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Domingo, 21 de Setembro de 2014

18 de junho de 2014 17h26

Facebook deixa de censurar fotos de amamentação

Rede social muda política sobre nudez e pornografia e passa a analisar imagens por contexto para saber se devem ou não serem exibidas na linha do tempo

Por Camilo Rocha

SÃO PAULO – Umas das políticas mais controversas do Facebook parece ter deixado de existir. O veto que a rede social impunha a fotos de amamentação não existe mais.

A ativista Paala Secor teve sua foto de amamentação censurada pelo Facebook. FOTO: Reprodução/Paala Secor

A informação foi dada pela ativista Soraya Chemaly em seu blog no Huffington Post. Segundo ela, representantes da empresa lhe confirmaram a decisão, “resultado de uma discreta mudança de política”.

O Facebook não fez nenhum anúncio oficial sobre a mudança, que veio em um momento em que ganha fôlego a campanha #FreeTheNipple (#LiberteOMamilo), que prega a “descriminalização” do corpo da mulher e a caracterização de imagens de amamentação como “obscenas”. Celebridades como Miley Cyrus, Rihanna e Scout Willis (a filha de Bruce Willis, que passeou sem blusa por Nova York, recentemente) expressaram apoio à campanha.

 

Segundo Soraya, o Facebook é um lugar em que imagens de mulheres em contexto de “objeto sexual” são amplamente permitidas, diferente de outras em que as mulheres não estão mostrando seus corpos para a satisfação visual e sexual masculina, citando como exemplos imagens de amamentação, obras de arte com mulheres seminuas ou protestos políticos.

De acordo com uma fonte interna do Facebook, a mudança aconteceu porque a rede social começou a avaliar o contexto das fotos postadas na rede social, capaz de diferenciar uma imagem de teor erótico com os seios de uma mulher de uma foto de amamentação ou de um quadro renascentista.

Entretanto, a empresa fez uma alteração no tópico “Nudez e pornografia” de seus termos e condições, dizendo o seguinte: “pretendemos respeitar o direito que as pessoas têm de partilhar conteúdo pessoal importante, quer se trate de fotos de uma escultura como o David de Michelangelo ou fotos de família de uma mãe a amamentar”.

Dois pesos
A política do Facebook era questionada não só por sua existência, mas também porque a rede social (e o Instagram, que pertence a ela) censuravam fotos de mamilos, mas não de violência.

“É incrível que o Instagram aprove imagens de armas automáticas que podem matar dezenas de pessoas, mas não permite uma foto de uma mulher andando em Nova York com o peito nu – onde ela tem o direito de fazer isso”, diz a cineasta e atriz Lina Esco, que criou a hasthag #FreeTheNipple e deve lançar em breve um filme com o mesmo nome.