Reino Unido: dois pesos, duas medidas na internet?
- 1 de novembro de 2011|
- 15h53|
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Por Agências
País condenou ditaduras árabes por censura, mas cogitou restringir redes sociais após tumultos em casa
O Reino Unido enfrentou críticas nesta terça, 1, por considerar impor restrições nas mídias sociais depois dos recentes tumultos mesmo com a condenação do secretário de Relações Exteriores, William Hague, aos países que bloqueiam a Internet para evitar manifestações.
“Muitos países ao redor do mundo estão buscando ir além da interferência legítima ou discordam de nós sobre o que constitui um comportamento ‘legítimo’”, disse Hague na Conferência de Londres sobre Ciberespaço.
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“Nós vimos na Tunísia, Egito e Líbia que cortar a Internet, bloquear o Facebook, interromper a transmissão da Al Jazeera, intimidar jornalistas e prender blogueiros não cria estabilidade ou faz com que as queixas vão embora… A ideia de liberdade não pode ser contida atrás de grades, não importa quão forte seja o cadeado.”
Ministros, executivos do setor de tecnologia e ativistas da Internet de vários países iniciaram nesta terça, 1, uma reunião de dois dias em Londres para discutir como enfrentar o crime e as ameaças à segurança na Internet sem prejudicar as oportunidades econômicas e a liberdade de expressão.
Um grupo anticensura acusou países ocidentais de adotarem padrões duplos, apontando que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, chegou a considerar restringir as redes sociais depois dos tumultos nas cidades inglesas em agosto.
“É muito fácil defender esse caso de direitos humanos no preto e no branco contra as ditaduras ao redor do mundo, mas assim que nossa estabilidade de Estado ao estilo ocidental é questionada, então a liberdade de expressão é dispensável. Deveria haver uma regra para todos, inclusive para governos ocidentais”, afirmou John Kampfner, presidente-executivo da Censorship, na conferência.
A conferência vai examinar meios de ampliar a cooperação internacional nas questões que surgiram com a rápida expansão da Internet. Enquanto países ocidentais se preocupam com crimes de propriedade intelectual e hackers, governos autoritários como China e Rússia estão alarmados com o papel das mídias sociais nos protestos que agitaram o mundo árabe este ano.
Cerca de 60 países, incluindo China, Rússia e Índia, estão representados na conferência. Entre as personalidades esperadas estão Jimmy Wales, fundador do Wikipedia, e Joanna Shields, executiva do Facebook. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, cancelou sua presença por causa do estado de saúde da mãe dela.
O evento não tem como previsão a formatação de nenhum acordo, mas as autoridades britânicas esperam que estabeleça uma agenda para futuros debates sobre a segurança na rede.
Uma sessão fechada vai abordar o aspecto do aumento da Internet que atrai mais atenção: as ameaças à segurança internacional. Foi registrado um crescimento dramático dos ciberataques ao longo do ano passado, em sua maioria ligados a governos.
Na véspera da conferência, o chefe da agência de espionagem em comunicação do Reino Unido disse que os sistemas de informática do governo e da indústria estavam enfrentando um número “perturbador” de ciberataques, incluindo um ataque sério à rede do gabinete de Relações Exteriores.
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