Lançamento do mesmo de sempre
- 5 de setembro de 2010|
- 19h08|
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Por Rafael Cabral
Na quarta-feira passada, a Apple apresentou uma série de novos produtos, inclusive conceitos e novos formatos para toda a linha de iPods e uma renovada Apple TV. Mas apesar de tantas novidades, no fundo não há nenhuma: a estratégia da empresa continua a mesma.
Repetindo o mesmo que fez com as gravadoras – ao roubar uma fatia da venda de cada faixa de música -, e com a mídia – com o modelo de aplicativos que implantou no iPhone e no iPad -, a Apple agora tenta se enfiar no negócio de estúdios e emissoras.
O maior anúncio foi o de um serviço de aluguel de filmes (US$ 4,99 por dia, antes que sejam lançados em DVD) e de séries (US$ 0,99, sem comerciais). Tudo feito pela TV, através do aparelho que, lançado e ignorado há quatro anos, agora tenta ganhar vida nova. Pode parecer diferente, mas a tática é a mesma que vem garantindo o sucesso da companhia desde o primeiro iPod e, na sequência, dos downloads pagos via Itunes.
Abocanhando sua parte como intermediária, a empresa empacota tudo e vende aos usuários com algumas palavras-chave, sempre repetidas: segurança, comodidade, facilidade. Em vez de baixar um filme no torrent, arriscando-se a pegar um vírus ou um arquivo adulterado, a pessoa paga um pouquinho por um produto garantido. Não é algo feito para quem está acostumado com fartura de pirataria, mas para quem não quer fugir dela. A Apple não quer competir com a internet, quer apenas ser uma alternativa mais simples – e paga. “As pessoas não querem que a TV delas vire um computador”, disse Jobs na quarta. “Elas já têm computadores e vão para a TV em busca de entretenimento. É difícil para quem é da indústria, mas natural para o consumidor.”
Assinando o serviço, o usuário também fica restrito ao ambiente digital da Apple e às suas parcerias (por enquanto, Fox, ABC e Netflix). O conversor de mídia digital que leva conteúdo da internet para a TV tem um quarto do tamanho daquele lançado em 2007 e custará US$ 99. Com um aplicativo chamado AirPlay será possível sincronizar o streaming de vídeos do iPad, iPhone e iPods por meio da televisão equipada com a Apple TV.
Novos iPods e Apple ‘social’
Steve Jobs começou anunciando as versões 4.1 e 4.2 do sistema operacional iOS, o antigo iPhone OS. O primeiro será liberado nesta semana, com a correção de alguns bugs e algumas melhorias: um Game Center para jogos multiplayer, aluguel de séries de TV, fotos HDR (longos panoramas em alta definição) e a possibilidade de subir vídeos via Wi-Fi. Já em novembro, será lançado o iOS 4.2, com download gratuito no iTunes, que levará todas essas características para o iPad – que, a partir de agora, também poderá imprimir documentos via wireless.
Logo depois, foi a vez dos iPods. O conceito de cada modelo foi redefinido. O Touch virou uma espécie de iPhone sem telefone e sem contrato, já que ganhou duas câmeras – uma frontal, para videoconferências, e outra na traseira que filma em alta definição. O de 8GB custará US$229; o de 16GB, US$299; e o de 64GB, US$ 399. Mas se você quiser tirar fotos com mais que parcos 0.7 megapixels, terá mesmo que gastar com um iPhone 4.
O Shuffle ganhou um novo desenho, virá em cinco cores e custará US$ 49, mas serve só para ouvir música mesmo. Se quiser algo mais, pule para o Nano, o modelo que mais mudou, ficando com a metade do tamanho e do peso e ganhando uma superfície multitoque (mesmo que de 3cm). O de 8GB será vendido por US$ 149, enquanto o de 16GB sairá por US$ 179.
O único anúncio não esperado, talvez, tenha sido o de uma rede social de música embutida na versão 10 do iTunes, o Ping. Jobs anunciou o serviço como “se o Facebook e o Twitter se encontrassem com o iTunes”, mas, ao menos à primeira vista, ele parece bem menos que isso.
Basicamente, a ferramenta quer ajudar os usuários a descobrir – e, portanto, comprar – novas músicas. A página tem uma timeline similar à do Facebook, onde você pode postar vídeos, fotos, opiniões, seguir e ser seguido. Ao seu favor, a companhia tem a enorme base do iTunes, nada menos que 160 milhões de usuários, mas o lado contrário talvez seja mais forte: na web social é impossível uma empresa se manter sendo tão fechada e controladora quanto a Apple é com o seu ecossistema.
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