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Domingo, 21 de Dezembro de 2014

20 de abril de 2012 19h45

‘Privacidade será o tema mais importante’

Executivo da Mozilla, dona do Firefox, veio ao publicar lançar OS para celulares e falou ao 'Link' sobre privacidade

Por Redação Link

Executivo da Mozilla, dona do Firefox, veio ao publicar lançar OS para celulares e falou ao ‘Link’ sobre privacidade

SÃO PAULO – O CEO da Mozilla Corporation, Gary Kovacs, esteve no Brasil nesta semana para anunciar que o Brasil será o primeiro país a usar o sistema operacional aberto para celulares da companhia, também responsável pelo popular browser Firefox. Por telefone, o executivo comentou sobre privacidade, a competição com o Google e, sobre as propostas de lei que visam o controle da web e a defesa de copyright, como a recente Cispa, apostou que não passarão no Congresso americano.

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O executivo apresentou o projeto Boot to Gecko (B2G), um sistema operacional aberto baseado em Linux que deverá rodar apps em HTML 5. A expectativa do executivo é ter o B2G pronto para instalação em smartphones de baixo custo até o final de 2012 e comercialização a partir de 2013.

Veja vídeo de demonstração de aparelho equipado com o B2G da Mozilla

Competição. O concorrente natural do Firefox é o Chrome. Tomando por base dados aproximados da Statcounter, em nível internacioanl o Firefox tem 25% do marketshare de browsers, enquanto o Chrome tem 30% e o Internet Explorer, 35%. Nos EUA, o IE lidera com folga (42%) enquanto Chrome e Firefox disputam com 22% cada um. Já no Brasil, o quadro é diferente. Por aqui, o Chrome é a preferência, com 45%, seguido do IE (31%) e do Firefox em terceiro (22%).

“O Google tem deixado a gente ocupado, é verdade”, diz Kovacs, rindo. O executivo acredita no poder competitivo do seu browser, principalmente por conta de dois pilares: performance e privacidade. “Nós mudamos a forma de pensar o Firefox, fizemos algumas alterações e agora ele está muito mais rápido e também estamos incorporando aplicativos para se tornarem nativos no navegador. Mas o diferencial mesmo é a privacidade”, promove Kovacs.

“O Firefox sem dúvida é o browser mais seguro do mercado”, garante. Além do recurso nativo Do Not Track (veja abaixo), a empresa demonstrou recentemente um complemento para seu browser chamado Collusion, que mostra em um sistema de teia todos os sites que rastreiam informações do usuários (cookies) e as relações desses dados com outros sites.

“Privacidade ainda vai se tornar um dos mais importante assuntos na internet; só ainda não é porque as pessoas não tem noção de como seus dados são usados”, profetizou. Para ele, o debate global em torno de leis que afetam justamente a privacidade dos usuários na internet será o primeiro passo para o tema se tornar “o grande assunto” do mundo.

Gary participou ativamente dos protestos contra a Sopa e o Pipa, colocando a Mozilla inclusive entre as empresas que fariam parte do blecaute geral da web. Kovacs foi até a Casa Branca para discutir com membros do governo sobre a lei e voltou, segundo ele disse ao ‘Link’, “triste”. “O governo estaria se dando o poder de tirar sites do ar só porque alguém ‘acreditava’ que determinado conteúdo infringia direitos autorais. Não era preciso nem ter certeza”, lembra.

A Sopa saiu da pauta do Congresso e agora movimentos que lutam pela liberdade da internet se mobilizam contra a Cispa, o Ato de Proteção e Compartilhamento de Inteligência Cibernética.

Além dos EUA, legislativos de outros países também estudam projetos de lei para tentar estabelecer algum controle sobre a internet, infração de copyright ou preocupados com cibersegurança. O tema rendeu declarações públicas de figuras respeitáveis no meio como a do CEO do Google, Sergey Brin ; e de Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web e atual assessor do governo britânico para transparência.

“Eu acho que estamos vendo ao redor do mundo proposta de governo que querem ir longe demais, podendo comprometer direitos básicos de consumidores e cidadãos”, aponta Kovacs. Para o executivo da Mozilla Corporation, sob o pretexto de proteger direitos de autor, “governos estão se dando poderes que não tem no mundo físico, onde precisariam de, no mínimo, um mandado judicial. Na internet isso não acontece”.

Para ele, tais leis não serão aprovadas em função das manifestações contrárias, vistas por ele em vários lugares do mundo.