Futuro ainda distante
- 11 de setembro de 2011|
- 17h24|
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Por Murilo Roncolato
Para concorrentes do Netflix, que chegou ao País semana passada, o mercado brasileiro ainda tem de amadurecer – e muito
O Netflix não assusta ninguém. Pelo menos essa é a impressão que os demais provedores de entretenimento por streaming estão espalhando. O serviço aterrissou por aqui, vindo dos EUA, há uma semana e é encarado pelos rivais mais próximos como algo positivo para a popularização do negócio, ainda pouco expressivo no País.
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O serviço oferecido pelo Netflix aqui se resume à oferta de filmes e séries de TV por um mecanismo de streaming, sendo possível assistir por smart TVs, computador, console de videogame ou qualquer dispositivo de mídia conectado, como tablets. O detalhe é que o catálogo da Netflix agrega uma seleção de títulos lançados há pelo menos três anos nos cinemas. Para isso, o cliente deve firmar uma assinatura mensal ao custo de R$ 14,99. Nos EUA, e só lá, além do streaming, a companhia tem ainda um modelo de entrega de DVDs pelo correio.
No mercado brasileiro, operadoras de TV a cabo como Net e Sky oferecem serviço de vídeo sob demanda (on demand, em inglês) com uma seleção de títulos destinada apenas a assinantes; os demais são o portal Terra com a sua Video Store; a livraria Saraiva e o Netmovies, que mais se assemelha ao serviço oferecido pelo Netflix nos EUA.
As operadoras de TV por assinatura apontam o comportamento do brasileiro como uma barreira entre elas e o Netflix.
“As pessoas estão acostumadas à TV, a assistir à grade ao mesmo tempo que todo mundo. É uma questão de costume”, acredita Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net.
A diretora de programação da Sky, Marcia Cruz, acha que a imaturidade no mercado pode atrapalhar serviços como o do Netflix. “TV a cabo no Brasil ainda é novo. É um mercado que ainda vai crescer e antes que o streaming online possa competir”, diz. Cruz ainda define o vídeo sob demanda como algo “complementar”.
Netmovies, Terra TV Video Store e Saraiva Digital empurram suas fichas para o privilégio de oferecerem filmes mais novos do que os da Netflix (não em streaming online, mas por locação digital e física). Isso porque os estúdios e demais produtores de conteúdo estabelecem intervalos de exibição que determinam em quanto tempo e de que maneira determinado serviço vai poder exibir ou comercializar algum título após a sua estreia nos cinemas. São as chamadas janelas.
O filme sai primeiro do cinema. Seis meses depois (isso varia de acordo com o estúdio) chega à locadoras. Aí são mais três meses para que alcance o varejo. A lista continua, passando pelos canais de TV e, por fim, chega ao streaming online ilimitado.
Nessa hierarquia, os serviços que alugam digitalmente (deixa o streaming disponível por até 48 horas) entram na mesma janela das locadoras, tendo assim um conteúdo mais fresco que os demais. “Se esse conteúdo chegar para o streaming ao mesmo que para a TV a cabo, ele mata a TV. Com o surgimento desse novo modelo, os estúdios estão ainda procurando um modo de lucrar sem afetar o resto da indústria”, observa Daniel Topel, diretor executivo da Netmovies.
Por ficar tão atrás dos outros na escala de distribuição da indústria, serviços de streaming ilimitado ainda são oferecidos em paralelo a outros mais rentáveis, como faz a Netmovies, ou nem se tornam opção para as empresas, embora seja atraente para clientes em função do baixo preço. É o caso da Saraiva Digital, que apenas aluga ou vende os títulos digitalmente, por meio de download. “Gostaríamos de ter um modelo de assinatura, mas hoje ainda não vejo como um modelo viável em função da falta de acervo”, lamenta Deric Guilhen, diretor de produtos digitais da loja, que aposta em conteúdos de nicho, como vídeo de treinamento e palestras.
O diretor de mídia do Terra para América Latina, Pedro Rolla, prevê que todos os dispositivos e serviços afunilarão para a internet, mas não qualquer internet. “A gente precisa esquecer essa visão da internet como WWW e passar a vê-la nos mais variados dispositivos”, diz. “O usuário tinha de sair de casa, ir na locadora, o filme que ele queria está esgotado, ele pega outro, atrasa para devolver, tem que pagar multa. Toda essa má experiência não existe no digital”, ilustra. Para ele, o mercado de televisores será dominado pelas smart TVs. E cita a morte da TV de tubo como exemplo do processo de substituição de tecnologias no setor.
Vale a pena?
Qualquer comentário sobre o Netflix corre o risco de se tornar superado, já que a empresa acabou de chegar no Brasil, mas a verdade é que à primeira vista ele é legal, mas a longo prazo nem tanto. O Netflix só recebe filmes com três anos depois de lançado no cinema, por isso o catálogo tem pouca coisa nova e pouca coisa boa (além de problemas com legendas ou títulos só dublados). Talvez o melhor acervo seja o infantil; e os piores, documentários, clássicos e séries. Pelo preço, é um serviço interessante. Mas com o catálogo sem novidades, por quantos meses vai continuar valendo a pena assinar?
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Leia mais:
• Personal Nerd – TV além da TV
• TV social começa antes no Brasil
• TV social
• Link no papel – 12/09/2011
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12/09/2011 - 12:20 Enviado por: Corinto Luis Ribeiro
Devo confessar que estou desapontado com a assinatura de DTH e as operadores de cabo, pois o conteúdo esta baixando de nível. Quando assinava a Directv, nos anos 90, havia a possiblidade de optar por trilha original, dublado, acionar a legenda ou não, canal a canal. Com a mudança para a Sky, não há essa possiblidade, a opção é para o aparelho.
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Além disto, havia seriados memoráveis, como Married with Children, Seinfeld, A Bit of Fry and, Laurie, The Fast Show, Absolutely Fabulous só para lembrar as comédias.
Hoje o que vemos são filmes dublados, sem a possibilidade de audio original com as legendas, só reality shows onde tipos exageradamente caricatos, beirando a ofensa por seus comportamentos amorais e egocentricos, disputam em atividades como cozinhas, desfiles, maquiagem, modelos, e os cliches se repetem. Até um Chacrinho 2.1 já tem!
O modelo streaming pode nos liberar disto, permitindo assistir filmes que não estão nos catálogos, mas jogados em porões das distribuidoras ou detendoras da sua distribuição, como os deo comediante italiano Totò, ou “Oh Dad, Poor Dad, Mama’s Hung You in the Closet and I’m Feeling So Sad”, citando apenas dois exemplos para não alongar. Filmes sem distribuição há mais de um tempo, digamos, 15 anos, deveriam cair em domínio público, assim como qualquer propriedade intelectual – livros sem reedição, discos, material audio visual, etc..
Mas deve haver um preço justo, não escorchante. O valor prometido pela Netflix me parece conveniente. -
12/09/2011 - 13:29 Enviado por: alex amaral
Enquanto existirem essas “janelas” a pirataria reinará.
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Parace que os estúdios adoram a pirataria ou vivem em outro mundo.
Quem é que, em pleno século XXI, va aguardar “janelas”impostas por estúdios, gravadoras e tvs, se é possível fazer download de séries e filmes em espaço de tempo tão logo eles são disponibilizados em Blu-ray/DVD?
A indústria cinematográfica perde muito dinheiro em não disponibilizar seu conteúdo na internet e por um preço que estimule o consumidor a comprar o produto diretamente dela.
Veja o exemplo da Apple, que passou a vender música online sem proteção DRM e fatura bilhões por ano só neste ramo de atividade. -
13/09/2011 - 08:49 Enviado por: Mauricio Mendez
Acho que o pessoal da NET está completamente perdida quando fala que o brasileiro está acostumado a assistir o programa junto com todo mundo. Quem aqui gosta de pegar o filme pela metade ou ter que esperar o filme começar? Hello, estamos no seculo XXI, geração Y quer agilidade e praticidade. Por isso a pirataria é o que é, alguns filmes antes de seu lançamento no cinema já são vendidos nas esquinas desse Brasil. Até quando os empresários do setor vão reclamar disso sem fazer nada?
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