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Megaupload planejava virar gravadora

Por Camilo Rocha

Entrevista dada por Kim Dotcom dá detalhes sobre selo de música Megabox, que contrataria artistas e venderia músicas

SÃO PAULO – Circulam pela internet rumores quanto aos reais motivos do fechamento do Megaupload e da prisão de seu fundador, o alemão Kim Dotcom. Declarações dadas pelo empresário em dezembro de 2011 revelam que ele planejava lançar um selo de música online chamado Megabox, pelo qual contrataria artistas e venderia músicas.

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Segundo declarou na época ao site TorrentFreak, “vocês podem esperar vários anúncios do Megabox ano que vem [2012], incluindo contratos exclusivos com artistas que estão muito dispostos a deixar para trás modelos de negócios ultrapassados”.

O serviço já estaria em fase de testes beta e contaria com parceiros como 7digital, Gracenote, Rovi e Amazon MP3.

Na época, o empresário fez um desafio aberto à Universal, com quem brigou na Justiça por causa da aparição de artistas da gravadora (como Alicia Keys, Will.I.Am e Snoop Dogg) em um vídeo de apoio ao Megaupload (veja acima). “Eles sabem que vamos competir com eles através do nosso próprio negócio musical chamado Megabox.com. É um site que em breve permitirá a artistas vender suas criações diretamente aos consumidores enquanto permite que os artistas fiquem com 90% dos ganhos”.

Essa taxa é mais do que a vasta maioria das gravadoras paga aos seus artistas por vendas online. Mas, de acordo com Dotcom, as vantagens não paravam pr aí. Ele disse também que pagaria artistas por músicas que fossem disponibilizadas gratuitamente. Isto seria feito através de um sistema chamada Megakey. “Isso mesmo”, confirmou Dotcom ao TorrentFreak, “vamos pagar artistas até por downloads gratuitos. O modelo de negócios do Megakey já foi testado com mais de um milhão de usuários e funciona”.

Além do Megabox, que o empresário ainda descreveu na entrevista como rival do iTunes, ele afirmou que planejava um serviço chamado Megamovie para a distribuição gratuita de filmes.

Liberdade negada. Voltando ao presente, um tribunal da Nova Zelândia recusou nesta terça, 24, a liberdade condicional solicitada pelo fundador do portal Megaupload, o alemão Kim Schmitz. Sua extradição foi solicitada pelos Estados Unidos por suposta pirataria de conteúdo protegido por direitos autorais.

A decisão judicial foi anunciada pelo tribunal do distrito de North Shore, onde Dotcom, compareceu na última segunda-feira, três dias depois de ter sido detido.

O juiz David McNaughton disse que “Dotcom” permanecerá em prisão preventiva até o dia 22 de fevereiro, quando espera-se que aconteça nova audiência sobre o pedido de extradição feito pelas autoridades americanas.

Ao fim da audiência, o magistrado neozelandês indicou que precisa de tempo para examinar os argumentos da defesa do acusado e da promotoria.

Após sua detenção, o tribunal decretou a prisão preventiva do alemão, de 38 anos, e seus compatriotas Finn Batato, de 38, chefe técnico e co-fundador do portal, Mathias Ortman, de 40, e o holandês Bram von del Kolk, de 29 anos.

Os outros três executivos permanecerão em prisão preventiva até que se decida sua situação em outra audiência sobre o pedido de liberdade condicional.

Caso a justiça da Nova Zelândia aprove a extradição, os quatro detidos serão processados nos EUA sob as acusações de crime organizado, lavagem de dinheiro e violação da lei de direitos de propriedade intelectual, delitos pelos quais podem ser condenados a uma pena máxima de 50 anos de prisão.

O advogado de defesa de Dotcom acusou os EUA de “extremista do copyright”. Ele disse que a ação americana é um ataque não só ao Megaupload, mas também aos direitos de milhões de consumidores ao redor do mundo. “Somos como o YouTube”, declarou.

Enquanto isso, a entidade que representa a indústria fonográfica americana, a RIAA, publicou um comunicado intitulado “Porque é importante fechar o Megaupload”. No texto, o vice-presidente da entidade, Joshua P. Friedlander, diz que a ação será boa para as vendas legítimas de música online. Ele diz que o mesmo aconteceu quando as gravadoras conseguiram fechar, em 2010, o Limewire, popular serviço de compartrilhamento de arquivos.

/ com informações da EFE

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