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Hacker pode ser preso por vazar artigos

Por Tatiana de Mello Dias

Aaron Swartz, de 24 anos, baixou quatro milhões de artigos do MIT e pode pegar até 35 anos de prisão

O hackiativista e co-criador do Reddit, Aaron Swarz. FOTO: Fred Benenson/Wikimedia Commons

Jstor é um site que reúne artigos científicos acessíveis por assinatura. São mais de 325 mil estudos de 7 mil instituições. E, embora pago, afirma que não tem intenção de lucro – a ideia é que o valor apenas ajude a financiar as atividades acadêmicas.

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Só que a prisão de Aaron Swartz, 24 anos, acusado de roubar artigos, fez com que se levantassem questões sobre a maneira como o site fornece acesso aos artigos. E mais: como esse dinheiro é empregado?

Swartz, co-criador do agregador de notícias Reddit, é ativista pelo conhecimento. Foi um dos autores do manifesto Guerrilla Open Acces, de 2008, que dizia que o pensamento científico estava sendo apoderado pela publicações acadêmicas e os conteúdos deveriam ser compartilhados.

Ele baixou sem autorização quatro milhões de artigos do MIT, renomado instituto de tecnologia de Massachussetts. E, por isso, pode ser condenado a até 35 anos de prisão e multa de US$ 1 milhão pelo roubo dos documentos.

Sua condenação provocou reações. Um hacker chamado Greg Maxwell jogou no The Pirate Bay um repositório de 32GB com 18 mil textos acadêmicos da instituição. A notícia sobre o segundo vazamento foi publicada pela própria revista do MIT – a instituição decidiu não tomar nenhuma atitude contra os vazamentos. No artigo, a entidade diz que o vazamento veio em ‘protesto’ e ‘intensifica a luta sobre acesso aberto à artigos científicos”.

O Jstor vende os artigos a US$ 19 (valor pago por um mês de acesso, em um computador). Comprar toda a coleção, pagando individualmente pelos artigos, poderia custar centenas de milhares de dólares. Greg Maxwell teve acesso aos documentos há um ano e havia decidido não divulgá-los por temer problemas judiciais. O que aconteceu com Swartz, porém, o motivou a liberar os arquivos. E ele o fez com seu nome verdadeiro para que não suspeitassem de Swartz.

Documento com a renda dos diretores do Jstor, vazado nesta semana

Criticou o alto preço do acesso aos artigos científicos, e disse que o dinheiro pago pelo acesso hoje serve para muito pouco senão perpetuar modelos de negócio já mortos. Mais tarde, porém, outro vazamento relevou detalhes do Jstor: quanto ganham seus diretores.

Hackers vazaram os impostos de renda dos executivos do site de 2009 para trás. Os documentos revelam faturamentos de dezenas de milhões de dólares por ano.

Swartz foi solto após pagar uma fiança de US$ 100 mil. O caso continua na Justiça dos EUA.

5 Comentários
  • 27/07/2011 - 16:22
    Enviado por: Patrick

    Nobre atitude, injustamente punida.

    Liberdade de conhecimento é o primeiro passo para que a humanidade consiga outras liberdades (política, social e econômica).

    É realmente muito triste saber que o conhecimento fica preso na parte mais alta da pirâmide da sociedade.

    denunciar abuso
  • 27/07/2011 - 21:22
    Enviado por: Patrick

    Acredito que a liberdade de conhecimento é o primeiro passo para as outras liberdades (econômica, cultural, social e política).

    Eu fico realmente muito triste em saber que o conhecimento é mantido na parte mais alta da pirâmide social. Destruir essa pirâmide é mais difícil do que destruir as pirâmides do Egito, deixar o conhecimento fluir até a sua base, pode ser uma forma de destruí-la.

    Se não for assim, vamos parar de hipocrisia e chamar as pessoas da classe E de Ypsilons, teríamos os Gamas, Betas e Alfas também, afinal todos são importantes para a sociedade não é?

    Triste, muito triste.

    denunciar abuso
  • 27/07/2011 - 21:22
    Enviado por: ptks

    Acredito que a liberdade de conhecimento é o primeiro passo para as outras liberdades (econômica, cultural, social e política).

    Eu fico realmente muito triste em saber que o conhecimento é mantido na parte mais alta da pirâmide social. Destruir essa pirâmide é mais difícil do que destruir as pirâmides do Egito, deixar o conhecimento fluir até a sua base, pode ser uma forma de destruí-la.

    Se não for assim, vamos parar de hipocrisia e chamar as pessoas da classe E de Ypsilons, teríamos os Gamas, Betas e Alfas também, afinal todos são importantes para a sociedade não é?

    Triste, muito triste.

    denunciar abuso
  • 28/07/2011 - 10:56
    Enviado por: Leonardo Motta

    Dezena de milhar: 10,000.00.
    Dezena de milhão: 10,000,000.00.

    O documento postado mostra uma declaração de renda de dezenas de milhões de dólares por ano.

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  • 29/07/2011 - 16:32
    Enviado por: Alexandre Hannud Abdo

    Ni!

    Hm… só chamaria atenção para alguns detalhes. Ele não foi acusado de “roubar” nada, mas sim de violar os termos de serviço do JSTOR ao automatizar a cópia de artigos.

    E fica ambíguo dizer que ele copiou artigos “do MIT”, ele copiou artigos do JSTOR usando-se do acesso pela rede do MIT, da mesma forma que no Brasil temos acesso a alguns periódicos nas universidades públicas pelo portal da CAPES.

    O tal Maxwell também não disponibilizou artigos “da instituição”, mas sim um arquivo histórico já em domínio público de uma sociedade científica inglesa.

    A respeito da CAPES, seria interessante incluir o valor que o governo brasileiro gasta com acesso a periódicos, se possível com o JSTOR em particular, para trazer a notícia um pouco mais à nossa realidade. :O

    Infelizmente no site da capes só há as contas de 2007 (estranho não?! descumprimento da lei?) e apenas para o que parece ser o valor agregado dos convênios (“item 2317: acesso a informação científica e tecnológica”): 75 milhões de reais, à época.

    http://capes.gov.br/servicos/contas-publicas

    Aproveitando, faço uma propagandinha da iniciativa de acesso aberto da USP ;)

    http://www.acessoaberto.usp.br/

    abs!

    ale
    .:.

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