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Marco Civil da Internet prevê a neutralidade de rede no Brasil

Por Carla Peralva

Se definir o conceito de neutralidade é difícil, instituir sua extensão prática é ainda mais. E a dificuldade começa com a dúvida se é necessário ou não que ela seja garantida e preservada por regulações estatais.

EUA e Chile acham que sim. União Europeia discorda, acreditando que apenas as leis de direito do consumidor, as regras de livre concorrência e as normas reguladoras das telecomunicações já são suficientes para que o princípio seja mantido.

O Brasil fica com o primeiro time. Paulo Rená, que foi um dos gestores do Marco Civil da Internet, acredita que o Estado precisa se impor e que o princípio da neutralidade precisa ser aplicado e fiscalizado. “É uma postura ativa, e não algo natural e que se mantém por acaso.”

O Marco Civil é um projeto que quer definir direitos e responsabilidades na internet e que está na Casa Civil aguardando para ser enviado para o Congresso. A lei coloca a preservação e a garantia da neutralidade da rede como um dos princípios que devem reger a web.

Os que criticam essa passagem do texto alegam que o conceito deveria ser melhor explicado para não abrir margem para múltiplas leituras. Guilherme de Almeida, responsável pelo Marco Civil no Ministério da Justiça, argumenta que a intenção foi exatamente colocar a neutralidade como um princípio geral, sem detalhamento. “Com esse princípio instituído por lei, a especificação é posterior. Uma regulamentação consegue acompanhar melhor a rápida evolução da internet do que uma lei muito específica.”

A responsável pela regulamentação técnica seria a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que estabeleceria as medidas práticas que garantiriam a neutralidade e as normas para a discriminação do tráfego de dados.

A Lei Geral das Telecomunicações já proíbe a discriminação de qualquer tipo de conexão e de usuários “quanto às condições de acesso e fruição do serviço”. O Comitê Gestor da Internet diz que a “filtragem ou privilégios de tráfego devem respeitar critérios técnicos e éticos”. Então, é necessária mais uma regra sobre o assunto?

Rená e Almeida acreditam que sim. Caso o Marco Civil seja aprovado, terá força de lei e a garantia da neutralidade passará a ser uma obrigação no Brasil. “O Marco Civil será uma evolução na legislação que já possuímos hoje”, afirma Almeida.

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Leia mais:

Link no papel – 10/01/2011
Por uma internet mais livre
Chile: pioneiro no mundo

2 Comentários
  • 10/01/2011 - 09:21
    Enviado por: ShibsTrocs

    Lá vem a censura na internet! China Things on EUA, Chile e Brasil. Façam o download dos programinhas de liberdade :) só procurar por “Free Internet”.

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  • 10/01/2011 - 10:36
    Enviado por: Diego Souza :) 2011

    O Brasil, quanto ao nosso Governo, não tem um mentalidade boa para discutir quanto a neutralidade da rede, uma vez que nosso país sequer assiou o tratado ( a qual me esqueci o nome agora ) , por mais que a neutralidade seja praticada, haverá de ter sempre esta brecha, é mais ou menos como você conceder um preso, a uma liberdade condicional, por quão seja boa a sua conduta, por mais que ele esteja livre, sempre o medo tomará conta de si, o tempo todo, além do que vivemos em um país onde os mais espertos se aproveitam, para jogar interreses próprios, para a não pratica de algum lei, e assim por diante.

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