Governo Kennedy digitalizado
- 16 de janeiro de 2011|
- 18h00|
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Por Heloisa Lupinacci
Em 1961, John F. Kennedy manifestou sua vontade de tornar disponíveis ao público os registros de seu governo. Na época, em uma coletiva de imprensa, um repórter perguntou ao 35º presidente dos EUA se ele considerava a hipótese de armazenar esses documentos em Washington para que eles fossem acessíveis para um número maior de pessoas – os arquivos dos presidentes norte-americanos ficam nas cidades em que eles moravam; no caso de Kennedy, Boston.
O presidente respondeu: “Através de meios científicos de reprodução, e isso certamente vai melhorar com os anos, vamos descobrir que será possível fazer que documentos importantes estejam disponíveis a todos”, respondeu o então presidente.
Na semana passada, depois de 4 anos de trabalho, a Biblioteca Presidencial Kennedy confirmou a previsão do presidente. Os arquivistas digitalizaram 200 mil páginas de documentos, 1.200 gravações de áudio e 300 artefatos de museu, além de 1.500 fotografias. O projeto, anunciado na quinta por Caroline Kennedy, custou US$ 10 milhões e pretende cobrir todos os registros do período em que JFK ocupou a Casa Branca.

De rabisco a documento. 200 mil páginas de documentos, 1.500 fotos e 1.200 registros de áudio podem ser consultados
O anúncio veio um pouco antes do aniversário de 50 anos da posse de JFK, comemorado no dia 20 deste mês. Em sua apresentação, Caroline Kennedy afirmou que “o tempo dele (JFK) está se tornando parte da história, deixando de ser memória viva, e é preciso que essa história alcance as gerações de novas formas”. Ela disse notar entre os jovens uma dose de desilusão com a política. “Ele inspirou uma geração que inspirou seus filhos. Eles transformaram a América, e é por isso que, 50 anos depois, o legado de meu pai ainda ressoa”.
Acervo. No arquivo online é possível ver os rascunhos de seu famoso discurso de posse – em que Kennedy convida os americanos a perguntar não o que o país pode fazer por eles, mas o que eles podem fazer pelo país – e ver como ele construiu o texto. Dá para ouvir gravações de suas conversas telefônicas, ler suas cartas e até ver rabiscos presidenciais em bloquinhos que deviam ficar perto do telefone.
Segundo Tom Putnam, diretor da biblioteca, o processo de digitalização começou por aquilo que ocupava a mesa de Kennedy no Salão Oval. Outro critério levado em conta foi priorizar os itens mais requisitados do acervo, que vão de documentos oficiais e vídeos caseiros, passando por áudio de anúncios e filmes de discursos.
Por meio de parcerias com empresas, a instituição investiu US$ 6,5 milhões em equipamentos e serviços técnicos. A Iron Mountain, empresa especializada em gerenciamento de documentos e arquivos, ficará a cargo de armazenar cópias de backup de todo o acervo. Os documentos originais continuarão disponíveis para consulta na Biblioteca Kennedy, em Boston.
Os arquivos digitalizados, além de aumentar o alcance do acervo, que passa a ser acessível de qualquer lugar do mundo, ajudam a preservar os originais, que serão menos manuseados.
A biblioteca continuará a digitalizar cerca de 100 mil páginas por ano, além de milhares de fotos e gravações. Nessa taxa, será necessário um século para terminar o serviço. Enquanto isso, já é possível ler, por exemplo, toda a correspondência trocada entre Kennedy e Martin Luther King Jr. “Isso democratiza a história”, disse Putnam. “Queremos que o arquivo sirva tanto ao jovem estudante quanto o acadêmico.”
Segundo David Ferriero, diretor do Arquivo Nacional dos EUA, essa iniciativa servirá de modelo para outras bibliotecas presidenciais. “Nos últimos 50 anos, o escopo e a escala dos documentos presidenciais aumentaram muito, assim como a importância desses registros. E, hoje, se o arquivo não está online, ele não existe.”
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