só há alguns anos que a notícia deixou de ser perseguida e passou a perseguir.
Mas a internet apenas acelerou a forma como a informação se espalha ou também alterou seu conteúdo? O psicólogo Nicholas DiFonzo, autor de O Poder dos Boatos (ed. Campus) crê que ambos casos são verdade – tanto para os boatos como qualquer outro tipo de informação.
“A internet fez que os rumores corram e sejam checados mais rapidamente”, disse em entrevista ao Link. “Quanto ao conteúdo, a web facilita a formação de grupos, o que resulta no surgimento de informações mais extremas, como boatos ou informações negativas sobre determinado político.”

Mas há casos em que é impossível não ser atingido pelos hits da rede. Mesmo se cercando de filtros. Mesmo ficando totalmente offline: Zina, Cabeção Bêbado e Tapa na Pantera são apenas alguns exemplos que saíram da internet direto para o cotidiano offline. Você bem sabe: faz um mês que diante de injustiças, não é raro ouvir um indignado “puta falta de sacanagem”.
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14/06/2010 - 14:36 Enviado por: Lucas Abduch
ótimo artigo!
denunciar abuso
realmente, existem alguns ‘lixos eletrônicos’ dos quais não podemos fugir, só nos resta saber filtrá-los…
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