Para Newton Neto, da Ediouro, digital permite “testar formatos com baixo risco de capital”

Por brunogalo

Newton Neto é diretor-executivo da Singular, braço do grupo Ediouro (do qual fazem parte as editoras Agir, Nova Fronteira, Plugme, entre outras) dedicado às novas tecnologias. No início de outubro, ele revelou ao Link que, visando o crescente mercado de livro de papel sob demanda, a Ediouro vai ter seu acervo completo no Google Books. A principal vantagem dos livros sob demanda é permitir que títulos já esgotados sejam comercializados novamente.

Agora, ele conta que o primeiro livro de Rubem Fonseca pelo grupo será também o primeiro no País a sair com versão para Kindle e iPhone, simultaneamente ao lançamento em papel. Em entrevista, por e-mail, ele garantiu que graças a internet e as novas tecnologias digitais as editoras têm o seu leque de opções ampliados e até barateados. “Podemos testar novos formatos com baixo risco de capital”, afirmou. Alguns dos principais trechos da conversa, você confere aí embaixo:

Leia também (Link no papel – 2/11/09):
* Quinhentos anos depois, livro pode mudar
* Você vai querer comprar um e-reader

“Vamos ter todo catálogo de lançamentos das editoras do grupo em versões digitais, principalmente para plataformas como Kindle e iPhone. A idéia também é explorar a cauda longa com lançamentos específicos para plataformas digitais como impressão sob demanda e e-books. O preço dos primeiros e-books do grupo serão divulgados quando do lançamento do novo livro do Rubem Fonseca que será lançado simultaneamente para o iPhone e Kindle, nas próximas semanas”, conta.

“Previsões a parte (quanto ao convívio do livro de papel e o eletrônico), já iniciamos o processo de transição. Tudo começa pela construção de uma grande biblioteca digital. Isto já foi feito. Temos uma plataforma de impressão sob demanda, que tem como base o livro em formato PDF. Todos os lançamentos tem em seu processo de produção o e-book como formato de saída. Ou seja, estamos prontos e queremos ser um player neste negócio”, explicou.

“O Google é um importante parceiro de marketing. Nossos livros podem ser visualizados parcialmente. Estamos expandindo a quantidade de livros no Google Books. Hoje, nossa parceria tem foco em tornar nossos livros disponíveis para busca. Se o modelo avançar para venda de conteúdo, estaremos prontos para disponibilizar 100% (do conteúdo)”, garantiu.

“Usamos a rede como ferramenta de marketing e acesso direto ao consumidor. Produzimos conteúdo e queremos torná-lo disponível da maneira mais conveniente para o consumidor. As redes sociais são importante fonte de informação para pensarmos em novas ofertas. Os e-books e impressão por demanda vão permitir que consumidores acessem conteúdo em diversas localidades com preços competitivos”, afirma. E conclui: “Podemos testar novos formatos com baixo risco de capital”.

“A pirataria já é uma realidade no mercado atual. Creio que devemos usar modelos inteligentes como Amazon e Apple para criar boa experiência de consumo com preços justos, assim atraindo os consumidores. Como grandes produtores de conteúdo, as editoras podem explorar novos negócios em formatos digitais específicos como livros interativos”, garante.

E continua: “Em 2010 temos diversos projetos que envolvem livros colaborativos, interativos e que usam mídias diferentes para inserir o leitor no processo de criação e vivência da obra. Acretidamos que devemos sempre usar mídias diversas, tornando a experiência de acesso ao conteúdo rica e de acordo com os desejos do mercado”.

Esta entrevista é a terceira de uma série que o Link está publicando sobre os desafios dos livros na era digital.

Leia mais:
* De site renovado, Cosac Naify oferece ‘Flores’, do mexicano Mario Bellatin, para download. Entrevista com Daniela Senador, gerente de mídias digitais da editora
* Pirataria? Para Cristovão Tezza, o que vemos na web é ‘a mais impressionante troca de bens culturais da história’

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