Estadão.com.br

Mais um recordista

Por Agências

Call of Duty: Black Ops foi lançado na terça e em 24 horas já era recordista e tema de polêmica.

A Activision Blizzard, fabricante do game, anunciou que ele arrecadou US$ 360 milhões no primeiro dia à venda, algo inédito não apenas no setor de games, mas em toda a indústria do entretenimento. A marca pertencia ao título anterior da série, Call of Duty: Modern Warfare 2, que vendeu US$ 310 milhões em 24 horas.

Guerra fria. Quanto à polêmica, ela gira em torno de Fidel Castro: a primeira missão do jogo se passa em Cuba e propõe assassinar o líder cubano. “O que o governo dos EUA não alcançou há mais de 50 anos, agora pretende realizar por meio virtual”, afirma uma nota do Cubadebate, portal oficial. A missão se passa na ilha antes da Crise dos Mísseis de 1962, quando o mundo esteve à beira de uma guerra mundial devido a um enfrentamento entre a então União Soviética e Washington em torno de mísseis nucleares em Cuba.

“A lógica do jogo é duplamente perversa: por um lado, glorifica os atentados que o governo dos EUA planejou contra o líder cubano e, por outro, estimula atitudes sociopatas em crianças e jovens norte-americanos”, continua o artigo, que defende que o jogo é uma “operação” de propaganda contra o país comunista.

Polêmica à parte: jogo explora flashback, capricha na chuva de balas e mistura os bonzinhos e os malvados
Polêmicas nos games servem mais às manchetes e às empresas que os desenvolvem do que aos jogadores. E com Call of Duty: Black Ops não é diferente. A missão para assassinar Fidel, que se passa em 1961, repete a fórmula publicitária da edição anterior, Modern Warfare 2 (MW2), em que o jogador faz o papel de um agente infiltrado em um grupo terrorista e participa de um atentado em um aeroporto, massacrando centenas de inocentes. Mas, diferente da missão para matar Fidel, a fase polêmica do ano passado era opcional em MW2 e não importava para a trama.

Como o Link verificou jogando Black Ops na semana passada, por mais desconfortável que a descrição das fases possa parecer, o jogador passa batido pelas polêmicas: o que interessa é a divertida sensação estressante de desviar de chuvas de balas e trabalhar em grupo para vencer as batalhas – tanto na versão multiplayer online quanto nas operações especiais – que desta vez se desenrolam na década de 1960, o período mais tenso da Guerra Fria.

E neste sentido, pouca coisa muda na nova versão de Call Of Duty, que continua tão envolvente quanto os últimos títulos da série. Alguns detalhes são novos, como veículos diferentes (há fases em que você deve fugir com motocicletas, carros e caminhões) e armas típicas da época. Também é diferente a forma como as missões são interligadas.

Explico: o personagem principal Alex Mason – encarnado pelos jogadores – está em um interrogatório, tomando choques elétricos, e, à medida que relembra as operações especiais das quais participou, o jogador entra no flashback dele, que fez parte de um grupo clandestino contratado para tarefas obscuras na Guerra Fria.

Assim, as fases e batalhas têm uma continuidade como se fossem uma só e são interligadas pela história contada durante o interrogatório.

Ao abordar o cenário da Guerra Fria, Black Ops inaugura um retorno ao tema já bastante explorado no cinema, mas sem adotar o embate entre “bonzinhos” (EUA) e “malvados” (os comunistas). A história mistura os elementos dos tempos pós 11 de setembro, explorados nos títulos anteriores (Modern Warfare 1 e 2), em que é difícil distinguir inimigos, e esquadrões clandestinos que agem fora da lei, contratados por governos. O esquadrão do jogo inclui agentes da ex-União Soviética. De qualquer maneira, Black Ops é mais um elemento para fazer da série Call of Duty um dos principais games da história e um marco para a indústria do entretenimento.

(Filipe Serrano)

—-
Leia mais:

Link no papel 15/11/2010

1 Comentário
  • 16/11/2010 - 12:44
    Enviado por: Ademir

    Eu ainda não joguei, mas vou jogar, mas gostaria de saber qual seria a reação do mundo hipócrita se uma dessas empresas resolvessem fazer um game em que o personagem principal fossem os terroristas que jogaram os aviões nas torres gemeas.
    Quer dizer é permitido matar o fidel castro em black ops, norte coreanos em crysis, árabes no medal of honor.
    Mas quando no mesmo medal of honor tentaram matar americanos e ingleses daí eles se manifestaram.
    Ainda bem que eu não ligo pra isso, mato todo mundo sem distinção…

    denunciar abuso

Deixe um comentário:

Blogs do Link