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iPhone dedo-duro

Por Murilo Roncolato

A Apple e Google também foram questionados sobre suas políticas de privacidade e real capacidade de armazenarem dados pessoais de milhões de consumidores em todo o mundo com segurança. A credibilidade dessas empresas foi abalada nas últimas semanas, quando notícias de que tanto Apple quanto Google coletavam e arquivavam dados da localização obtidos a partir de aparelhos iPhone ou com sistema operacional Android.

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O problema foi revelado no dia 20 de abril, quando os pesquisadores Alasdair Allan e Pete Warden apresentaram um trabalho no encontro de desenvolvedores de geolocalização Where 2.0, na Califórnia.
O estudo demonstrava, a partir do iPhone Tracker, um aplicativo simples criado por eles, que a Apple mantinha secretamente nos aparelhos iPhone e iPad 3G um arquivo não encriptado com informações sobre a localização do aparelho durante um ano. O usuário poderia facilmente ver um mapa com os locais por onde o aparelho passou.

Depois outro pesquisador descobriu que o aparelhos da HTC, equipados com Android também enviavam dados de suas localizações para o Google. No dia seguinte, 23, nos Estados Unidos, Al Franken, presidente do subcomitê de Privacidade, Tecnologia e Legislação do Senado dos Estados Unidos, já enviava cartas convocando as duas empresas para uma audiência no dia 10 de maio para prestar esclarecer o caso no Congresso. Enquanto isso, usuários irritados com a gravação de seus itinerários abriram processos na Justiça contra as duas empresas.

Após o primeiro impacto, soube-se que as tais “indicações”, na verdade, não eram exatamente a localização do aparelho – e de seu dono –, mas sim de pontos de acesso Wi-Fi detectados pelos celulares. Isso porque aparelhos móveis com capacidade de conexão (sejam celulares, laptops ou desktops) podem identificar redes próximas.

Saber onde estão infinitas redes Wi-Fi não é apenas importante para empresas como Apple e Google, mas também gera um mercado muito lucrativo. Para localizar aparelhos – prática comum entre as operadoras de telefonia–, usa-se uma técnica chamada “triangulação”: a partir da área de alcance de três torres de celular pode-se obter uma localização aproximada do aparelho.

O mesmo processo é possível a partir de redes Wi-Fi, muito comuns e próximas dos usuários nos centros urbanos. Isso garante mais rapidez e precisão para determinar a localização do celular, crucial para quem usa serviços de geolocalização como Google Maps e Foursquare.

O estudante João Pedro Motta – dono do mapa na imagem acima que mostra os rastros do seu iPhone –, de 15 anos, acredita que hoje “é inevitável não se expor”. Mas confessa que levou um susto quando viu o mapa gerado pelo iPhone Tracker. “É absurdo que deixem o arquivo sob livre acesso e com um histórico tão longo de informações”, comenta.

Essas informações são sincronizadas com o computador quando o usuário faz um backup do celular no iTunes e ficariam ao alcance de criminosos do mundo digital.

A “exposição” do arquivo é confirmada pelo gerente comercial Alexandre Mello, 45 anos, que, usando o aplicativo, também viu o que a exposição do arquivo pode fazer. Usando o aplicativo, ele xeretou todos os lugares onde seu filho Guilherme, de 18 anos, esteve nos últimos meses. A sorte do jovem é que o “roteiro estava coerente”. “Tive a confirmação de que o menino é bom mesmo, ainda bem!”, brinca.

Para o consultor Bernardo Liao, 30 anos, o problema não é a empresa obter os dados, mas sim o que fará com eles depois, como repassar as informações para terceiros ou serviços de publicidade.

A Apple assumiu as “falhas” reconhecendo que a gravação do histórico fica armazenada por um tempo longo demais e que o aparelho continua a coletar as informações mesmo depois de o rastreamento ser desativado, mas disse que os problemas foram corrigidos com a atualização do iOS, liberada na quarta-feira, 4. Agora o iOS se lembrará apenas do trajeto dos últimos sete dias. O histórico será deletado assim que a opção de serviço for desligada pelo usuário.

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1 Comentário
  • 12/05/2011 - 13:20
    Enviado por: Samurai

    Será que eles levam somente a localização????

    denunciar abuso

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