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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

17 de julho de 2011 21h35

Google+ quer ser você online

Há quem já tenha transformado a nova rede social no centro de sua identidade digital

Por Tatiana de Mello Dias

Há quem já tenha transformado a nova rede social no centro de sua identidade digital

O anúncio de Kevin Rose, empreendedor da web e criador de ferramentas como a rede social de bookmarks Digg, foi um dos mais comentados no Google+ na semana passada.

“Decidi direcionar o KevinRose.com para o meu perfil no Google+.” A partir de agora, quem procurar por seu blog pessoal cairá em seu perfil na rede social do Google. Sem site, sem blog, sem domínio próprio. “O G+ me dá mais feedback em tempo real e engajamento do que meu blog jamais deu”, explicou.

Mais de 1.100 pessoas apertaram o botão +1 em seu post (o “Curtir” do Google), que foi compartilhado mais de 400 vezes. E não faltaram comentários de apoio à decisão. Seria o Google+ uma plataforma para as pessoas criarem sua identidade online?

O Google+ já completou três semanas. E, aos poucos, o contorno da nova rede social vai ficando mais claro. Há os círculos e hangouts, anunciados como a principal diferença em relação ao Facebook. Mas o Google tem muito mais do que um buscador. Parece que, além de ser o já onipresente índice de sites e buscas, o Google quer ser o centro da vida social das pessoas na web. E parece que está dando certo.

Aos números: em duas semanas, já são 10 milhões de usuários na rede que só foi aberta para o público em geral na semana passada e ainda nem teve lançamento oficial (previsto para o dia 31 de julho). Por enquanto, porém, o G+ continua predominantemente masculino (70% dos usuários) e nerd. Ali se fala sobre programação e questões técnicas (60% dos usuários são desenvolvedores, engenheiros e afins). Mas esse é o retrato de uma rede na infância, cheia de entusiastas e early adopters.

Na postagem de Kevin Rose, outros usuários anunciaram que redirecionariam o seus domínios para o perfil do Google. Pessoas como o empreendedor Bill Gross, da incubadora tecnológica Idealab, e Dmitry Shapiro, ex-chefe de tecnologia do MySpace. E por aí vai. O processo foi facilitado, ainda de forma independente, pela criação do encurtador Gplus.to. Basta acrescentar ID e nome para criar o domínio Gplus.to/SEUNOME.

Do lado de lá, o Google se movimenta para completar a fusão de seus serviços. Deve mudar os nomes de dois de seus principais serviços, o Picasa e o Blogger, que passarão a ser Google Photos e Google Posts. A ideia é unificar o nome da marca para fortalecer o Google+. A transição deve ocorrer em um ou dois meses, segundo o site Mashable.

Só que a adesão em massa ao G+ também provoca um movimento contrário. “Eu não acho que eles deveriam dar suas identidades e domínio para o serviço”, escreveu o blogueiro e consultor de tecnologia do Vale do Silício Louis Gray. “Porque em dez, 20 ou 30 anos, você continuará sendo você, mas os serviços e empresas mudam.”

O escritor americano Dan Gillmor, diretor do Knight Center for Digital Media, vai na mesma linha. Em artigo no jornal britânico Guardian, ele diz que não tem intenção de transferir seu domínio para a página do G+ porque não quer dar às empresas controle sobre o conteúdo criado por ele. “Se você torna o G+ –ou Facebook, Twitter, Linkedin ou Tumblr – sua presença online primária, você estará abrindo mão de algo que tem um valor enorme. Você estará dando suas contribuições para a emergente conversa global a uma empresa em que vê você principalmente como um contribuidor de dados que podem ser transformados em dinheiro.”

Defensor do estabelecimento de uma identidade na web, Gillmor sugere a criação de um site totalmente controlado pelo usuário (o dele está no domínio DanGillmor.com). “Se você coloca o meu nome em um mecanismo de buscas, meu site estará no topo da lista de resultados. Eu ficaria horrorizado se a minha conta no Google+ ficasse no topo e poderia muito bem fechá-la se isso acontecesse.”

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