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Domingo, 31 de Agosto de 2014

06 de dezembro de 2012 19h05

O mapa do blecaute na internet

Empresa mapeia os países que têm risco de ter a rede totalmente cortada; Groelândia, Iêmen e Etiópia estão na lista

Por Anna Carolina Papp

Empresa mapeia os países que têm risco de ter a rede totalmente cortada; Groelândia, Iêmen e Etiópia estão na lista

SÃO PAULO – A internet, com sua lógica descentralizada, tende a sobreviver a guerras, catástrofes e calamidades. No entanto, blecautes em larga escala, antes raros, começaram a se tornar mais recorrentes, sobretudo em países que enfrentam crises políticas – a fim de silenciar vozes dissidentes. Já aconteceu com Líbia, Egito e, mais recentemente, com a Síria – que teve todas as suas conexões desligadas há uma semana.

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Segundo estudo da empresa de monitoramento Renesys, a onda de perigo vai muito além dos integrantes da Primavera Árabe – 61 países possuem apenas um ou dois provedores de serviço conectando-os ao resto do mundo e, portanto, estão vulneráveis a blecaute. Entre eles estão Groelândia, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, Iêmen, Birmânia e Etiópia.

Analisando a quantidade de provedores e roteadores distribuídos pela rede, a Renesys criou o mapa abaixo, que atribui  a cada país risco “severo”,  ”significante”, “baixo” ou o classifica como “resistente”. Trinta países, incluindo os Estados Unidos, Inglaterra e Canadá e o Brasil, possuem mais de 40 provedores de internet cada, sendo classificados como resistentes a uma desconexão geral.

O que faz um país correr esse risco? “É um alto grau de centralização e um baixo nível de diversidade”, disse  James Cowie, chefe do departamento de tecnologia da Renesys. “Esses países tendem a ser lugares que em que naturalmente – pela história ou pela regulação – o número de provedores  que troca informações e compartilha tráfego com outros é muito, muito baixo.”

As causas variam de restrições políticas a questões logísticas. “A Groenlândia provavelmente gostaria de ter mais diversidade, mas a sua natureza e os gastos para se estabelecer conexão no País a limitam a um número pequeno –aparentemente, muito pequeno – de provedores”, diz Cowie.

Controle da rede. Temas como gerenciamento da internet estão sendo debatidas agora por 193 países na  Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais (WCIT, na sigla em inglês), em Dubai, nos Emirados Árabes. Entre esta semana e a próxima,  governos se reúnem para atualizar as regras das telecomunicações.

“Além da estabilidade e performance da internet, os riscos políticos de desconexão da rede começam a aparecer na lista de discussões, enquanto empresas consideram onde investir em infraestrutura global de nuvem”, diz a Renesys, que atenta para a importância do evento no estudo.

A conferência atualizará os padrões internacionais para o setor, o que desperta a preocupação de organizações civis e de empresas de internet. Estão em jogo questões como neutralidade de rede, controle por órgãos independentes e modelo tarifário de taxa por tráfego (entenda aqui).

A delegação brasileira cogitou  levar uma proposta sobre neutralidade, um dos principais entraves para a aprovação do Marco Civil da Internet no País. Apesar disso, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo garante que não assinará nenhum documento contrário à neutralidade.