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Sábado, 20 de Setembro de 2014

25 de fevereiro de 2014 18h43

Mt.Gox sai do ar e gera crise no mercado de bitcoins

Um dos bancos de bitcoins mais famosos do mundo saiu do ar sem aviso prévio; roubo de moedas é apontado como motivo

Por Ligia Aguilhar

SÃO PAULO – Banco de bitcoins mais famoso do mundo, o Mt.Gox amanheceu fora do ar nesta terça-feira, 25. O motivo não foi esclarecido.  Após horas fora do ar, o site passou a exibir apenas o seguinte comunicado: “Diante das notícias recentes e da possível repercussão nas operações do Mt. Gox e no mercado, foi tomada a decisão de encerrar todas as transações de modo a proteger o site e os usuários. Vamos acompanhar a situação de perto e agir apropriadamente”.

Criado no Japão, o Mt.Gox já havia suspendido os saques na semana passada, sob alegação de que estava corrigindo uma falha no seu sistema. No domingo, a Bitcoin Foundation,  entidade que estabelece padrões e procedimentos para o mercado de bitcoins,  divulgou que o site deixou de fazer parte da organização. Entre as startups do ramo, no entanto, a falência do Mt. Gox é dada como certa. Com isso, usuários do serviço ficaram impossibilitados de sacar seu saldo.

Um documento divulgado na internet especula que a razão para o fechamento seria o fato do banco ter perdido 744 mil bitcoins, o equivalente a US$ 388 milhões, nos últimos anos, por causa de uma falha de segurança.

Seis empresas da área (Coinbase, Kraken, BTC China, Bitstamp, Blockchain e Circle) tentaram mitigar a crise de confiança sobre a moeda virtual, após a saída inesperada do Mt.Gox do ar, por meio de um comunicado divulgado nesta terça-feira que diz que “como em qualquer indústria nova, os atores ruins precisam ser eliminados. É o que estamos vendo hoje”. Segundo eles, a  violação da confiança dos usuários da Mt.Gox foi o resultado das ações de uma empresa e “não reflete a indústria da moeda virtual”.

Crime.
Na segunda-feira, 24, a empresa de segurança Trustwave divulgou que criminosos cibernéticos infectaram centenas de milhares de computadores com um vírus chamado “Pony” para roubar bitcoins e outras moedas digitais, no mais ambicioso ataque a moedas virtuais conhecido até hoje.

A companhia disse ter encontrado evidências de que os operadores de uma rede de cibercrime conhecida como Pony roubaram 85 carteiras virtuais que continham bitcoins e outros tipos de moedas digitais. A empresa disse não saber quanto as carteiras tinham em moedas. “É a primeira vez que vemos uma presença tão espalhada desse tipo de malware, em centenas de milhares de máquinas”, disse Ziv Mador, diretor de segurança da Trustwave.

A empresa disse acreditar que a rede criminosa ainda está operando, apesar de não saber quem comanda o grupo. A companhia disse que desabilitou servidores que estavam controlando as máquinas infectadas pelo Pony, mas espera que o grupo lance mais ataques a usuários de moedas virtuais.

Um representante da Bitcoin Foundation aconselhou aos usuários para guardarem a moeda em máquinas desconectadas em localizações seguras como forma de impedir o furto.

A descoberta da Trustwave ocorreu depois que um ataque digital se espalhou no início do mês por operações de câmbio da Bitcoin. O ataque causou a suspensão de saques de pelo menos três operadores da moeda virtual, incluindo o Mt.Gox,  fazendo o valor dela despencar 33% durante 3 semanas.

A Bitcoin é uma moeda digital apoiada por um código de software escrito por um programador ou grupo de programadores desconhecido. A moeda não é regida por nenhuma empresa ou indivíduo e seu valor é determinado pela demanda dos usuários.

Pessoas que compram moedas digitais podem guardá-las em carteiras virtuais em seus próprios computadores ou junto a companhias que oferecem serviços de armazenagem de dados.

/ COM REUTERS