No comando
- 7 de novembro de 2010|
- 17h39|
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Por The New York Times
O controle remoto da TV, que insiste em sumir sob as almofadas do sofá, logo mais poderá ser definitivamente abandonado. “Finalmente!”, diz Chris Lavoie, produtor de rádio de Los Angeles. Aproveitando os avanços dos smartphones, Lavoie usa um aplicativo do iPhone para controlar sua Apple TV.
Mas, o celular não é uma solução perfeita. Sua tendência a ir para o modo “sleep” pode acabar aborrecendo, diz Lavoie, porque, quando isso acontece, são necessários vários passos para reativá-lo antes de poder dar pause no filme. Para essas funções básicas, ele usa ainda o controle remoto da TV mesmo.
Os hábitos dos telespectadores estão mudando à medida que o conteúdo sob demanda e a internet – vídeos do YouTube, streaming de filmes, sites de compras, fotos de Facebook – passam diretamente nas telas grandes. Navegar por tudo isto exige mais ação por parte do telespectador – é necessário inclusive digitar textos, coisa que os controles atuais não permitem.
“Todo mundo se dá conta de que o controle remoto é o dinossauro da indústria de produtos eletrônicos de consumo”, diz David Mercer, analista de TV da empresa de pesquisa e consultoria Strategy Analytics. “As companhias a cabo e os fabricantes de TVs estão se convencendo de que terão de abandonar o controle remoto básico, tradicional.”
ILUSTRAÇÃO: THE NEW YORK TIMES
No entanto, tentar introduzir um exagero de recursos em um controle remoto pode torná-lo caro e fisicamente volumoso. O controle que a Sony desenvolveu para a seu aparelho compatível com a Google TV – grandalhão e com mais de 75 teclas, que exigem o uso de ambas as mãos – mais parece o comando de um avião de aeromodelismo.
Troca
Na indústria de tecnologia alguns acreditam que a melhor alternativa seria simplesmente substituir o controle por um aplicativo de smartphone como o usado por Lavoie.
A partir do momento em que ria um aplicativo para controlar um conversor de TV, pode introduzir, no teclado virtual da tela sensível ao toque, qualquer configuração que desejar.
Houve tentativas bem-sucedidas de usar smartphones como controles remotos. A Sonos, que produz aparelhos de som conectados à internet, oferece um aplicativo gratuito para iPhone que reproduz todos os recursos do seu próprio controle remoto com tela sensível, aparelho que é vendido por US$ 349. Mais da metade dos clientes da Sonos agora usa o aplicativo, que conecta o som à rede Wi-Fi.
Vários fabricantes de TVs, como Mitsubishi e Samsung, resolveram seguir o exemplo, com controles remotos para smartphones. E aplicativos para celulares já fazem parte das novas Apple TV e Google TV.
Essa peculiar corrida armamentista pode parecer apenas curiosa, mas o modesto controle remoto é um item tecnológico importante que deixou sua marca na televisão.
Quando foi desenvolvido, na década de 50, o controle remoto – o primeiro modelo, chamado de Lazy Bones, era ligado a uma TV Zenith por um fio – servia só para ajustar o volume.
Mas logo ficou claro que a verdadeira função do acessório era permitir que os telespectadores trocassem rapidamente de canal. A navegação pelos canais simplesmente não funcionaria se o telespectador tivesse de levantar toda vez do sofá.
Gigantes da indústria digital, como Apple e Google, assim como uma série de empresas recém-criadas do Vale do Silício, têm uma visão do futuro que fará a busca pelos canais parecer estranha. Para eles, em breve os telespectadores terão a possibilidade de escolher entre uma variedade enorme de programas, venham da TV ou via internet.
Em 2015, o número de domicílios com televisores conectados à rede deverá chegar a 43 milhões – no início deste ano eram 2 milhões–, segundo a empresa de pesquisa de tecnologia Forrester Research.
“A maneira de acessar o conteúdo já começou a evoluir”, disse John Burke, vice-presidente sênior e gerente-geral de banda larga da Motorola, que fabrica conversores para operadoras de TV a cabo. “Será fundamental ter controles remotos que permitam interagir com o aparelho”.
Controlado
Mas algumas companhias não se entusiasmaram com a ideia de o celular ser usado como o controle remoto do futuro. Elas estão vendendo uma variedade de controles remotos com teclados completos, telas sensíveis ao toque e sensores de movimento, como o próprio acessório que a Microsoft lança neste mês para seu console de games Xbox, o Kinect.
Os televisores mais caros da Samsung podem ser controlados por um aparelho dotado de tela sensível ao toque que permite que o usuário use um teclado virtual para digitar ou navegar pelos menus. Também pode exibir o mesmo vídeo que está sendo exibido na TV, de modo que o telespectador não perca nada enquanto vai para a cozinha para preparar um lanche.
A Samsung considera os aplicativos para celular como complementos do seu aparelho; afinal, ela fabrica seus próprios smartphones. Entretanto, a Mitsubishi vê seus aplicativos como uma forma de substituir seu próprio hardware. Neste ano, ela abandonou o projeto de um controle remoto com tela sensível ao toque porque concluiu que o aparelho implicaria um aumento de várias centenas de dólares no preço do televisor. Em vez disso, está desenvolvendo softwares para celulares e tablets. “Se as pessoas usarem um iPad, será sua melhor experiência. Nunca poderíamos recriar isto”, disse Frank DeMartin, vice-presidente de marketing da empresa.
Sem bateria
Usar um telefone como controle remoto não é para qualquer um. Quando Chris Igoby de Washington comprou seu primeiro smartphone com sistema operacional Android em outubro, imediatamente achou um aplicativo que controlava sua TV. Mas ele se deu conta de quanto aquilo custava em termos de bateria do telefone.
“Funciona da mesma maneira que o controle; perfeitamente”, falou a respeito do aplicativo. “Mas não entendo por que motivo alguém iria querer usar seu telefone como controle”.
Por sua vez, Lavoie completa o aplicativo de iPhone que controla sua Apple TV com um controle remoto universal para o seu TiVo e para outros aparelhos, de modo que ele brinca com todos ao mesmo tempo.
Algumas companhias hesitam em adotar a ideia do aplicativo porque não gostariam de depender apenas de um aparelho ou da plataforma de um concorrente para controlar suas TVs, afirmou Mercer, da Strategy Analytics. “É uma questão de controle da tecnologia, e, mal você fala em aplicativos em outros aparelhos, alguém já trata de se apoderar daquele meio”, afirma.
Descontrole. A questão do controle pode surgir em outro contexto, esse mais fácil de ser resolvido: uma vez que todos na sala carregam um controle remoto pessoal, qualquer um pode assumir o comando da televisão.
Scott Baldwin, porta-voz da Samsung, disse que o aplicativo móvel de sua companhia pode dar a um convidado o poder de mudar de canal contra o desejo dos donos da casa. Para isso, ele mesmo sugere uma solução bem pouco tecnológica: “Nunca mais convide essa pessoa”. /JOSHUA BRUSTEIN; TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA
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Leia mais:
• ‘Link’ no papel – 08/11/2010
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