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O que pode e o que não

Por Rafael Cabral

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Quando surgiu, em 1998, a lei de direitos autorais norte-americana Digital Millenium Copyright Act (DMCA) era uma tentativa legal de tentar barrar o compartilhamento ilegal de arquivos que crescia com a internet. Com o tempo, a legislação foi se tornando cada vez mais dura. Permitia, por exemplo, que a indústria tentasse reaver o controle de filmes, músicas e softwares com travas digitais, criminalizando todo aquele que tentasse se livrar delas. A Eletronic Frontier Foundation, uma das principais organizações de defesa dos internautas, chegou a afirmar que as regras impediam a livre expressão e a inovação no meio digital.

Quando foi instituída, porém, a lei previa revisões a cada três anos, e a que foi feita na semana passada surpreendeu a todos por torná-la bem mais flexível. Será que até as regras norte-americanas se tornariam mais permissivas com a web? Com a mudança, não é mais ilegal fazer o desbloqueio do seu iPhone para fugir do ambiente controlado pela Apple, nem quebrar a proteção contra cópias de DVDs ou games, em alguns casos. Da mesma forma, não é mais proibido instalar programas que permitam que você use seu celular com uma operadora diferente ou usar pedaços de outras obras para fazer remixes. Notórios desequilíbrios foram corrigidos. Não era permitido, até então, que cegos usassem a leitura em voz alta de e-books em aparelhos como o Kindle.

Foi considerado um grande avanço por muitos. Mas, para Samuel Barichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do Ministério da Cultura (MinC), essas mudanças todas não passam de um mero retorno ao conceito de ‘uso justo’ que se tinha antes da internet e das tentativas de repressão a ela. “Se faz um ato que não significa trazer algum prejuízo para o autor, o cidadão pode usar a obra como quiser. Isso é um uso justo”, explica. Pouco a pouco, o que já valia para o offline também passa a valer para o online.

Segundo ele, a revisão da Lei de Direitos Autorais (LDA) brasileira (lei 9.610, de 1998), proposta pelo MinC, já nasceria mais moderna, montando regras que poderiam valer para os dois ambientes. “A nossa ideia é que a lei possa valer na internet e fora dela. Nos Estados Unidos, eles tentaram criar normas específicas para a web. Podemos ver, com todas essas revisões, que eles não cumpriram o que desejavam”, diz.

A nova lei brasileira criaria um espaço para o uso não-comercial de obras protegidas e daria mais flexibilidade para os autores discutirem prazos e condições de cessão de direitos, além de permitir remixes e cópias para uso privado. O ponto mais polêmico é que ela criaria um Instituto Nacional de Direito Autoral, controlado pelo Estado, que seria responsável por regular a atuação das entidades privadas.

Desde o início da consulta pública, em 14 de junho, a página recebeu mais de 2 mil contribuições de internautas, e a estimativa é que esse número deve pelo menos dobrar com a prorrogação da consulta até 31 de agosto. O MinC estima que, até agora, 36% das manifestações dos internautas concordam com o texto colocado em consulta pública no site cultura.gov.br/consultadireitoautoral, outros 36% fazem contribuições à redação original e 28% são de discordância.

Coordenador de uma pesquisa de três anos sobre o papel da pirataria em economias emergentes como as do Brasil, Rússia e África do Sul, o norte-americano Joe Karaganis, chefe do instituto de pesquisa Social Science Research Center, acredita que tanto a experiência brasileira quanto a norte-americana fazem parte de uma tendência de flexibilização das legislações de copyright no mundo. O resultado parcial do estudo, que ainda está em curso, foi apresentado na semana passada no Rio de Janeiro, em um evento da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Overmundo.

“Percebemos, na pesquisa, que esse endurecimento da lei que vimos como reação à web pode até complicar a vida dos piratas em algumas áreas, mas praticamente não surte nenhum efeito em um contexto maior”, conclui.

Como é a legislação no Brasil e o que pode mudar:


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Como é a lei nos Estados Unidos e o que já mudou:

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4 Comentários
  • 01/08/2010 - 23:53
    Enviado por: Marcio Wesley Borges

    Sinceramente,

    Detesto a televisão dedicada às massas; mas entenda: sou produto dela – da televisão e da massa. Por isso as detesto, sei de minha imperfeição e distribuo a culpa. Inclua aí também as outras mídias, como jornal impresso, revistas, quadrinhos, livros, Internet, e-zines, jornais online, fóruns de discussão e spams.
    Ao que pese isso, quero elogia a mídia e o governo, especialmente ao nosso ex-ministro (mais por sua simbologia que atitude burocrática), pela abertura desse debate.

    Sou a favor da liberdade de informação e isso inclui, criação, divulgação, reprodução e alienação. Só deixo a pergunta: como possibilitar a um maior número de pessoas o devido lucro (ou renda justa e suficiente) pelo trabalho/criação/produção/transformação livre e/ou comunitário/colaborativo? Pessoalmente, sou individualista, mas, como me fez pensar um antigo professor:
    - e o resto?

    À todos do Mouse Liberation Front,
    um grande abraço,
    Marcio Wesley Borges

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  • 02/08/2010 - 13:24
    Enviado por: estenio

    Todos devem ganhar pelo seu trabalho, assim como todo poderiam ter a oportunidade de usufruir deste trabalho só que todos sabem que a realidade não é esta um exemplo é o mercado de elêtronicos que aqui no brasil praticamente não existe as industrias que aqui estão estão em territórios de zona livre(livre de impostos)e que mesmo assim praticam preços que não condiz com o salário do brasileiro mas ai vem aquela idéia e se baixassem os impostos as industrias não baixariam o preço dos produtos? Em termos sim, mas não adiantaria muita coisa pois o buraco é bem la em baixo. bom ai a pessoa que le meu post pensa e o que este outros assuntos tem a ve com a matéria? Eu digo que tudo, por que isto só acontece devido a uma cadeia de fatores por exemplo se a população tem uma educação de qualidade, claramente ela estará mais preparada pra o mercado em consequência o mercado pagará mais, o comercio faturará mais pois o salário será maior e nem todas estas mazelas aconteceriam pois uma nação consciente dos teus direitos não deixaria acontecer as coisas do jeito que hoje acontecem hoje, mas o que acontece hoje é que temos uma nação burra(sem generalizar) onde bolsas esmolas e afins são jogados para nós como se fossemos animais de zoológicos ganhando amendoin e ainda sim ficamos contentes com isso é como diz o zé bunitinho esse é o nosso brasil baronil

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  • 02/08/2010 - 17:54
    Enviado por: alexandre

    Já pensaram o governo brasileiro me prendendo porque eu passei um arquivo em pdf(A cópia na legislação atual é proibida) de um livro para o pendrive da minha irmã?Bizarro hein?
    Outra coisa bizarra:Os que proíbem o P2P pensam que todos que usufruem do serviço querem ter lucro monetário com isso,que todo mundo vai sair em uma barraquinha na praça da sé e vender as mídias com os arquivos.
    Para terminar:Open sourse é o futuro.Software livre,desenvolver conforme as necessidades de cada cidadão,daquele cidadão que nunca vai ter condições de comprar um Macbunda(Macbook).
    Word- Open office Editor de texto
    Windows Media Player- Rhythmbox,Totem.
    msn- Amsn,Empathy
    Windows- Linux
    Internet Explorer 7- Firefox 3.6 for Ubuntu.
    Tv a cabo- Lixo…

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  • 03/08/2010 - 14:48
    Enviado por: wjonas_

    As pessoas já pagam pelo acesso a internet, bastaria que parte do valor pago, por exemplo 10%, fosse destinado ao pagamento de direitos autorais, a exemplo da cobraça feita pelo ECAD na realização de festas, eventos musicais, etc.
    Isso seria bom para os produtores e não geraria custos muito maiores para os internautas, pois já estaria embutido no preço do acessot.

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