Especialista em startups
- 7 de novembro de 2010|
- 17h39|
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Por The New York Times

No ano passado, quando Marc Andreessen abriu uma firma em Sand Hill Road, a região arborizada onde ficam as empresas de capital de risco do Vale do Silício, ele já era uma figura bem conhecida. Andreessen fundou a Netscape, que fez o primeiro navegador para a internet, e a Opsware, comprada pela HP por US$ 1,6 bilhão. Mas ele quis provar que poderia virar um capitalista de risco investindo na próxima grande novidade.
Em 16 meses, a Andreessen Horowitz, que ele criou com Ben Horowitz, também fundador da Opsware, entrou na lista dos grandes fundos de capital de risco, apostando em empresas como o Foursquare e a Zynga.
Na quarta-feira, a Andreessen Horowitz consolidou essa posição ao anunciar que levantou US$ 650 milhões para seu segundo fundo. Uma soma inusitada e ainda mais notável por se tratar de uma empresa tão nova.
Embora ainda seja cedo para avaliar o sucesso financeiro do fundo, ele representa uma nova safra de empresas de capital de risco que está financiando novos negócios, que estão agitando um setor que precisa de mudanças, uma vez que as receitas contabilizadas na década encerrada em junho foram 4,2% negativas.
Os capitalistas de risco no Vale do Silício estão percebendo que a disputa pelas startups voltou a ser feroz. A valorização dessas empresas tem aumentado vigorosamente, disse Andreessen, e agora os investidores precisam pagar mais para comprar uma fatia dessas companhias.
Semente
A competição mais acirrada é por aquelas que estão ainda em formação e que requerem investimentos relativamente baixos – entre US$ 25 mil e US$ 200 mil.
Esse tipo de investimento vem crescendo rapidamente apesar de os investimentos de risco no geral terem desacelerado. Nos trimestre encerrados em setembro, os financiamentos, de um modo geral, encolheram 7%, para US$ 4,8 bilhões, em relação ao mesmo período do ano anterior, mas os investimentos em empresas que estão levantando dinheiro pela primeira vez aumentaram 60%, para US$ 1,2 bilhão, de acordo com a PricewaterhouseCoopers e a National Venture Capital Association.
Horowitz e Andreessen decidiram se expandir e criar uma empresa de capital de risco no ano passado depois de investir US$ 4 milhões em 45 startups, entre elas o Twitter; a Qik, empresa de vídeo ao vivo por celular; e a Aliph, que faz os fones Jawbone.
Início
Sem escritório ou funcionários, eles passaram dias se reunindo no lounge do hotel Rosewood Sand Hill, popular entre o pessoal da tecnologia, “fazendo pedidos de club-soda e amendoim para a mesma garçonete durante sete horas”, disse Andreessen. E assim levantaram US$ 300 milhões de investidores de fora e abriram um escritório ao lado do Rosewood.
A ideia é que a empresa seja como um campo de treinamento para os executivos das startups, para que o fundador técnico da se mantenha na direção e aprenda a ser um diretor executivo. Isso porque, segundo Andreessen, os fundadores sempre são mais dispostos a sacrificar ganhos de curto prazo em nome de ideias de longo prazo.
A filosofia dos dois fica evidente a partir do momento em que se entra no saguão da sede da Andreessen Horowitz, repleto de guias de programação de computador e biografias de empreendedores tecnológicos – primeiro contato com a imagem cuidadosamente trabalhada da empresa.
“Em geral, as pessoas acham que quando o capital de risco assume uma empresa, traz com ele um time de profissionais”, diz Ben Horowitz. “Mas nós achamos mais fácil transformar o fundador num excelente CEO”. Entre os exemplos de empresas em que os fundadores seguiram na direção, ele cita Amazon.com, Microsoft e Intel.
Mas isso não quer dizer que a Andreessen Horowitz exclua totalmente mudanças na área executiva. Diversas empresas de seu portfólio, como Skype e Digg, tiveram o diretor executivo trocado quando eles investiram nelas.
Os dois financistas ajudam os fundadores a virar executivos escrevendo longos posts em blogs sobre assuntos que vão de como contratar executivos a como despedir funcionários.
Envolvimento
A chave, dizem eles, é que, ao contrário de outros capitalistas de risco cuja experiência é só no campo das finanças, eles já trabalharam como executivos, assim como seu terceiro sócio, John O’Farrell, que foi executivo da Silver Spring Networks.
Eles também criaram, na empresa, uma equipe de funcionários para cuidar de recrutamento e do marketing dos produtos das startups.
Embora outras empresas de capital de risco também façam isso, muitos investidores têm a péssima reputação de acatar só da boca para fora a ideia de que devem ter uma maior atuação nas companhias. E, no fim das contas, não fazem mais do que aparecer eventualmente nas reuniões da diretoria.
Na Andreessen Horowitz, por exemplo, seis funcionários costumam visitar universidades em busca de estudantes de engenharia promissores e procuram conhecer executivos no campo, criando uma rede de contatos a ser aproveitada pelas empresas do portfólio dos investidores.
No ano passado, 73 pessoas dessa rede de contatos foram contratadas pelas empresas.
Mas, apesar de todas as medidas, o que importa mesmo, na maior parte dos casos, são os conselhos pessoais de pessoas como Andreessen. “O nome deles pesa e eles próprios têm peso”, disse Ted G. Wang, do escritório de advogados Fenwick & West, que também está direcionado para esse campo. “Quem não gostaria de ter a marca de Marc e Ben na sua empresa?”. /CLAIRE CAIN MILLER;TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO
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Leia mais:
• ‘Link’ no papel – 08/11/2010
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