Irã x internet
- 10 de fevereiro de 2010|
- 9h17|
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Por Reuters
Com suas páginas na internet cada vez mais censuradas por filtros do governo, Nooshin e outros iranianos simpatizantes da oposição afirmam que agora recebem informações sobre protestos por email.
Eles dizem não saber quem envia os emails.
Mensagens sobre possíveis protestos nesta quinta, dia 11 de fevereiro, data que marca o 31º aniversário da Revolução Islâmica no país, têm circulado na internet. Mas o clima na República Islâmica está muito mais difícil que antes dos protestos do ano passado após as eleições.
Em junho do ano passado, as redes sociais foram aclamadas no Ocidente por ajudar opositores do governo a se unirem e convocarem apoio anonimamente –especialmente quando acessadas através de servidores proxy que podem esconder as atividades e localização dos participantes.
Para os manifestantes mais determinados, é uma estratégia de alto-risco em um jogo estratégico com as autoridades, em meio às crescentes notícias de queda no acesso à internet. Quase 32 por cento de iranianos usam a Internet, e quase 59 por cento da população têm uma assinatura de celular, segundo estimativas de 2008 da União Internacional de Telecomunicações.
Desde a controversa eleição presidencial que levou aos protestos mais intensos no país desde a revolução de 1979, as autoridades vêm diminuindo a velocidade da conexão e fechando sites da oposição.
O governo também se gaba de poder rastrear as atividades das pessoas na Internet, mesmo com os servidores proxy.
“Esse também está bloqueado”, diz a estudante Nooshin, enquanto navega pela Web em uma cafeteria no centro de Teerã. “Isso está mais pra Filtronet que Internet”.
Usando um véu azul e falando em voz baixa, a estudante de 22 anos não quis informar seu nome verdadeiro devido à situação delicada de ativistas da oposição em Teerã.
As eleições presidenciais provocaram protestos liderados por oposicionistas que afirmavam que a eleição foi armada para assegurar a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. As autoridades, por sua vez, negam.
Quando seus jornais foram fechados após a eleição, os candidatos oposicionistas Mirhossein Mousavi e Mehdi Karoubi lançaram seus próprios sites. Estes foram eventualmente bloqueados pelas autoridades, forçando a oposição a abrir novas páginas na web.
Muitas dessas ações e protestos foram divulgados na internet, principalmente por meio do Twitter. No entanto, aumentam as preocupações no Irã de que o governo possa rastrear pessoas que estejam usando servidores proxy.
“As pessoas estão com medo de serem identificadas e não querem mais usá-los”, disse Hamid, um dono de loja em Markaz-e Computre, um popular shopping de computação no norte da capital, sob condição de anonimato.
O que não significa que os esforços da oposição para planejar e divulgar suas ações tenham sido frustradas.
Afshin, um programador que apoia a oposição, disse que as autoridades não terão sucesso nessa empreitada: “Qualquer coisa que o governo bloqueia na Internet, as pessoas dão um jeito”, afirmou. “É um jogo de gato-e-rato em que o governo não pode ganhar”.
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