‘Download legal está com dias contados. Pessoas não pagam pelo que é ofertado de graça’, diz John Ulhoa do Pato Fu
- 6 de outubro de 2009|
- 18h49|
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John Ulhoa é músico, guitarrista e líder da banda mineira Pato Fu, e produtor musical, com trabalhos com Zélia Duncan, Arnaldo Antunes, entre outros. O Pato Fu lançou seu último álbum, ‘Daqui pro Futuro’, em agosto de 2007 de forma independente. A banda foi uma das primeiras a ter site e disponibilizar suas músicas para download em MP3.
Hoje, eles cuidam pessoalmente do site da banda e até criaram um outro endereço, o Pato Fu Extra!Extra!, para divulgar e também oferecer boa parte do conteúdo do último DVD da banda lançado neste ano. Em entrevista, por e-mail, John se revela bastante consciente em relação aos desafios e possibilidades do futuro da música na era digital e diz: “prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”. O resultado dessa conversa, você confere aí embaixo:

“O encolhimento das gravadoras afetou todos os artistas, contratados ou não. Os contratados não vivem mais a época de ouro com grandes orçamentos de discos, videoclipes e coisas assim. E os não contratados buscam alternativas de sobrevivência e exposição fora de um mainstream cada vez mais reduzido”, pondera.
“Enxergo como algo irreversível (o compartilhamento de arquivos na internet), vamos ter que torná-lo positivo de alguma maneira, para artistas e usuários. Em minha opinião, até mesmo a venda de músicas em lojas de download legal está com os dias contados, as pessoas não pagam por aquilo que é ofertado de graça logo ali ao lado. Só consigo enxergar um futuro bom para os dois lados no streaming de música. Liberado, sem custo para o ouvinte, mas remunerado para os artistas pelos anunciantes dos sites. Exatamente como funciona uma rádio. Em breve, a tecnologia vai fazer as pessoas pararem de fazer download de musicas, vão simplesmente ouvir online. Se tudo isso estiver ali nos grandes portais, quem vai perder tempo procurando torrents?”, argumenta.
E continua: “Acho que a inocência dessa pirataria acaba de vez quando as pessoas começam a vender e têm lucro com o produto “ilegal”, deixa de ser uma troca entre amigos. Os artistas perdem (com a pirataria), mesmo que haja certa euforia independente com todas as possibilidades de divulgação, o fato é que a capacidade que a indústria fonográfica tinha, com todos seus defeitos, de lançar e sustentar novos artistas ainda não foi substituído e está longe de ser”.
“O resultado é que temos milhões de myspaces com artistas novos, mas quantos desses têm carreiras decentes na “vida real”? Muito menos que nos anos 90. É chato, mas o meio “indie-hit-de-internet” ainda não paga a conta do aluguel sem fazer a curva para o mainstream de tv e rádio, pelo menos aqui no Brasil. E, as gravadoras estão num ponto que não contratam quase ninguém. Mas prefiro tentar me adaptar e aperfeiçoar esses novos meios do que lutar contra eles, isso seria perda de tempo”, conclui.
Esta entrevista é a segunda de uma série que o Link está publicando com alguns artistas e executivos das principais gravadoras sobre o presente e o futuro da música na era digital.
Leia mais:
*“Estamos deslumbrados com o avanço tecnológico. Não questionamos mais nada”, diz Fred 04, do Mundo Livre S/A
Leia também (Link no papel):
*Lily Allen vs. Thomas Edison. O chilique da cantora inglesa contra o P2P não é novidade: música sempre olhou torto para o novo
*Entrevista Gerd Leonhard
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07/10/2009 - 07:03 Enviado por: Leonardo Kuriqui
Interessante o ponto de vista das grandes gravadores ser perpetuado mesmo após decadas de exploração.
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Em épocas de ouro os artistas ganhavam percentagens irrisórias frente ao lucro gigantesco das grandes gravadoras. E agora elas se escondem atras de grandes artistas para poder manter sua filosofia de venda. Não concordo que o futuro da música está no streming. Pessoas gostam de ter música, possuir “objetos”. O futuro está na cobrança do donwload. Assim como os email são monitorados pra onde vão é possível monitorar onde vai cada download e assim cobrar. Essa é a saída dos artistas. Porém é capaz que gravadoras usurpem mais esse direito autoral e continuem explorando e manipulando a cultura como sempre. -
07/10/2009 - 14:45 Enviado por: Alan
Música com qualidade CD ou MP3 eu não aceito nem de Mozart, quanto mais do Pato Fu !!
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Milhoes de moscas não podem estar erradas, coma merda!! -
08/10/2009 - 19:40 Enviado por: ZamboF5
Acredito sim esse ser mais um dos efeitos da revolução digital que estamos vivendo. è a hr de adiquirir uma nova visão, de mudarmos. não compro mais cds a um bom tempo, nem filmes, nem livros, mas ainda acredito que os livros são melhores na mão doq na tela.
Discordo do pensamento de que daqui a algum tempo o internauta só vai ouvir rádios on-line, eu gosto da minah liberdade de audição e só consigo isso tendo minha própria play-list, coisa que rádio alguma vai me dar.
Sou a favor do download gratuito de músicas, afinal cultura não é negócio e as bandas mais ser reconhecidas além das fronteiras imaginárias, mais fãs, mais conhecimento, mais difusão, mais shows, mais gravações.
Acredito sim que não muito longe a internet vai trazer esses bons resultados as bandas.
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14/10/2009 - 16:12 Enviado por: Duda Yip
Realmente quem mais perde, são as gravadoras, pq em epocas de ouro elas é quem realmente lucravam com as vendas, os artistas sempre lucraram com shows, e assim continua sendo com a musica digital, a diferença é que os musicos não são mais dependentes das gravadoras, e tem a possibilidade de se divulgar de forma independente, e isso a meu ver é muito bom.
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Enfim o que eu lamento é que parece que estamos a caminho da extinção dos cds, e isso me entristece muito, pois um cd tem toda uma historia, uma mistica, um conteudo sequencial muito rico pra mim.
Mas eu acho que quem realmente perde com isso´são os gravadoras, acho que para os musicos nao muda muito.Para os novos artistas a situação melhorou com a musica digital, e a livre propagação da sua obra, sendo que pra mim o musico sempre ganhou dinheiro com show e assim continua sendo. -
14/10/2009 - 16:49 Enviado por: HelioZ
Muito lúcido, o João Ulhoa do Pato Fú.
De fato, com um modelo de negócios em que se tenha um player conectado à Internet (seja smartphone, um computador, ou um sistema de audio/video ou qualquer outro aparelho), com sites de streaming de música com um repertório realmente amplo, as pessoas não necessitarão baixar os MP3, pagando (iTunes) ou não, via P2P.
Basta tocar a música que quiser, na hora que desejar por esse streamiming.
E se esse canal de distribuição por streaming for viabilizado economicamente por patrocínios e propagandas, seria um modelo perfeito para o mercado de mídias de som e vídeo, com os direitos autorais mantidos.
HelioZ
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