Firefox OS traz web de volta ao celular
- 27 de julho de 2012|
- 7h00|
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Por Murilo Roncolato
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Entrevista com Chris Heilmann, engenheiro do Firefox que demonstrou ao ‘Link’ como será o sistema operacional da Mozilla
PORTO ALEGRE – Engenheiro da Mozilla trouxe protótipos de celulares equipados com o sistema operacional móvel da Mozilla e o demonstrou para o público do 13º Fórum do Software Livre (Fisl). Nesta quinta-feira, 26, o Link bateu um papo com Christian Heilmann, o principal evangelista técnico da organização defensora do código aberto, e pôde pôr as mãos em um desses aparelhos com o Firefox OS.
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Os smartphones acizentados sem marca de fabricante mostravam na sua tela, de cerca de 4 polegadas, um painel visualmente bem próximo dos que estamos acostumados a ver por aí. Uma tela vertical, com ícones de aplicativos, opção de painéis laterais, um ótimo touchscreen e navegação sem travamentos. No geral, o visual dos apps são bem simples e leves, ponto positivo para um sistema que pretende atingir a parcela da população que não está acostumada a usar um aparelho do tipo.
O sistema e os apps são todos desenvolvidos em HTML5, linguagem de programação que permite rodar conteúdos multimídia sem a necessidade de softwares ou plugin (como o Adobe Flash Player).
Nesta sexta-feira, 27, a partir das 10h a Mozilla coordenará uma maratona hacker tendo como o objetivo a apresentação do Firefox OS para os programadores presentes no Fisl.
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Veja abaixo a entrevista com Chris Heilmann, engenheiro e evangelista da Mozilla Corporation:
Por que escolheram o Brasil para estrear o Firefox OS?
Não escolhemos. Surgiu um grande parceiro, que é a Telefônica, aliada a fabricantes de aparelhos e que vai nos ajudar a colocar o software no mercado. Queríamos um produto móvel que fosse aberto e barato. Os brasileiros, na maioria, tem feature phones (celulares mais comuns, sem conexão), e é nesse tipo de pessoas, sem smartphones, que a gente está mirando. Além disso, as pessoas aqui tem muitas iniciativas, inclusive governamentais, com uso de plataformas abertas. Por tudo isso, achamos que o Brasil era uma boa oportunidade. Há um mercado enorme de programadores brasileiros. Temos uma grande chance de tornar esses programadores super stars.
Quando chegará de fato?
Depende do nosso parceiro. Só sei dizer que será no começo de 2013, isso é certo.
Há mais parceiros?
Há sim interessados, mas nada concreto. Em relação a nossa parceria atual, ela tem aliança com fabricantes que farão o aparelho, mas não sabemos ainda como será o celular. Será algo bem próximo deste aí (veja imagem acima). O que sabemos é que será simples e barato. Mas o desempenho realmente não deixará ninguém desapontado.
Qual a grande diferencial do Firefox OS?
A diferença é que conseguimos trazer de volta ao celular a experiência da web. No Android e no iOS, por exemplo, o browser é apenas uma parte do sistema todo, certo? Para cada função que quiser no aparelho, seja ouvir música ou ver um mapa, você tem que baixar aplicativos. Eu não entendo a lógica dos aplicativos. Antes para tudo, para cada função que quisesse dar a seu computador, você instalava um software. Depois veio a web e todas as soluções se deram no ambiente do browser, online. Agora, nos celulares voltaram à lógica da instalação de programa. Não tem necessidade. Se eu quiser usar o Facebook, você simplesmente acessa o Facebook, não precisa ocupar teu HD com um aplicativo e ainda consome menos dados.
Todo o sistema do Boot to Gecko (B2G, base do Firefox OS) é baseado na web. Há a nossa loja de aplicativos, você escolhe o app e quando for abri-lo, ele abre como página de web, mas com uma interface que dê a experiência de apps comuns, com fullscreen. Nem se percebe que está, na verdade, navegando em um browser. Será bem melhor que o Android.
E o desenvolvimento?
O programador terá que aprender apenas uma vez. Porque é tudo para a web. Da mesma maneira que ele faz um aplicativo para Firefox ele pode fazer para o celular. E sobre atualizações, será mais interessante porque muitos apps quando atualizam te obrigam a baixar o app atualizado inteirinho. No nosso, as pessoas vão precisar só acrescentar as partes novas. Há apps do Chrome para celular que não são compatíveis com o próprio Android. Isso não acontece no Firefox OS porque a versão é a da web.
Não estão envolvidos com a fabricação do aparelho?
Não queremos estar jamais nesse ambiente. É uma bagunça. Queremos é construir software.
Acha que a Mozilla demorou para lançar seu sistema operacional? Por que só agora?
Agora temos todas as ferramentas necessárias. E a outra tem a ver com maturidade, chegamos em um momento em que a lua-de-mel dos usuários com smartphones tipo Android e iOS está acabando. As pessoas não acham mais os aparelhos tão úteis quanto antes, estão menos deslumbradas, viram que podem não ser tão seguros, etc. A verdade é que a web é a melhor plataforma. Vai levar um tempo até que todos entendam a ideia, mas será mais fácil para essas pessoas usar o Firefox OS. Mais fácil e mais acessível.
O que queremos é dar as pessoas que não tem smartphone a chance de ter um. Não queremos tomar espaço de Androids e iPhones. Há pessoas que demandam usos mais simples: manda mensagens, checam e-mail e usam a web. Algumas pessoas vão querer usar o Android para isso, mas outra grande parte vai preferir o Firefox por ser mais barato.
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Como vê a web daqui cinco anos?
Será a mesma coisa que é agora. Tem um problema hoje que foi trazido pelos tablets e smartphones que é o de, por serem fechados, transformaram as pessoas em meros consumidores. Há outros ambientes como a Wikipedia que tem a lógica contrária, que coloca as pessoas para escrever, publicar conteúdo. A web deve inevitavelmente se radicalizar nessa ponta mais colaborativa e de interação real, onde os usuários produzem e consomem o que produzem.
O Firefox OS é um passo na direção de afastar as pessoas desse perfil apenas consumidor. A plataforma é aberta, as pessoas vão poder construir e inserir seu próprio conteúdo. Elas poderão ter aparelhos com propósitos diferentes. Jornalistas podem criar aplicativos web que funcionem como gravador, inserir de forma interativa um gravador de vídeo e uma câmera fotográfica. Os aparelhos e os sistemas serão o que as pessoas quiserem.
Veja as TVs interativas de hoje. É uma farsa, porque de interativo não tem nada. Você ainda é um ser que fica sentado no teu sofá consumindo conteúdo. Aliás, televisores serão a próxima plataforma. Todos tem TV, não há porque ter outra tela em casa, como um tablet. Tudo pode ser feito pela TV.
Pensam em fazer softwares para TV?
Estamos pensando sobre criar coisas para TV e para videogame também, mas por enquanto não é possível.
Prevê um futuro em que todos serão programadores?
Acredito que não. Haverá os que programam e os que colocam conteúdo. A diferença é que os formatos serão mais fáceis para as pessoas colocarem conteúdo, com muito mais possibilidades.
***
O Fórum Internacional de Software Livre vai até sábado, 28, com palestras ocorrendo das 10h às 19h, diariamente. Para mais detalhes, acesse o site oficial e continue acompanhando as notícias pelo Link.
* O repórter viaja a convite da organização do Fisl.
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Leia mais:
• Entrevista: Executivo da Mozilla discute modelo aberto: ‘Queremos garantir a chance de escolher’
• Firefox OS deve chegar ao Brasil em 2013
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27/07/2012 - 11:56 Enviado por: Frank Wyllys
Acho que vale uma correção na matéria: html, independentemente da sua versão, é uma linguagem de marcação e não de programação. Lógico, a versão 5 veio para o transformar realmente em uma linguagem de programação.
denunciar abuso
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