Informação livre, só para o Facebook
- 30 de maio de 2010|
- 19h00|
- Tweet este Post
Por Carla Peralva
Vilão ou visionário, Zuckerberg se aproveita daquilo que publicamos, sem nos preocupar
Mark Zuckerberg, criador e CEO do Facebook, sempre deixou claro que acredita que um mundo em que as pessoas compartilham livremente é um mundo melhor. Ele tem certeza que as pessoas estão cada vez mais dispostas a publicar informações.
Foi essa crença que o motivou a incentivar usuários do Facebook a divulgar cada vez mais dados. E isso nem sempre é compreendido como um movimento de vanguarda, como seus defensores o classificam. Muitas vezes, é visto como uma tentativa de fazer que sua rede detenha mais dados pessoais para, então, vendê-los a anunciantes.
A acusação diz respeito ao modelo de negócios do Facebook, baseado em publicidade direcionada, muito semelhante ao adotado pelo Google. A maior rede social do mundo é gratuita para os usuários e para os sites que usam seus plugins sociais, mas rende um bom dinheiro – alguns analistas estimam que a companhia vá gerar US$ 1 bilhão em receita neste ano.
Tecnicamente, o Facebook não vende informações pessoais de seus usuários, mas as usa para direcionar propagandas para consumidores em potencial. O Facebook usa tudo aquilo que você posta para traçar seu perfil.
Esse modelo é especialmente atraente para os anunciantes a partir do momento em que o botão “Like” (“curtir”) está em mais de 100 mil sites e é clicado mais de 100 milhões de vezes por dia, pois a plataforma de identificação dos gostos dos usuários foi ampliada em proporções que ultrapassam o limite da rede social: agora tudo é “gostável”.
Para Ana Laura Gomes, que presta consultoria de internet para o Senac, o mecanismo de publicidade direcionada é, sim, uma invasão de privacidade do usuário, mesmo que traga o benefício de exibir apenas o que é teoricamente interessante para a pessoa.
O problema, segundo ela, é o mapeamento dos interesses de consumo de cada um baseado no que eles dizem para os outros.
No entanto, a consultora ressalta que o procedimento não é ilegal se o usuário souber dele antes de entrar na rede social.
David Kirkpatrick, autor de The Facebook Effect, lembra que é responsabilidade do usuário saber as regras da rede em que está entrando e que, se ele permite que um aplicativo acesse seu perfil, está aceitando o recolhimento dos dados.
O psicanalista Jorge Forbes afirma que não temos mais controle sobre as informações que circulam sobre nós na web. Ele acredita que o conceito de privacidade mudou muito nos últimos anos e, por isso, não dá para legislar sobre a internet seguindo os moldes do passado. Se antes privado era o que poucas pessoas podiam saber e público era o que muitas pessoas podiam saber, hoje, tudo que pode ser expressado pela linguagem é público. E privado é apenas o que a linguagem não descreve.
Helen Nissenbaum, autora do recém-lançado livro Privacy in Context: Technology, Policy, and the Integrity of Social Life (‘Privacidade em Contexto: Tecnologia, Políticas e a Integridade da Vida Social’ em tradução livre), define privacidade como “o respeito pelas normas sociais que governam o fluxo das informações pessoais”. Para ela, o entendimento do que é privacidade não mudou, pois essa transformação cultural é muito complexa. O que mudou, para ela, foi a forma de lidar com as informações.
Com a popularização de câmeras de segurança, banco de dados integrados e redes sociais, é muito mais fácil gerar e espalhar informações e, por isso, também é mais fácil invadir a privacidade de alguém. “Talvez por causa disso as pessoas se tornaram mais conscientes de sua privacidade e mais preocupadas com ela”, disse Helen em entrevista ao Link.
Quebra de contrato. O pensamento jurídico também segue essa concepção. De acordo com o jurista Tércio Sampaio, no Brasil, o direito à privacidade é garantido pelo artigo 5º da Constituição, que não pode ser alterado. O que é necessário é criar novos mecanismos de proteção à privacidade dos indivíduos adequados à internet, já que as formas de circulação da informação são outras. De qualquer forma, continua sendo do indivíduo a prerrogativa de decidir o que pode ser falado sobre ele e o que é abusivo.
Independentemente de a privacidade ter mudado ou não, o que é aceito por todos os ramos do conhecimento é que, se um grupo de pessoas compartilha regras explícitas sobre a privacidade, como é o caso das redes sociais, qualquer quebra ou alteração indevida nessas regras é uma violação da privacidade.
Seguindo essa lógica, esse foi o erro de Zuckerberg, ao impor sua forma de entender a privacidade e tirar dos usuários o controle integral sobre seus dados
SAIBA QUEM TE VÊ
RECLAIM PRIVACY
O Reclaim Privacy é um Bookmarklet, ou seja, uma espécie de script adicionado ao navegador como um link no favoritos. Quando clicado, ele analisa e avalia se suas definições de privacidade no Facebook são seguras o suficiente. Caso seus dados estejam muito expostos, o programa avisa e ajuda você a configurar as opções de privacidade
1. NO SITE
Comece entrando no site do projeto ReclaimPrivacy.org
2. NO BROWSER
Arraste o botão ‘Scan for Privacy’ para a barra de Favoritos do seu navegador
3. NO FACEBOOK
Entre na rede social e procure as Configurações de Privacidade. Clique no botão e veja os resultados
Posts relacionados
Tópicos relacionados
Últimas
-
POR Redação Link
Fornecedores da Apple serão vistoriados
Entre os locais a serem visitados estão as fábricas da Foxconn em Shenzhen e Chengdu, na China Leia mais
-
POR Agências
Iranianos recuperam acesso a Google e Hotmail
Sites estavam bloqueados no Irã desde 9 de fevereiro; 30 milhões de usuários foram afetados Leia mais
-
POR Agências
Microsoft: hackers atacam loja online
Site de varejo da empresa na Índia foi tirado do ar nesta segunda-feira Leia mais
-
POR Agências
Apple lança novo ataque à Samsung
Empresa solicitou à justiça federal dos EUA que proíba venda do Galaxy Nexus Leia mais
Blogs do Link
-
Renato Cruz |
16h04
Controle retrô para iPhone
A ThinkGeek lançou hoje o controle iCade 8-Bitty, para iPhone e iPad. Retangular como um controle de Nintendinho de 8 bits, [...] Leia mais
-
David Pogue |
15h36
O dilema dos eletrônicos baratos
Ninguém que ver trabalhadores sendo explorados, e se Apple pode pressionar a Foxconn para esta limpar suas operações, ela [...] Leia mais
-
Radar Tecnológico |
14h34
Ação da Apple supera os US$ 500 pela primeira vez
As ações da Apple superaram a marca dos US$ 500 pela primeira vez na história, nesta segunda-feira, 13. Isso dá à comp[...] Leia mais
-
Daniel Gonzales |
12h08
Uma mãozinha na hora de pagar as contas
Chega a hora de pagar as contas e começa aquela “tortura”: ler um por um os 44 dígitos do código de barras do[...] Leia mais
-
Tatiana de Mello Dias |
19h01
O lado delicado do fim do Megaupload
-
Alexandre Matias |
19h01
Quem disse que todo mundo precisa ter opinião sobre tudo?
-
Homem-Objeto |
19h01
Portátil e derrapante
Novo PlayStation Vita deve ser lançado no Brasil no último dia deste mês Leia mais
-
Rodrigo Martins |
21h48
Lady Gaga lança rede social que promete ‘mudar o mundo’
A ambição não é pequena. Lady Gaga vai lançar a sua própria rede social. E espera nada mais nada menos do que “mu[...] Leia mais
-
Filipe Serrano |
-1h50
Campus Party empreendedora
Veja a programação da Campus Party relacionada ao empreendedorismo na área de tecnologia Leia mais
-
Que Mario? |
15h38
Livro ou jogo?
Autora carioca cria obra que mistura os dois universos Leia mais
-
TV sem TV |
13h53
Fãs criam versão colaborativa de ‘Star Wars’
Fãs da saga “Star Wars” fizeram uma versão caseira do episódio “Uma Nova Esperança”. O projeto to[...] Leia mais
-
Personal Nerd |
9h51
‘Botão de pânico’ esconde as abas do navegador
Sabe quando você está gastando tempo no Facebook durante o expediente e o chefe aparece de repente? Não é raro se perder [...] Leia mais
-
Nhom |
10h00
Bexigas de aniversário
-
LOL |
11h21
Os maiores fails de 2011
-
Sempre à mão |
17h53
Mais de 700 mil Androids por dia
O cenário dos sistemas operacionais virou em 2011. O ano começou com o Android povoando 31,2% dos aparelhos no mundo. A Res[...] Leia mais
Deixe um comentário: