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Programando para o bem

Por Tatiana de Mello Dias

“Galera, a pizza chegou”. O anúncio da pizzada marcou o final de uma maratona de dez horas do que se pode chamar de ‘programação para o bem’.

Pelo menos 80 desenvolvedores estão reunidos em São Paulo para a terceira edição do RHok (Random Hacks for Kindness), evento capitenado por gigantes como Google, Microsoft, Yahoo, NASA e Banco Mundial para mobilizar programadores a criarem programas e aplicativos para ajudar a população – especialmente em caso de desastres.

“Temos iniciativas grandes de dados abertos, e também de apoiar o software livre e democratizar a tecnologia”, diz Joaquim Toro, especialista em gestão de desastres do Banco Mundial, que capitaneia a edição brasileira da maratona.

O evento busca unir as duas pontas: de um lado, instituições e governos que têm demandas específicas – programas para localizar pessoas, aparelhos para monitorar mudanças climáticas, necessidade de organizar os dados. Do outro, os hackers que sabem como transformar uma ideia em um programa concreto e útil.


Matheus, 15 anos

Hackers como Matheus Bánffy, 15 anos, que aprendeu a programar com o pai, Ricardo Bánffy, e o ajudava a trabalhar em um projeto – no caso, na criação de uma rede para angariar voluntários. O garoto desfilava pelo evento com tranquilidade – provavelmente porque aquela já era a tercveira maratona que ele participava.

Pesquisadores da UERJ, que estudam áreas de encostas e deslizamento, sugeriram a criação de um aplicativo para celular. O app estaria em aparelhos utilizados por líderes comunitários, que tirariam fotos de quaisquer alterações – árvores caídas e rachaduras, por exemplo – e as enviariam diretamente para a defesa civil. “O poder público não consegue estar presente em todas as áreas. E não há ninguém melhor para avaliar alterações quanto o morador, que já conhece aquele local”, explica José Augusto Sapienza, coordenador técnico do Laboratório de Geoprocessamento da UERJ.

Desta edição do RHok também deve sair uma rede de voluntários online para emergências. Com discussões a ideia cresce: além da lista, em si, também será criado um mecanismo para acionar voluntários que estão ao redor de determinado acontecimento. Outro projeto discutido foi a criação de um mecanismo para monitorar índices pluviométricos em escolas.

O Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres (CEPED) da Universidade Federal de Santa Catarina chegou ao evento com duas demandas. “Escolhemos problemas que temos contatos no dia-a-dia”, explica Sarah Cartagena, coordenadora de comunicação. “Mas nada muito trabalhoso, porque são só dois dias”.

O Ceped sugeriu a criação de um mapa de prevenção e a organização das informações de registros de desastres, transformando em visualizações gráficas o que hoje é organizado em tabelas insossas. “Os dados do jeito que estão dizem muito pouco”, diz Sarah.

Essa foi a demanda que o programador Bruno Gola topou. A ideia, diz ele, é reunir os dados da defesa civil e também informações extra-oficiais, como notícias e repercussão nas redes sociais. Gola, que costuma frequentar maratonas de programação, diz que poderia fazer aquilo de casa. “Mas o legal de vir aqui é que dá para aprender muito”.

No mundo, outros RHoks aconteciam paralelamente em outros 19 locais. Foi durante um RHok, por exemplo, que surgiram iniciativas como o People Finder, do Google, usado para localizar desaparecidos em casos de tragédia, e o I’m OK, app para celular em que com dois toques uma pessoa consegue enviar mensagens para quem escolher avisando se está bem. Joaquim Toro conta que o I’m OK foi útil durante no Haiti, quando houve dificuldades para localizar os funcionários do Banco Mundial após o terremoto.

O RHok acontece neste domingo na Locaweb, em São Paulo.

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4 Comentários
  • 05/06/2011 - 10:14
    Enviado por: Marco Reis

    Precisamos de mais iniciativas desse tipo. Uma forma de usar a expertise de tanta gente boa que tem no Brasil para fins sociais.

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  • 05/06/2011 - 20:41
    Enviado por: carlota joaquina

    Muito bom. Programar deve ser fascinante. Mas para avançar é necessário parcerias. Ninguém faz mais nada sozinho. Não se inova sozinho. Learning by interacting. Isso é legal, mas também é assustador pois é um oceano de informações. É o mundo on line. Achava-se que a intenet iria “naturalmente” reduzir o excesso. Mas o que se viu foi justamente o contrário. O mundo multiplicou-se e a uma velocidade que quase liquefaz, desmancha tudo. É um desafio para todos. Os jovens acham que a internet reduziu o mundo. Os adultos não conseguem acompanhar o ritmo. Como disse aquele designer japonês citado em “Plano B”: “hoje em dia não é você que olha as flores, são as flores que te olham.” As flores são estes microdispositivos de inteligência que povoam o atmosfera do planeta. Eu acho que devia dividir tudo em paralelas como as cordas de um violão, pois precisa organizar a informação.

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  • 06/06/2011 - 01:02
    Enviado por: Rui Ruz Caputi

    Sim os hackers tem que ajudar o povo a fiscalizar os politicos e administradores publicos em geral, o gasto o investimento, para onde foi o dinheiro, quanto foi investido. Comparar valores de uma obra com outra, ver o superfaturamento etc.

    O povo precisa dessa colaboração, com programas fáceis e acessiveis.

    Isso a nivel municipal federal e estadual, com links para PF MP policias estaduais, receita federal etc.., jornais revistas…

    Tudo bem proximo.

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  • 06/06/2011 - 15:57
    Enviado por: Daniel

    Quais as APPs desenvolvidas no Brasil? não menciona na matéria, nos outros países existe uma eleição dos melhores projetos, no Brasil teve também?

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