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Sábado, 25 de Outubro de 2014

30 de junho de 2014 17h49

Entenda como funciona o feed de notícias do Facebook

Algoritmo da rede social decide o que você vê e o que não na linha do tempo; teste de emoções provocou polêmica no fim de semana

Por Bruno Capelas

SÃO PAULO – O Facebook andou testando as emoções de seus usuários através do que eles viam no feed de notícias, como uma forma de verificar se, assim como nos “olhos nos olhos”, no ambiente virtual os sentimentos também são contagiosos. O estudo levantou polêmica – especialmente pela capacidade do Facebook de influenciar os sentimentos das pessoas com um simples girar de botões. Mas, afinal, o que é esse filtro, e como ele funciona?

1) Por que o feed existe?

Pare por um minuto, caro leitor: quantos amigos no Facebook? 200? 400? 1000? De acordo com um estudo do Pew Research Center, a média de cada usuário é de ter 338 amigos na rede social. Agora imagine o tempo que seria gasto para ver as postagens de todas essas pessoas em apenas um dia? Se cada pessoa postar três vezes (o que é pouco), são mais de mil posts por dia. Some a isso todas as postagens de páginas que você curtiu (como a do Estadão, certo?)

A maioria deles, acredita o Facebook, é desinteressante para você, de maneira que a rede social faz o trabalho de filtrar o que pode ser mais bacana e o que você não gostaria de perder. Segundo um engenheiro do Facebook, a cada vez que um usuário da rede social entra no seu feed de notícias, existem em média 1,5 mil postagens que podem ser visualizadas. É muita coisa.

2) E como o Facebook sabe do que eu gosto?

O Facebook analisa tudo o que você faz na rede social, em prol de te oferecer uma seleção de posts customizada ao seu gosto. Quando você clica em uma foto, um link, curte alguma postagem ou comenta em algo, ele registra esse comportamento – e procura repetir isso, para que você se engaje, passe mais tempo no site (e o faturamento da rede cresça com publicidade).

Estima-se que, das 1,5 mil histórias mencionadas acima, o Facebook ofereça 300 aos seus usuários. Outros fatores que entram nessa conta, ainda que negativamente, é a quantidade de vezes que o post foi escondido.

3) E se ele não estiver me mostrando o que eu gosto de verdade? Dá pra mudar isso?

Talvez seja um problema de ajustes. Você não tem muito o que fazer – até por que o Facebook se aproveita desse algoritmo para lucrar com a venda de posts patrocinados – mas pode tentar selecionar algumas configurações. O próprio Facebook te ensina a fazer isso.

Dá para ocultar postagens que você não quer ver, fazer o feed mostrar as postagens mais recentes no lugar das chamadas “Melhores histórias” (selecionadas pelo algoritmo) e seguir ou deixar de seguir amigos – sempre uma boa lembrança para eliminar do feed aquela tia que posta montagens do PowerPoint ou o seu amigo que só coloca piadas sem graça na sua timeline. Outra coisa que dá para fazer é pedir para receber notificações sempre que um amigo ou uma página de quem você gosta publicarem algo novo. É um trabalho que pode demorar bastante tempo, mas pode te ajudar. Não precisa chegar ao extremo de matar o feed de notícias – a menos que você ache que ele esteja sugando o seu tempo.

4) Por que o estudo é um problema?

O Facebook pode filtrar o seu feed de notícias – afinal, você concordou com isso quando aceitou os Termos e Condições de Uso. Ele também pode usar seus dados para pesquisas – está lá, naquelas letrinhas miúdas que pouca gente lê. Entretanto, levar isso ao ponto de deixar os usuários tristes é um problema. E dos grandes: a lei federal americana diz que, apesar da pesquisa ser parte dos Termos do Facebook, é preciso informar os usuários da rede e saber se eles consentem em participar do estudo – como aconteceria com pesquisas em métodos tradicionais.

E se deixar alguém triste é um passo, o que poderia vir depois, perguntam os críticos da rede social. Um dos pesquisadores do Facebook, Adam Kramer, alegou que o bem dos usuários vem em primeiro lugar. “Sentimos que era importante investigar a preocupação de que o post negativo de um amigo deixaria as pessoas se sentindo mal. Ao mesmo tempo, sabemos que fazer isso pode fazer com que as pessoas parem de usar o Facebook”.

5) E esse é o único problema com o feed de notícias?

Não. Quando o Facebook começou a ser uma rede popular, os posts orgãnicos (coisas que você tinha escolhido ver e foram publicadas de graça) chegavam mais ao usuário. Entretanto, com o crescimento do site, o alcance orgânico – isto é, o número de pessoas que curtiram uma página dividido pelo número de pessoas que vão ver aquela postagem – tem caído (pelas razões que a gente já explicou lá em cima sobre como funciona o feed).

Entretanto, há quem acuse que esse alcance orgânico tenha caído demais, porque o Facebook estaria tentando impulsionar sua receita, pedindo que as empresas paguem para que suas postagens cheguem a mais usuários – mesmo que eles tenham escolhido vê-las ao curtir suas páginas. É um dos grandes debates sobre a rede social hoje em dia.

6) Quem está se preocupando com isso?

Muita gente. Nós, aqui no Link, por exemplo, gastamos algum tempo tentando entender como fazer um post que chame a atenção de mais leitores no Facebook, assim como tentamos criar títulos chamativos para que você tenha vontade de ler a matéria, e escolhemos assuntos importantes que possam gerar boas reportagens. Faz parte.

Entretanto, ao selecionar um filtro, o Facebook acaba também escolhendo o que ele acha que é importante, sendo um retentor de boas informações. Ao mesmo tempo, empresas de marketing e de mídias sociais têm quebrado a cabeça para saber como fazer suas ideias chegarem até você. Como se pode ver, é uma briga por atenção. E uma atenção determinada muitas vezes por robôs, sem você sequer imaginar. (Não que isso seja uma coisa ruim, certo?).