Jobs volta ao palco
- 6 de março de 2011|
- 18h00|
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Por Rafael Cabral
O segundo iPad, afinal, apareceu. Mas ninguém deu muita bola para o dispositivo em si, que é exatamente como todos esperavam – bem mais fino e leve, ganhou um visual arredondado, um processador dual core e duas câmeras – e foi anunciado justamente quando o mercado quis. Com o nicho dos tablets começando a ser invadido por Androids de marcas como Samsung e Motorola, era a hora de uma versão repaginada do aparelho da Apple, agora contando com especificações técnicas já esperadas desde o iPad 1 mas que foram poupadas para uma “bombástica” segunda geração.
Os acionistas da Apple – que faturou US$ 9,5 bilhões com o iPad – queriam vê-la logo, e os desenvolvedores – que, juntos, ganharam US$ 2 bilhões com aplicativos no ano passado – também. Então ninguém nem fez questão de esconder.
Ao contrário do iPad 1, novidade em janeiro do ano passado e esperança da mídia e de outras indústrias do entretenimento, o iPad 2 já era algo conhecido mesmo antes de ser revelado, mostrando que a estratégia de marketing da Apple – de rumores plantados ao hype absoluto em poucas semanas – já é tão conhecida que encontra sinais de desgaste.
Na verdade, ela só dá certo porque a Apple é uma das marcas mais fortes na identificação com os seus consumidores, que não se incomodam em gastar dinheiro com novos aparelhos ano após ano apenas para ganhar alguns progressos técnicos por vez.
Tudo teria sido exatamente igual aos vários anúncios de novos iPhones ou MacBooks não fosse a situação peculiar que Apple vive neste começo de 2011. Agora que se tornou a maior fabricante de computadores pessoais móveis do mundo, o seu fundador Steve Jobs pode estar prestes a morrer em decorrência de uma doença da qual escapou por pouco em 2008, um tipo raro de câncer pancreático. Ele está em licença médica sem tempo determinado e, enquanto isso, quem comanda a Apple é Tim Cook, Em vez de centrar-se na estratégia empresarial ou na “era pós-PC”, quem acompanha tecnologia começou a se perguntar como seria a Apple pós-Jobs.
Quando foi anunciado que 30% dos acionistas já pressionavam para que a empresa lançasse um plano de sucessão do cargo de chefia, Jobs decidiu que não só o iPad 2 deveria ser revelado, mas ele que próprio deveria voltar aos holofotes.
Aparições. Desde que abandonou o trabalho para iniciar mais um tratamento médico, Jobs escolheu a discrição, principalmente porque qualquer menção ao seu estado de saúde tem impacto direto no preço das ações da Apple, que despencam ao menor rumor de uma piora. Foi assim quando o fotógrafo do tabloide National Enquirer o flagrou saindo de um clínica e também quando o executivo decidiu posar para um retrato ao lado de outros chefões da tecnologia em um jantar com Barack Obama – só se falava da sua magreza, do quão debilitado estava e em quanto tempo de vida teria.
Assim, quando decidiu apresentar o iPad 2 na última quarta-feira, o magérrimo Jobs sabia que perpetuaria ainda mais boatos e fofocas , mas que pelo menos ajudaria a preservar o hype do aparelho que ele mesmo bancou, e que, 15 milhões de unidades depois, domina 90% do nicho que (re)criou.
A decisão de colocá-lo no palco, confortável com o seu estilo de marketing que já tem vários seguidores e até livros explicativos, foi estratégica. Serviu para acalmar as críticas e, mais do que isso, para expor a imagem de que ainda há um Steve Jobs, pioneiro do microcomputador e guru das novas tecnologias, por trás de tudo. Não houve “one more thing”, um segundo anúncio que poderia ser o do iPhone 5 – Steve Jobs, velho conhecido, foi a grande novidade.
“Nossos rivais acham que esse é o novo mercado de PCs. Na verdade, esses dispositivos são de uma era pós-PC. Precisam ser muito mais fáceis e intuitivos”
Steve Jobs, cutucando os Androids no anúncio do iPad 2

Lado a lado. À esq., iPad 2, mais arredondado e fino que o 1
O iPad 2 trouxe algumas mudanças em relação ao tablet original – um giroscópio, câmera para videoconferência e até uma versão branca. O produto será lançado no dia 11 de março nos Estados Unidos e no dia 25 em países da Europa, no México, no Canadá e no Japão.
Ainda não há previsão de chegada do produto no Brasil, tampouco se sabe com que preço. No entanto, logo após o anúncio de Jobs, a Apple brasileira anunciou que cortaria o preço oficial da primeira geração, que custava R$ 1.650 e agora passou para – ainda caríssimos – R$ 1.400.
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