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Fecha-se um ciclo

Por Carla Peralva

Na apresentação de hoje, a Apple pode fechar todas as pontas de seu ambiente digital; padrão adotado é alvo de críticas

SÃO PAULO – A Apple completa, nesta segunda-feira, um anúncio que começou em fevereiro deste ano. Naquela data, a empresa liberou o acesso da versão beta do novo sistema operacional para Mac, o OS X Mountain Lion, para desenvolvedores.

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A plataforma foi inspirada no sistema operacional que atualmente move iPhones, iPods e iPads e foi pensada pela empresa para criar, para o usuário, uma sensação de experiência única ao usar diferentes aparelhos da empresa.

Além de algumas alterações no design, aplicativos muito famosos nos dispositivos móveis, como o Central de Notificações, o Notas e o Mensagens foram trazidos para os desktops e notebooks da empresa.

Depois do iCloud, o lançamento de um sistema operacional que aproximasse ainda mais os produtos da empresa é um passo lógico na declarada vontade da companhia de ser o centro digital da vida de seus usuários.

Em seu último WWDC, há um ano, Steve Jobs afirmou que as pessoas não poderiam mais delegar esse papel ao computador e que, por isso, iria “rebaixar o PC ao status de apenas mais um dispositivo” e “transferir o centro de sua vida digital para a nuvem”. O iCloud veio daí.

O novo Mac OS, que deve ter mais detalhes revelados nessa WWDC e ser liberado para o público no começo do próximo mês, chega para fechar o ciclo e tornar mais suave a transição entre aparelhos.

No próximo dia 30, a Apple tira definitivamente do ar o MobileMe, uma ferramenta de sincronização de contatos, calendários e e-mails que não vingou e deu lugar ao iCloud, e conclui um processo iniciado em 2000 por Steve Jobs, que idealizou esse modelo de ecossistema.

Com a Apple controlando “as duas pontas da conexão” entre seus aparelhos e seus serviços online – palavras de Jobs –, ela influencia também o ritmo de utilização de tais serviços e a própria utilização da rede.

Tim Berners-Lee, um dos criadores da World Wide Web como a conhecemos hoje, chama de “ilhas fragmentadas” o ambiente que empresas como Apple e Facebook estão criando na internet, na opinião do pesquisador britânico.

A navegação baseada em aplicativos basicamente unifuncionais, a centralização de conteúdos em softwares proprietários como o iTunes e o compartilhamento de informações em bolhas sociais, além da sincronização desse ambiente controlado por diversos aparelhos, são as principais características dessas ilhas criticadas por Lee.

O Mountain Lion leva para o computador pessoal esse modelo de navegação que se popularizou nos smartphones. Depois, a Apple só faltará atingir a tela das televisões – algo que se espera que ela realmente faça nesta segunda.

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• Link no papel – 11/6/2012

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