Online, Apple quer ser o centro digital
- 12 de junho de 2011|
- 18h00|
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Por Redação Link
Por Jessica Guynn
Salvador Rodriguez
Los Angeles Times
Ainda magro por causa de sua luta contra um tipo raro de câncer, Steve Jobs interrompeu sua licença médica e apresentou o novo projeto da Apple: o iCloud.
Naquilo que ele descreveu como uma grande mudança na forma com que milhões de pessoas armazenam e organizam suas músicas, documentos, fotos e e-mails em diferentes dispositivos, Jobs apresentou um serviço online que permitirá aos usuários da Apple acessar sua mídia digital em qualquer aparelho. Para o diretor executivo da Apple, as pessoas não podem mais depender do computador como o centro digital de suas vidas.
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“A tarefa de manter estes dispositivos em sincronia está nos deixando loucos”, disse ele na segunda, durante a abertura da Conferência Mundial da Apple para Desenvolvedores (WWDC, em inglês) realizada em São Francisco. “Temos uma excelente solução para este problema. Vamos rebaixar o PC ao status de apenas mais um dispositivo. Vamos transferir o centro de sua vida digital para a nuvem”, disse, se referindo à internet.
A Apple, maior distribuidora mundial de músicas, vai permitir que os consumidores acessem todas as músicas armazenadas em seus discos rígidos – tenham elas sido copiadas legalmente ou não – por US$ 25 anuais, com o consentimento da indústria musical. Segundo ele, é uma proposta inédita.
A empresa também quer que os consumidores guardem todas as suas informações online. De acordo com os analistas, trata-se de uma tentativa da Apple de manter sua posição dominante nos mercados de smartphones e tablets diante da concorrência cada vez mais acirrada com os celulares Android, do Google.
Dessa forma, como ocorreu no caso do iPhone – um produto que chegou atrasado, mas acabou revolucionando o mercado de smartphones –, a Apple pode ser a empresa responsável por popularizar a computação em nuvem e, assim, obteria uma vantagem competitiva em relação aos rivais Google e Amazon.
“A Apple vai definir como será ao futuro dos serviços online”, disse o analista Tim Bajarin, da Creative Strategies.
Segurança. Mas a empresa está embarcando na computação em nuvem num momento em que serviços online enfrentam ameaças crescentes. O recente roubo de centenas de contas do Gmail, incluindo as de funcionários do alto escalão do governo americano, mostrou a vulnerabilidade das informações armazenadas na rede.
No caso do Google, um usuário pode acessar todo tipo de dado por meio de uma única conta. Com a senha de um usuário, hacker poderiam acessar os arquivos, a agenda, os contatos e as informações pessoais armazenadas ou enviadas por e-mail.
Apesar de os dispositivos da Apple terem um bom histórico relacionado à segurança, especialistas dizem que o iCloud pode, no futuro, adotar um método de autenticação adicional para proteger informações importantes. Além da senha, um aplicativo de segurança pode ser usado para enviar um segundo código de login. Google e Facebook já utilizam um recurso desse tipo. “Se alguém roubar sua senha, ainda terá de obter este código”, disse o especialista em segurança Tin Zaw. “E este código só poderá ser usado uma vez”.
Música. A Apple também criou uma ferramenta que facilitar a tarefa de baixar e ouvir as coleções de músicas em qualquer dispositivo. Assim, os 200 milhões de usuários do iTunes não terão de transferir manualmente cada arquivo de música para seus iPods, iPhones e iPads. Isto só é possível porque a Apple fez acordos com as quatro principais gravadoras de música.
A nova tecnologia da Apple, chamada de iTunes Match, vasculha o disco rígido em busca de músicas e permite que elas sejam tocadas em todos os aparelhos – independentemente se o usuário comprou a música na loja da Apple ou não. As únicas canções que terão de ser transferidas manualmente serão aquelas que não constam no catálogo na loja online da Apple.
Numa crítica aos serviços dos rivais Amazon e Google (compare-os abaixo)– que ainda não chegaram a acordos com a indústria musical, e por isso exigem que o usuário transfira todas as músicas do seu acervo –, Jobs disse que o serviço da Apple funciona em questão de minutos, e não horas ou dias. A Apple vai dividir com as gravadoras e distribuidoras de música a taxa anual de US$ 24,99 cobrada pelo acesso ao iTunes Match.
Foi a segunda aparição de Steve Jobs em um lançamento da Apple desde que ele entrou em licença médica em janeiro. Na primeira, em março, o fundador da Apple apresentou o iPad 2, o que indica a importância deste segundo anúncio para ele e para sua empresa. Steve Jobs chamou a ideia, surgida há uma década, de sua “próxima grande sacada”.
A música “I Got You (I Feel Good)”, de James Brown, tocou pouco antes de Jobs subir ao palco. Usando a clássica combinação de camiseta preta de gola alta e jeans, o executivo, mais magro, foi recebido com aplausos de pé enquanto milhares de desenvolvedores de software usavam seus iPhones e iPads para tirar fotos de Jobs. Um deles chegou a gritar “Nós te amamos”, ao que ele respondeu, “isto ajuda”.
Jobs dividiu os holofotes com outros funcionários do alto escalão da empresa e se mostrou animado ao apresentar o iCloud “Achamos que esta novidade vai se tornar algo bem grande.”
/ TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
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Leia mais:
• Espaçonave estacionada
• Personal Nerd – Para ouvir músicas online
• Link no papel – 13/06/2011
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