Imprime-se tudo
- 28 de junho de 2010|
- 5h15|
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Por Rafael Cabral
Máquinas que criam outras máquinas e praticamente qualquer outra coisa. É assim que o norte-americano Bre Pettis, fundador da MakerBot Industries, descreve os equipamentos que produz. Sua principal invenção é a impressora 3D Makerbot, de código aberto, que é feita de cerca de 150 peças que podem ser impressas e reimpressas no próprio dispositivo. Basicamente, se você tem uma, pode ter outras apenas juntando alguns pedaços.
Essas máquinas de produção rápida funcionam como as impressoras convencionais, de tinta, só que em três dimensões. Não imprimem páginas, mas objetos inteiros, usando plástico ou outros materiais. Com movimentos sequenciais, elas vão depositando a matéria-prima em camadas que, ao final, podem virar o que a imaginação do dono mandar. Para Pettis, é como ter a “sua própria fábrica, em casa, em cima da mesa de trabalho”.
Uma das tecnologias mais promissoras da atualidade, a impressão 3D ainda é reservada a laboratórios de pesquisa e esforçados autodidatas, mas já está sendo usada em uma grande variedade de campos.
Na Cornucopia, criada pelo brasileiro Marcelo Coelho no MIT, o objetivo é imprimir comida, por mais estranho que isso possa parecer. “O legal da impressão 3D é que você pode fazer as coisas com muita precisão. Você aperta um botão e cria um bolo em que cada camada de recheio tem exatamente um milímetro, todas com gostos diferentes. Você faz experiências gastronômicas”, diz ele.
(Fotos: divulgação)
A Cornucopia é capaz de moldar alimentos em três dimensões (como a lasanha, na foto). “A ideia não é criar o fast food do futuro, mas usar a tecnologia digital para montar pratos inovadores”, diz o inventor, em entrevista ao Link.
Já da D-Shape, desenvolvida pelo italiano Enrico Dini, sairão prédios inteiros. Ao menos é o que diz o engenheiro, que já trabalha com arquitetos para colocar a megaimpressora em ação.
Para o escritor Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, que prepara um livro sobre o assunto, a maior esperança fica com as impressoras 3D domésticas, que podem democratizar a manufatura. Ele acredita que a união de conceitos como código aberto, conteúdo gerado pelo usuário, estrutura ligada pela internet e máquinas de produção rápida iniciarão uma “nova revolução industrial”. Com as ferramentas de produção descentralizadas, microempresas poderiam desenhar, fabricar e distribuir os seus próprios produtos, sem a interferência de grandes corporações.
O grande problema ainda é a disseminação dessa tecnologia. “A situação das impressoras 3D hoje é bem parecida com a computação no meio dos anos 80, antes da popularização do computador pessoal. Ainda é um hobby, mas incrivelmente promissor. Falta uma aplicação matadora que faça que as pessoas queiram tê-las”, diz ele, em entrevista ao Link.
Já para Adrian Bowyer, professor da University de Bath, na Inglaterra, é apenas questão de tempo para que essas ferramentas se popularizem. Criador da RepRap, impressora pioneira na área acadêmica, ele acredita que essas máquinas em breve estarão nas nossas casas, ou nas lojas próximas a elas, criando toda espécie de objeto com rapidez. “Não há empecilho algum para isso. Elas funcionam e os geeks já gostam dela. E o que os geeks gostam hoje, todos gostam amanhã”, brinca.
Criando órgãos

As empresas Organovo e Invetech se uniram para criar a primeira bioimpressora 3D do mercado. Pesquisadores descobriram que, usando a mesma lógica dos equipamentos que criam protótipos, poderiam manipular material biológico. Ainda em fase de testes, o equipamento já consegue imprimir tecido celular e promete, um dia, criar órgãos inteiros.
Replicante

A RepRap é uma impressora 3D open source que imprime a maior parte de suas peças. “Consigo ver essa tecnologia sendo tão comum quanto o computador em dez anos. Talvez aí já possamos imprimir objetos comuns em casa, em vez de comprá-los em lojas”, projeta Adrian Bowyer, criador do projeto acadêmico
Imprimindo prédios

Terminar a igreja da Sagrada Família, de Gaudí e construir casas na lua. São esses os planos do italiano Enrico Dimi para a D-Shape, uma megaimpressora criada por ele que consegue imprimir prédios inteiros. O equipamento alterna sprays de areia e de uma cola especial, imprimindo pedra. “Sempre gostei de construir castelos de areia”, brinca o engenheiro.
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28/06/2010 - 18:30 Enviado por: wilton crisp
Parabéns,uma edição realmente histórica.Muito boa
denunciar abuso -
29/06/2010 - 08:58 Enviado por: Gustavo
Olá, Realmente impressionante!!! Quando que isso vai estar acessível hein?!..
denunciar abuso
Uma coisa que me veio a cabeça, seria uma questão ética, numa sociedade em sua grande maioria consumista. Será que uma impressora doméstica dessas poderia aumentar a produção de lixo, proveniente de objetos que as pessoas produzissem, ou criaria uma consciência maior na hora em que fossem criar algo? Pessoalmente eu acho que dependerpa muito da campanha que virá junto com essas impressoras.
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