“Éramos lucrativos antes de ter dinheiro”
- 8 de agosto de 2010|
- 20h00|
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Por Redação Link
Miguel Helt, para o The New York Times
“Estamos em 2007. Não é possível que a internet seja só isto. Deve haver algo além de um brechó, uma livraria, um buscador e um portal”. São eles os gigantes e-Bay, Amazon, Google e Yahoo. A frase foi dita por Mark Pincus, 44 anos, criador da Zynga, produtora de games para o Facebook como FarmVille e Mafia Wars, e resume bem as ambições da empresa – todas elas encarnadas na figura do fundador. E para que não haja dúvidas quanto a qual dos gigantes a Zynga se compara, Pincus disse que a oportunidade de erguer um império do entretenimento era “como o setor das buscas antes do Google”.
Por enquanto, ele parece estar no rumo certo. A Zynga Game Network é a mais promissora dentre as novas empresas do Vale do Silício desde o Twitter e de seu antecessor, o Facebook. Diferentemente do Twitter, cuja renda é simbólica, a Zynga está a caminho de embolsar US$ 835 milhões neste ano, de acordo com a Inside Network, que acompanha os aplicativos do Facebook. Enquanto o Facebook levou 4 anos e meio para atingir a marca de 100 milhões de usuários, a Zynga ultrapassou esse número em 2 anos e meio.
A maior parte da renda da Zynga, cujos jogos são todos gratuitos, provém da pequena fração dos usuários que paga dinheiro de verdade por artigos de faz-de-conta que lhes permitem avançar nos jogos ou presentear os amigos. Os jogadores podem comprar tais itens com cartões de crédito, com contas do PayPal ou com o Credits, novo sistema de pagamentos do Facebook. O trator cor-de-rosa, um dos itens mais procurados no FarmVille, custa cerca de US$ 3,50. É pouco, mas multiplicado pelos milhões de usuários, vira bastante.
A empresa cresceu rapidamente até chegar a quase mil funcionários, um aumento acentuado em relação aos 375 funcionários que compunham sua força de trabalho um ano atrás, e há atualmente 400 vagas em aberto na Zynga. Investidores como o Google e o fundador da Netscape, Marc Andreesen, depositaram cerca de US$ 520 milhões na empresa. Apesar de parte do dinheiro ter sido usada para comprar a participação de investidores iniciais e funcionários, a soma ainda é considerável para os padrões do Vale do Silício.
O valor de mercado da Zynga foi avaliado em mais de US$ 4,5 bilhões, o que faz de Pincus um sério candidato a se tornar o próximo bilionário no Vale do Silício. Pelos padrões da região, onde pessoas como Andressen, criador do Netscape, Mark Zuckerberg, do Facebook, Larry Page e Sergey Brin, do Google, ergueram impérios na internet antes de completar 30 anos de idade, Pincus é um garoto genial de idade avançada.
Vestindo jeans e camiseta, ele poderia facilmente passar despercebido em meio aos novos recrutas da Zynga, um grupo de engenheiros e gerentes de produto que vestem agasalhos de capuz e têm pouco mais de 20 anos.
Empreendedor serial, ele vendeu sua primeira empresa, a Freeloader – um dos primeiros serviços de transmissão da internet -, por US$ 38 milhões e tornou pública sua segunda empresa, uma produtora de software empresarial chamada Support.com. Ele possui muitas casas e um avião. Mas, cinco anos atrás, na época em que sua terceira empresa – uma rede de relacionamento chamada Tribe.net – caminhava para a falência, ele se queixou, numa entrevista, que ainda não estava na lista dos principais nomes do Vale do Silício.
Com a Zynga, Pincus acredita que finalmente receberá o que merece. Ele fala em erguer uma empresa cujos serviços sejam tão indispensáveis que, no futuro, todos se perguntem como vivíamos sem ela.
Enquanto abria seu caminho pelo Vale do Silício, Pincus ganhou a reputação de líder visionário. Mas ele também é conhecido por sua personalidade incisiva e estilo irreverente, uma imagem que não tenta desmentir. Ele costuma se vangloriar de ter sido demitido de uma firma de consultoria por ser muito impaciente com seus chefes. “Nunca acreditei que sofrer no trabalho fosse um critério para ser respeitado”, disse numa palestra.
Pincus fala abertamente de sua desconfiança em relação aos investidores e afirma não quer ficar à mercê deles. “Nós éramos lucrativos antes mesmo de ter dinheiro”, diz. “Acho que isso nos confere uma chance maior de, ao sentar com investidores, agir como seus pares, e não como seus funcionários.” Ele diz que certa vez impediu os sócios de uma firma que tinha investido na Support.com de participar das reuniões “porque eles nada tinham a acrescentar”. Com um toque de orgulho, acrescenta que uma empresa do Vale do Silício se recusou a investir na Zynga por considerá-lo “impossível de manobrar”.
Mas ele reconhece que, com o sucesso da Zynga, ele teve de maneirar nas atitudes intempestivas. “Conforme a empresa ganhou visibilidade e exposição, comecei a perceber que um grande número de pessoas leva a sério as coisas que digo”, afirma ele. “Tive de amadurecer.”
Conforme a Zynga emergiu como mais bem sucedida desenvolvedora de aplicativos para o Facebook, o relacionamento com a gigante das redes sociais ficou mais complicado. Primeiro, houve problemas com o sistema de notificação e a queda nos acessos. Então o Facebook disse que pressionaria os desenvolvedores de aplicativos para que adotassem uma moeda virtual, chamada de Credits, dentro do site, cobrando uma parcela de 30% sobre o lucro obtido. A situação ficou tensa, mas as empresas conseguiram acertar as diferenças. Em maio, anunciaram uma parceria de 5 anos ampliando o uso dos créditos nos jogos da Zynga.
Ethan Beard, que lidera a equipe de desenvolvedores para a plataforma Facebook, reconheceu o desgaste, mas disse que a relação entre as empresas agora é “extremamente sólida”. Ainda assim, alguns analistas preveem novos atritos conforme o equilíbrio de poder entre elas se altera. “A maioria das pessoas acredita que o Facebook seria um fenômeno mesmo sem os jogos”, diz Michael Patcher, analista da Wedbush Securities. “Não estou tão certo quanto a isso. Entre 20% e 30% das visitas ao Facebook têm como objetivo o acesso a estes jogos.” A Zynga, que parece estar considerando a possibilidade de uma oferta pública, não quer apostar todas as suas fichas no Facebook. A empresa assinou recentemente um acordo para trazer seus jogos aos milhões de usuários do Yahoo. E Pincus dividiu o palco com Steve Jobs, da Apple, no lançamento do iPhone 4, anunciando que o FarmVille estaria disponível no celular. Isso sem falar na recente aproximação entre Google e Zynga.
Quando Pincus teve suas primeiras ideias para a criação da Zynga, a maioria dos investidores e demais participantes da indústria duvidou que uma empresa iniciante no ramo dos games pudesse virar a próxima grande promessa. Mas o sucesso dos jogos da empresa calou os críticos.
“De todos os empreendimentos novos dos quais já participei, a Zynga, de apenas 3 anos, é o mais lucrativo, o que mais cresce e o que apresenta o maior número de fregueses satisfeitos”, diz John Doerr, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers, firma de investimento que apoiou Amazon, Google e Netscape.
/TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL
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10/08/2010 - 11:36 Enviado por: Carol X.
A Zynga teve pura sorte. Os jogos deles são fracos, feios, pouco criativos e, ainda assim, ridiculamente viciantes. Na minha opinião só têm essa enorme quantidade de usuários mensais porque foi uma das primeiras a lançar um joguinho minimamente consistente, e jogos sociais obviamente só dão certo com muitos usuários.
Um jogo do tipo “exiba suas posses”, em que a jogabilidade se limita a cliques repetitivos para acumular dinheiro e bens virtuais, é viciante para a maioria das pessoas, mas tende a perder a graça muito rápido. Logo os usuários vão começar a se dispersar, espero eu. É triste que um jogo sem graça como Farmville seja o mais popular dos dias de hoje.
Na minha opinião os jogos da Playfish são mais interessantes. Embora tenham vários dos defeitos dos demais, a Playfish se mostra mais interessada em projetar jogos coerentes, com visual e conceito mais criativos.
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