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Domingo, 21 de Dezembro de 2014

26 de junho de 2011 19h50

Explosão hacker

Grupos atacam governos e são atacados por outros grupos

Por Heloisa Lupinacci

▪▪▪ Grupos atacam governos e são atacados por outros grupos

Não foi só o Brasil que viu sites governamentais serem atacados em série no final da semana passada. Até o fechamento desta edição, o País via uma sequência de três dias de pichações e derrubada de sites, como o da Presidência, o da Receita Federal e o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na sexta, 24, quando o site do IBGE amanheceu com sua home page ‘pichada’, o governo peruano também viu oito páginas governamentais serem atacadas. Um dia antes, o grupo LulzSec, protagonista dos ataques – ainda que não responsável por todos eles – publicou documentos roubados do Departamento de Segurança Pública do Arizona. E ao longo do mês todo, não faltaram ataques (veja alguns abaixo).

O LulzSec paira sobre essas ações desde que assumiu o ataque à rede PSN, da Sony, ainda no mês passado (dados de centenas de milhões de usuários foram expostos). De lá para cá, virou sinônimo de ataque e deu origem, inclusive, a uma filial brasileira, LulzSecBrazil, parabenizada pela matriz pelos ataques de quarta a sites do governo.

No entanto, na sexta, a pichação ao site do IBGE tinha outra assinatura. Era de autoria do grupo Fail Shell. Parece tudo farinha do mesmo saco? Pois não é.

Na mensagem que o Fail Shell deixou na página do IBGE, a diferença fica clara. O texto, que alertava para grande onda de “ataques de natureza virtual” ao governo e descrevia o grupo como “nacionalista”, terminava separando alhos de bugalhos: “não há espaço para grupos sem qualquer ideologia, como LulzSec ou Anonymous, no Brasil”.

Ou seja, não são só grupos diferentes, mas as motivações são distintas. O LulzSec é assumidamente desligado de ideologias. Esse espírito zombeteiro tem despertado, porém, a ira de outros hackers. E, com isso, o LulzSec virou alvo de seu veneno favorito: um vazamento.

Na quarta, o blog LulzSec Exposed, criado pelo grupo WebNinjas, publicou conversas entre os membros do LulzSec, expondo o funcionamento e o tamanho do grupo, bem menor do que aparentava. “Nós mostramos que eles não são os ‘deuses da internet’ que acham que são. Vamos parar o LulzSec. Estamos aqui pelas vítimas dos hacks”, diz comunicado do grupo que expôs as conversas entre “Sabu”, aparentemente o líder do grupo, “Kayla”, hacker que disporia de uma enorme de rede de PCs-zumbis (um programa maldoso instalado no seu PC permite que, quando você não o estiver usando, o dono da rede de zumbis use a sua máquina para acessar a um site. Com muitos computadores acessando um site, ele cai, no que é chamado de ataque DDoS) e “Topiary”, relações-públicas e comandante do perfil deles no Twitter (@LulzSec).

Mas não são só os ninjas que querem brecar o LulzSec. Segundo o jornal The New York Times, o grupo Backtrace Security está no pé deles desde fevereiro. Um membro do Backtrace disse à publicação que, apesar de o grupo afirmar que não vai divulgar as identidades dos membros do LulzSec, foram publicados online dados pessoais deles em fevereiro e, desde março, os Backtrace estão ajudando o FBI.

Política e graça. De volta à diferença de motivação. O Fail Shell se opôs a LulzSec e Anonymous acusando-os de falta de ideologia. Pois nem esses dois grupos estão na mesma categoria.

Assim que o LulzSec ganhou os holofotes, vieram os primeiros rumores: ele estaria em guerra com outra potência , o Anonymous. O rumor foi negado. E, em seguida, os dois anunciaram uma aliança para atacar corporações e governos no mundo todo.

Mas há diferenças cruciais. Ao The New York Times, Gabriela Coleman, professora na New York University e estudiosa do Anonymous disse: “Não quer dizer que o LulzSec não queira política, mas a política só entra na pauta deles quando puder ser engraçada. A graça também importa ao Anonymous, mas a ala política é realmente política, e eles mantêm a graça domesticada”.

SEMANA HACK

Quarta, 22 | Os sites .gov da Presidência, Portal Brasil e Receita Federal saíram do ar após ataque DDoS, que gera excesso de acessos. À tarde, o site da Petrobras foi alvo de ataque. O LulzSecBrazil assumiu a autoria de ambos.

Quinta, 23 | Páginas do Senado e da Presidência foram derrubados. O site do Ministério do Esporte foi desativado após o LulzSec- Brazil se gabar no Twitter de ter roubado dados dali. O Ministério negou o roubo.

Sexta, 24 | Na madrugada, o grupo Fail Shell “picha” (foto) o site do IBGE e alerta para mais ataques neste mês. O site do Ministério da Cultura ficou instável e a Infraero ficou fora do ar, mas disse que era “manutenção”.

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Link no papel – 27/06/2011