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Evolução nerd

Por Murilo Roncolato

Veteranos da Campus Party, a dupla Jovem Nerd estabeleceu sua identidade na rede

Começa nesta segunda, 6, no Anhembi em São Paulo a quinta edição da Campus Party, o maior encontro de tecnologia e cultura digital do País. São esperados sete mil participantes (5.500 deles acampando) no espaço interno e cerca de 200 mil visitantes durante a semana.

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Para este ano, velocidade da internet dobrou, chegando em 20 Gbps, para alegria dos campuseiros que vão atrás de download e jogos online. Nas palestras, poucos figurões, mas um leque interessante (veja os destaques abaixo): um dos arquitetos da web (John Klensin), o “físico do impossível” (Michio Kaku), o responsável pelo sucesso do game Angry Birds (Julien Fourgeaud), além de representantes de Mozilla, Wikimedia Foundation, SoundCloud e dos movimentos de revolta popular de 2011 (Primavera Árabe, Occupy Wall Street e da Acampada del Sol).

Como novidade, a Campus destaca os chamados “agitadores”, pessoas que possuem presença e sucesso na internet. São eles: Maurício Cid (blog Não Salvo), Rodrigo Fernandes (blog Jacaré Banguela) e PC Siqueira.

Além desses, outros “agitadores” e ídolos do enorme público nerd chamam-se Deive Pazos e Alexandre Ottoni. Se dito assim os nomes não soaram familiar, que tal Jovem Nerd? O site desses cariocas de 36 e 32 anos – respectivamente – recebe mais de 1,5 milhão de visitas mensais de nerds que religiosamente o acessam para ouvir podcasts de mais de uma hora de duração sobre temas que podem envolver Guerra nas Estrelas, Michael Jackson, RPG, teorias da conspiração, zumbis e bactérias.

Os dois começaram o blog em 2002 e quatro anos depois criaram os “Nerdcasts”. Com o tempo, o sucesso e a aproximação de patrocinadores, os blogueiros se tornaram empresários e passaram a desenvolver produtos diferentes para o site.

Aí surgiram a NerdStore (com receita de R$ 500 mil em 2011) o selo Nerdbooks (que lançou Protocolo Bluehand: Alienígenas, um livro descontraído escrito por eles que ensina meios de sobreviver a um ataque alienígena; que teve a tiragem de 4 mil exemplares esgotada em duas semanas) e os programas de vídeo Nerd-Office (em formato semelhante ao podcast, já com 56 episódios) e NerdPlayer (sobre games, com 12 episódios).

Os dois são figuras carimbadas na Campus Party ou o “congresso de tecnólogos”, como brincam. Participam desde a primeira edição e sempre acreditaram no potencial do evento, principalmente pelo ambiente que favorece, por ironia, a interação não virtual. É lá que essas celebridades nerd têm contato direto com fãs. E eles têm muitos fãs.

“Saímos na rua e somos reconhecidos toda vez. A gente estava em Brasília em uma rua escura vazia e veio chegando um cara… A gente achou que era assalto. Mas era só um fã querendo tirar foto. Aí ele foi embora e surgiu outro, que não tinha nenhuma relação com o primeiro! Parece que a gente trabalha na televisão, é impressionante!”, conta, rindo, Ottoni.

Celebridades da internet costumam sair da rede para migrar para a TV – como já aconteceu com PC Siqueira, Felipe Neto e Rafinha Bastos, entre outros. A dupla conta que já recebeu propostas, mas preferiu recusar. “No início a gente tinha esse objetivo glamouroso – vamos ser descobertos, vamos a festas da Globo –, mas a gente não precisa de TV, a gente já tem nosso veículo”, diz Pazos. Ele acredita que na televisão perderiam boa parte do seu público (a geração com menos de 23 anos), que preferem a nova telinha, a do computador.

“Sair do nosso público de nicho e ir para a TV, que é público de massa, seria ruim”, avalia Ottoni. Para o locutor do jargão nerd “lambda lambda lambda”, o Jovem Nerd não dá certo na TV, mas dá certo na internet. “O que a gente está perdendo em não ir para a TV? A gente não enxerga isso como uma evolução, como pensam. Estamos muito bem na internet, obrigado.”

Azhagâl (pseudônimo de Deive) e Ottoni não têm planos de parar. O site vai passar por uma reformulação completa para abrir caminho a uma novidade: a rede social nerd. O projeto, que ficará restrito aos ligeiros que fizeram pré-cadastro, deve estrear durante a Campus Party. Isso se os últimos detalhes de segurança forem feitos até lá.

A diferença da rede nerd será justamente – e com o perdão da redundância – a nerdice. Funcionará como um RPG, os perfis ganharão experiência e “ouro” (a serem gastos na Nerdstore) a partir do número de interações. “Tínhamos que atualizar para trazer ferramentas de interação e criar um jeito de preservar as ótimas discussões que iam se perdendo com o tempo”, conta Ottoni.

Além da rede social, mais um Protocolo Bluehand deve sair (sobre zumbis), quadrinhos e até jogos de tabuleiro. Os nerds aparentemente se cansaram de War, Detetive e Banco Imobiliário. “No Brasil são os mesmos jogos há 40 anos. Na Europa tem vários e vários tabuleiros, todos muito empolgantes. Ninguém na indústria daqui vê isso, por isso estamos bolando um nosso”, anuncia o Jovem Nerd.

“Trabalhei 10 anos em um motel e aprendi que, para continuar crescendo, a gente não pode parar nunca – sem piada. De vez em quando vem gente dizer que nós não somos mais os mesmos. Eu digo: ‘Ainda bem. A gente evoluiu’”, diz Ottoni.

O Jovem Nerd fará o Nerdcast todos os dias na Campus Party às 22h e terá ainda participações nos palcos de Música e Ciência.

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Leia mais:
• Campus Party  quer ser espaço de inovação
• Link no papel – 30/1/2012

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