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Para todos e sem censura

Por Redação Link

Clique na imagem para ampliá-la. FOTO: INFOGRÁFICO AE

▪▪▪ Tentativas de controlar a internet no mundo todo faz a ONU definir que o acesso é um direito universal — e que a rede deve ser protegida de interesses de governos e empresas

Por Jamil Chade
Correspondente do ‘Estado’

GENEBRA – A internet é a nova fronteira na luta da ONU pela defesa da liberdade de expressão. O primeiro relatório sobre a relação entre governos e rede, publicado em maio, chega a uma conclusão alarmante: a internet está sob ataque de governos em quase todas as regiões do mundo e precisa ser protegida. A partir disso, a decisão foi declarar o acesso à internet um direito humano — como o direito à saúde, à educação e à moradia. Governos que desconectarem sua população estarão, assim, violando direitos básicos e a lei internacional.

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Frank La Rue, autor do documento e relator especial da ONU para a liberdade de expressão, destaca o papel central da rede nas revoltas nos países árabes. “A onda de protestos mostrou a capacidade de mobilização que a internet pode ter no apelo à Justiça.” No Egito, a primeira sentença contra o ex-ditador Hosni Mubarak foi uma pena e uma multa milionária por desconectar o país.

Para a entidade, a rede é hoje um dos principais instrumentos de exercício do direito de expressão. “E não podemos achar que esse direito é menos importante. É ele que possibilita os direitos econômicos, sociais e culturais, entre eles os direitos civis”, diz o relator. “Por agir como catalisador dos direitos de liberdade de expressão, a internet é um facilitador de uma série de outros direitos humanos.”

Cartas. O relator iniciou em 2010 intensa campanha contra as crescentes restrições impostas por governos à internet. O Link obteve as cartas enviadas pela ONU a mais de 20 governos pelo mundo questionando as dificuldades impostas a usuários de internet em 2010 e 2011. Em todos os casos, um traço comum no comportamento dos governos: o medo de que informações circulando na rede ameaçassem sua permanência no poder.

Pela conta da entidade, só em 2010, mais de 110 blogueiros foram presos no mundo, 70% deles na China. Irã e Vietnã disputam o segundo lugar. “Não há dúvidas de que governos têm incrementado a restrição à tecnologia como forma de evitar que a oposição se reúna”, explica La Rue. “A principal preocupação é que expressões legítimas estão sendo criminalizadas, e isso é contrário às obrigações internacionais de governos em relação aos direitos humanos”, diz o relator.

No papel. Documento coloca o acesso à rede no mesmo nível dos direitos definidos na Declaração Universal (foto). FOTO: REPRODUÇÃO

No mundo todo. As preocupações da ONU não se limitam aos países considerados párias. Em seu relatório, La Rue deixa claro que governos como o da França, o do Reino Unido e o da Hungria também vêm aumentando o controle sobre a rede de forma preocupante. Na maioria dos casos registrados na Europa, a luta contra a pirataria e ataques digitais seriam os argumentos para justificar a desconexão de um indivíduo.

Outra preocupação é com a defesa que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, vem fazendo daquilo que ele chama de “internet civilizada”. A ONU se preocupa com o que isso quer dizer.

Segundo La Rue, há dois tipos de estratégia hoje para censurar a internet. A primeira é o uso de leis criminais já existentes, aplicadas a blogueiros e outros ativistas digitais. A segunda: uma série de governos vem adotando novas leis, para endurecer penas contra usuários da internet — isso sem falar nas restrições que estão ocorrendo por parte de governos sem qualquer base legal.

Na maioria dos casos, governos justificam as novas leis sob a alegação de que precisam proteger a reputação de indivíduos, garantir a segurança nacional ou conter o terrorismo. Outro argumento é o do perigo de ataques digitais. “Há um abuso claro nos argumentos. Na prática, não passam de novas leis de censura diante do surgimento de um novo instrumento de comunicação”, afirma La Rue.

Uma dessas ações consideradas, a partir de agora, como violação dos direitos humanos é a de desconectar cidadãos tidos como ameaçadores ou que estejam pirateando, como acontece hoje na França. “Desconectar alguém da internet como punição é algo que deve acabar.”

Acordo. La Rue rejeita a tese de que a ONU esteja defendendo uma internet “sem controles nem regras”. As restrições aceitáveis seriam aquelas já previstas em declarações universais, como o combate à disseminação do ódio, racismo e crimes considerados como consensuais, como pornografia infantil.

O relator da ONU admite que o problema dos ataques digitais é real e reconhece a ameaça em relação aos dados pessoais que circulam na rede. Mas, para a ONU, regras nacionais isoladas não resolverão os problemas.

Na União Internacional de Telecomunicações (UIT), técnicos e políticos já falam da necessidade de um “acordo de paz” para a internet. “Todos sabemos que, se houver uma nova guerra mundial, ela ocorrerá a partir do espaço digital”, declarou Hamadoun Toure, secretário-geral da UIT. “Um acordo de paz será fundamental e terá de incluir governos, setor privado e sociedade.”

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Leia mais:
O futuro da internet não está aqui
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Link no papel – 13/06/2011

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10 Comentários
  • 12/06/2011 - 18:19
    Enviado por: dunha

    ta diga isso a imprensa

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  • 13/06/2011 - 12:58
    Enviado por: patysanje

    Parabéns! a matéria é muito boa e traz a realidade do uso da internet. Já a tal “lei azeredo” quer fazer o contrário no Brasil. Falta de respeito.

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  • 13/06/2011 - 14:15
    Enviado por: pernalogna

    Vcs acham que o estado é a grande ameaça à informação?

    O que vcs pensam sobre as corporações?

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    • 13/06/2011 - 18:53
      Enviado por: CapEnt

      Corporação só existe porque alguém compra os produtos dela. Quer acabar com uma corporação? Basta o povo deixar de comprar seu produto. Você tem sempre o poder da escolha, e olha que legal, você pode iniciar a sua própria empresa se não gosta dos produtos das outras!

      Quero ver conseguir algo assim contra um estado, de preferencia autoritário e repressivo como Coréia do Norte ou Cuba, onde você fazer um protesto geralmente termina com uma bala em sua cabeça.

      Portanto sim, o grande perigo contra a liberdade de expressão é o estado, não as corporações.

  • 13/06/2011 - 15:11
    Enviado por: Sergio

    Cada vez mais a guerra ficará longe dos campos de batalha
    Dentro do possível seráa priorizado a destruição da infraestrutura do inimigo par depois se pensar em alguma ação convencional.
    Paises já desenvolvem virus para atacar e/ou criar o caos em instalações de outros paises
    Recentemente o Irã sofreu um ataque cibernetico em suas instalações nuclearez.

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  • 13/06/2011 - 15:15
    Enviado por: Robson

    Incomoda e muito aos poderosos um canal de livre expressão, o qual não esta sob o controle do estado ou sob o controle econômico, se queremos um mundo melhor é de extrema importância que se proteja a liberdade de expressão na internet.

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  • 13/06/2011 - 15:44
    Enviado por: ailton rosa

    eu também acho que a internet não deva ser terra de ninguém.porém, a desculpa para se apropriar-se dela como sua, também é irrazoável.é preciso chegar a um consenso comum.a internet para mim é como andar na rua.não se pode andar de qualquer jeito, mas todo mundo tem o direito de andar e não se pode proibir ninguém a andar e trafegar dentro da legalidade.isso é trabalho do governo sim, atribuido pelo povo.

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  • 13/06/2011 - 15:50
    Enviado por: Magda

    Parece aquele coisa de traduzir a Biblia do LATIM. Viva Lutero ! Num foi ele e os companheiros que compraram esta briga? WWW é nosso novo LATIM? Free for All Now ! Abs,

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  • 13/06/2011 - 19:23
    Enviado por: Paulo Rená

    Eu achei que esse dia fosse demorar décadas para chegar. A velocidade da Internet, quem diria, foi uma surpresa até nesse reconhecimento.

    Excelente!

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  • 13/06/2011 - 20:25
    Enviado por: Tainá

    Muito legal o mapa, mas traz Bahrein duas vezes, e a com escrita maior está indicando o Iêmen no mapa. Qual seria o certo?

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