O genoma da arte
- 14 de outubro de 2012|
- 18h16|
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Por Redação Link
O Art.sy é um guia de arte que quer mapear a relação entre as obras para revelar novas percepções ao público
Melena Ryzik, do The New York Times
Robert Storr, reitor da Escola de Arte da Universidade Yale, tem dúvidas. “Depende de quem está fazendo a seleção, de quais são os critérios e de quais são os pressupostos culturais por trás deles”, diz Storr, ex-curador do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York. “Tenho certeza que será redutivo.”
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Para fazer sugestões, os computadores precisam aprender como é o julgamento humano, um processo que começa pela rotulação: dar à máquina códigos para diferenciar um retrato da Renascença de uma pintura modernista, por exemplo.
Matthew Israel, 34 anos, doutor em arte e arqueologia pelo Instituto de Belas Artes da Universidade de Nova York, chefia uma equipe de dez historiadores de arte que decide quais são e como esses códigos devem ser aplicados. Algumas classificações (o Art.sy chama de “genes” e reconhece cerca de 800 deles) denotam qualidades objetivas, como o período histórico e a região de onde vem a obra, e se ela é figurativa ou abstrata, ou se pertence a uma categoria estabelecida como cubismo ou fotografia.
Outros rótulos são subjetivos; para arte contemporânea, os curadores podem usar termos como “globalização”. Um Picasso pode ser classificado em categorias como “cubismo”, “pintura abstrata”, “Espanha”, “França” e “amor”. As obras de Jackson Pollock recebem “arte abstrata”, “Escola de Nova York”, “espirrada/gotejada”, “repetição” e “orientada pelo processo”. Esses critérios aparecem em obras de contemporâneos de Pollock, como Robert Motherwell, mas também de artistas como Tara Donovan, cujas esculturas contemporâneas de espuma e papel também foram marcadas com “repetição”.
Cada categoria recebe um valor entre 1 e 100: um Andy Warhol pode ter um valor alto na escala da pop art, enquanto um pós -Warhol teria uma classificação diferente, a depender das influências. O software ajuda a filtrar imagens por qualidades visuais como a cor, mas a alma do julgamento é humana. “Uma pessoa trabalha à mão introduzindo um número para todos os campos relevantes”, explica Israel.
Os desafios curatoriais são maiores do que a complexidade técnica. “Como vamos captar algo que mostra ‘ardor’ com uma máquina? Não vamos”, disse Daniel Doubrovkine, 35 anos, engenheiro do Art.sy. Da mesma forma, o Pandora tem musicólogos cuja análise alimenta um algoritmo, o Projeto Genoma da Música, que recomenda sons com base nos gostos dos usuários e nas classificações dadas às faixas. Joe Kennedy, CEO do Pandora, foi consultor do Art.sy.
De família. O fundador, Carter Cleveland, 25 anos, idealizou o Art.sy quando estudava na Universidade de Princeton e não conseguiu encontrar uma peça de arte legal para decorar seu quarto. Ajudado pela família – seu pai escreve sobre arte; sua mãe é financista –, depois de se formar ele atraiu apoiadores como Wendi Murdoch, esposa de Rupert Murdoch, dono do grupo de mídia News Corp. Eric Schmidt do Google e Jack Dorsey do Twitter são investidores. E John Elderfield, ex-curador de pintura e escultura do MoMA, é consultor. “Toda a arte do mundo vai estar de graça para qualquer um com uma conexão à web”, diz ele, articulando um lema – ou plano de lucratividade. A receita vem de comissões de vendas e parcerias com instituições.
Mas o Art.sy ainda está longe de ter toda arte do mundo – o Google Art Project tem quase o dobro do tamanho. O genoma é robusto, mas restrito à coleção.
Seb Chan, do Cooper-Hewit – Museu Nacional de Design, parceiro do Art.sy, acredita que sites do tipo não pretendem substituir galerias ou livros, mas ajudar o público a ampliar as fronteiras. “Você vai a museus e é tudo uma questão de topar acidentalmente com algo. O Genoma da Arte é outra maneira de criar conexões”, diz. “Para as pessoas que têm a web como parte de suas vidas, essa é uma maneira natural de descobrir coisas.”
/ Tradução de Celso Parcionik
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Leia mais:
• Análise: Arte brasileira é representada pelos artistas mais jovens
• Link no papel – 15/10/2012
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