Google + Motorola: Quem ganha e quem perde
- 15 de agosto de 2011|
- 19h46|
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Por Agências
NOVA YORK – Research in Motion, Microsoft, Nokia e o setor de TV a cabo estão emergindo como possíveis ganhadores depois que o Google anunciou a aquisição da Motorola Mobility por 12,5 bilhões de dólares, na segunda-feira.
Se outros fabricantes de celulares decidirem abandonar o sistema operacional Google Android, Nokia e RIM se beneficiariam. As companhias de TV paga poderiam se ter muito a ganhar caso o Google, que controlará a fabricação de decodificadores Motorola, modere suas iniciativas que perturbam o setor.
Enquanto isso, é improvável que a transação tenha impacto sobre os esforços da Apple para conquistar corações e mentes entre os usuários de celulares inteligentes, disseram analistas. Agora que o Google se tornará seu concorrente direto, a empresa poderá abandonar certos produtos do Google que utiliza em seus aparelhos.
Microsoft:
A Microsoft pode se beneficiar se os fabricantes começarem a procurar por alternativas de software ao Android, disse Shaun Collins, analista da CCS Insight, apesar de clientes mostrarem poucos sinais de interesse nas tentativas da gigante de softwares de entrar no mercado de telefonia móvel.
Mas o acordo coloca a Microsoft diretamente em conflito legal com o Google sobre patentes do Android, já que a Microsoft e a Motorola já travam algumas disputas judiciais sobre propriedade intelectual.
A Microsoft também pode se sentir pressionada para achar alvos de compra, como a HTC, disse Al Hilwa, diretor de programas da IDC.
Nokia:
As ações da Nokia chegaram a subir mais de 9 por cento na segunda-feira, à medida que a oferta do Google pela Motorola recolocou em circulação especulações sobre uma oferta pela companhia finlandesa, que alguns meses atrás decidiu adotar o Windows Phone como sistema operacional de seus novos celulares. A Nokia não comentou sobre os boatos.
RIM:
A Research in Motion, fabricante do BlackBerry, está perdendo o firme domínio que exercia sobre a telefonia móvel empresarial, por efeito de aparelhos como iPhone e iPad, e em certa medida também dos celulares equipados com o Android.
Suas ações caíram em quase 60 por cento neste ano, já que a empresa não alcançou suas previsões de lucro, atrasou uma nova linha de aparelhos celulares e não empolgou o consumidor com seu tablet PlayBook.
Além disso, uma integração mais estreita entre o software Android e o hardware Motorola pode “representar pressão adicional pelo sucesso da nova linha de modelos com software QNX que a RIM vai lançar”, escreveu Mike Abramsky, analista da RBC Capital Markets.
Apple:
Os analistas não creem que a aquisição mude muito o cenário para a Apple na telefonia móvel, porque o Google já tinha tentado ingressar no setor por meio do celular Nexus, em parceria com o grupo taiwanês HTC. Os consumidores receberam friamente o Nexus, que não ofereceu grande desafio ao iPhone.
Uma reação imediata da Apple pode ser deixar de utilizar em seus produtos, como iPhone e iPad, alguns serviços do Google, como Mapas e sistema de buscas.
TV a cabo:
O Google há muito é visto como fonte de possível perturbação para a TV paga, primeiro com o YouTube e depois com o Google TV, ainda que nenhum dos dois tenha exercido o impacto negativo previsto sobre o setor.
Com a aquisição, o Google vai se tornar um dos maiores fornecedores do setor de TV a cabo. Mesmo que os decodificadores físicos desapareçam como o walkman, o software de cifragem e acesso condicional de Motorola continuará importante.
/REUTERS
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